Quarta-feira, 29 de agosto de 2007, atualizada às 17h23

Frei Beto fala sobre literatura e política, em Juiz de Fora


Thiago Werneck
Repórter

São 54 livros escritos, prêmios da literatura como o Jabuti e o Juca Pato, além de já ter sido eleito o Intelectual do Ano pela União Brasileira de escritores. Falamos do escritor Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Beto, mineiro de Belo Horizonte, militante de esquerda e estudioso de jornalismo, antropologia, filosofia e teologia.

É sobre suas obras, a importância da literatura e sua relação com seus livros que Frei Beto vai fazer palestra em Juiz de Fora. "Vou falar sobre meus 54 filhos, que são meus livros e do método de expressão utilizados neles. Vou conduzir nossa conversa sobre a questão da espiritualidade da literatura e como se centrar no ofício de ligação literária", conta Frei Beto.

Trabalhando por dois anos como assessor especial do Presidente da República, em 2003 e 2004, Frei Beto expôs alguns de seus pontos de vista para estudantes nessa quarta-feira, 29, no Teatro João Carriço (Avenida Barão do Rio Branco, 2234). "O governo Lula tem pontos positivos em muitos aspectos para o Brasil e também para América Latina. Mas está longe de ser o que considero ideal. Falta muita coisa para que isso aconteça", destacou.

Falando sobre política
Para Frei Beto, a política brasileira precisa passar por uma reforma profunda para que mudanças possam ser percebidas. Além de apontar questões específicas, como o fim do financiamento privado em campanhas eleitorais, o escritor deixa um recado para que os estudantes participem mais da política. "A população tem que se envolver com política sempre e pressionar aqueles que ela própria elegeu. Só assim poderemos ter mudanças".

Frei Beto destacou a importância do voto e de se questionar os governantes. "Sou contra o voto nulo. Isso para mim é uma forma do eleitor se omitir perante a situação política" e reforçou "quando alguém fala que tem nojo de política, os governantes comemoram, eles não gostam é de quem os incomoda e faz cobranças".

Sobre o momento em que nos encontramos na sociedade Frei Beto critica o ato do "ficar" entre adolescentes, o qual ele considera símbolo da mercantilização dos tempos de pós-modernidade. "Os jovens não dão mais valor aos sentimentos e vivem em um processo de desumanização que pode ser prejudicial a longo prazo. Dificultando relações de mais afetividade, hoje parece que um é descartável para o outro", aponta.

A visita de Frei Beto a Juiz de Fora faz parte do projeto Estado de Minas Grandes Escritores. O programa é coordenado pela ONG Humanizarte. A palestra gratuita acontece no Teatro Solar (Avenida Independência, 2104, São Mateus), nesta quarta-feira, dia 29 de agosto, às 19h30.

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