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    Breves considerações do humanismo na educação

    Jungley Torres Jungley Torres 25/09/2018

    Este artigo tem por objetivo abordar de maneira sucinta e breve, algumas perspectivas do humanismo, e relacioná-las na educação. Podemos começar por elencar a perspectiva do humanismo existencialista, a partir da ideia de que o ser humano é um ser no mundo, e que a sua existência social passa a ser reconhecida a partir do momento em que ele capta pela sua consciência crítica a própria realidade, ao contrário dos animais que são “seres em si mesmos”, os seres humanos são “seres para si”. E que são desumanizados quando submetidos a processos que os tornem em “seres para o outro”.

    Paulo Freire aponta, por exemplo, que, ainda que os seres humanos não sejam seres que apenas existem no mundo, mas que estão em plena relação com este mundo, e dessa forma são capazes de tomarem consciência de si e do mundo (FREIRE, 1982, p. 65). Enquanto que o ser que simplesmente vive não é capaz de refletir sobre si mesmo e saber-se vivendo no mundo, o sujeito existente reflete sobre sua vida, no domínio mesmo da existência e se pergunta em torno de suas relações com o mundo. É importante frisar que o educando não deve ser visto apenas como objeto do processo educativo, mas também como sujeito ativo no processo de ensino e aprendizagem.

    Na perspectiva do humanismo cristão, incorpora- se a categoria da utopia, no sentido grego arcaico de “ainda não”, aquilo que não foi realizado, mas é plenamente possível de se realizar, relacionado- se intrinsecamente ao o elemento da esperança. Neste sentido a Utopia é o “realizável”, aquilo que pode se concretizar. É nesse sentido, por exemplo, que Freire nutre no desenvolvimento de sua pedagogia o elemento da esperança.  E identifica o inacabamento do ser humano enquanto ser, e em sua relação com mundo no processo de ensino e aprendizagem.

    Podemos citar agora a perspectiva do humanismo marxista que Freire se influenciou na filosofia da práxis que fundamenta a atividade revolucionária marxista. Ao fazê-lo, Freire considera a práxis como “reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo”. Sem ela é impossível à superação da contradição opressor- oprimido. Paulo Freire não se declarou ou se tornou plenamente marxista, mas ao se aproximar das ferramentas de análise do pensamento de Marx, e, assumindo as categorias de opressor/oprimido ele demonstrou a situação histórica de dominação existente entre os seres humanos.

    O humanismo ao se relacionar com e/ ou na educação aponta-nos para o fato de que enquanto seres inacabados, estamos em processo contínuo de formação e transformação, isto é, autoconstrução. O que se estende em nossas relações seja com o mundo, com o outro, e consigo mesmo.

    No prefácio da Pedagogia do Oprimido é sintetizada a compreensão freireana dessa relação entre os seres humanos e o mundo: “Em linguagem direta: os homens humanizam-se, trabalhando juntos para fazer do mundo, sempre mais, a mediação de consciências que se coexistenciam em liberdade” (FREIRE, 2005, p. 22).

    Referências:

    FREIRE, Paulo. Ação Cultural para Liberdade e Outros Escritos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

    __________. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

    MENDONÇA, Nelino Azevedo de. Pedagogia da Humanização – A pedagogia humanista de Paulo Freire. São Paulo: Paulus, 2008.

    Jungley Torres

    Área de formação: Filosofia, Pedagogia e Teologia.

    Área de interesse: desdobramento dos aspectos ontológicos, existências, hermenêuticos, da subjetividade e fenomenologia. Estudo de discursos e saberes que constituem as práticas educativas; Educação e Linguagem, com enfoque no discurso pedagógico contemporâneo.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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