Terça-feira, 2 de agosto de 2011, atualizada às 17h54

Governo corta os pontos dos professores da rede estadual. Nova assembleia ocorre nesta quarta

Jorge Júnior
Repórter
professores

O governo estadual de Minas Gerais colocou em prática o que havia ameaçado, cortando o ponto dos professores que estão em greve há 54 dias. O contracheque referente ao mês de julho, que a categoria recebeu na última segunda-feira, 1º de agosto, veio com o salário proporcional aos oito dias trabalhados.

A diretora de comunicação do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) local, Yara Aquino, considera a ação autoritária. "É uma atitude abusiva. O governo não respeitou o direito da greve", diz.

Segundo a sindicalista, os professores vão manter a mobilização, até que a negociação envolva um reajuste real. "Vamos aguardar para ver as propostas que serão encaminhadas para a assembleia." Na tarde desta quarta-feira, 3, os profissionais reúnem-se em assembleia em Belo Horizonte.

Segundo a assessoria da Secretária de Educação de Minas Gerais, o governo já realizou dez reuniões com a classe para tentar resolver a solicitação. O departamento informou que o valor do piso nacional de R$ 1.187 para uma jornada de trabalho de, no máximo, 40 horas é pago aos trabalhadores.

O órgão esclareceu também, que no último dia 14 de julho, foi feita uma proposta à classe, porém o ensaio não foi apresentado aos professores pelo sindicato. A assessoria informou, ainda, que o corte poderá ser pago posteriormente, caso as aulas sejam repostas e que o período de recesso escolar de julho não será considerado no corte salarial.

Insatisfação

Enquanto as negociações não chegam a um acordo, os alunos sofrem com a situação. Segundo Yara, não há um levantamento do percentual de escolas paralisadas, mas a estimativa no Estado é de que 50% tenham aderido ao movimento.

A cabeleireira Maria de Fátima Souza está indignada com a situação escolar do seu filho, que cursa o 3º ano do ensino médio, na Escola Escola Estadual Sebastião Patrus de Souza, no bairro Santa Terezinha. "Meu filho está sendo prejudicado, é um absurdo. Na segunda-feira, quando voltou de férias, ficou sabendo que não vai haver aula. Com isso, mesmo que as aulas sejam repostas não vai ser a mesma coisa."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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