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    Reajuste de até 12% nas mensalidades escolares preocupa juiz-foranosPor lei, as escolas devem fixar o reajuste que vão aplicar nas mensalidades no mínimo 45 dias antes do início das aulas

    Victor Machado* e Jorge Júnior
    Repórter
    5/10/2011
    escola

    Estudar nas instituições particulares em Minas Gerais deve ficar 12% maio caro em 2012. O reajuste deve ser comunicado pelas escolas e faculdades entre este mês e novembro. O percentual é bem maior do que o teto da inflação do país, previsto para 6,5% este ano e preocupa os juiz-foranos. Em Juiz de Fora, neste ano, segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe/MG), as mensalidades sofreram um reajuste entre 3% e 10%.

    De acordo com o Sinepe-MG, em 2012 o peso deve ser maior, pressionado pelo salário mínimo, que terá aumento de 13,06%, elevando as despesas de manutenção e de serviços.

    Com esse aumento, quem sofre são os pais. Este é o caso do mecânico Wanderson Wagner de Souza Lagrotta, que tem dois filhos matriculados em escolas particulares. Para suprir os reajustes, será preciso se desdobrar. "A educação dos filhos é importante e você quer que seja de qualidade. Para isso, é preciso buscar alternativas para conseguir salários extras e ganhos acima do previsto para o mês."

    Lagrotta comenta ainda que os cortes nas finanças para suprir os aumentos já começam a ser percebidos. "O Dia das Crianças está chegando e vai ser difícil dar o presente que o meu filho quer. Tenho que dar outra coisa e cortar para sobrar no fim do mês." O mecânico acrescenta, ainda, que além da mensalidade, é preciso se preocupar com os gastos com materiais didáticos. "É uma dívida que se estende porque é inviável pagar tudo de uma vez."

    Para a promotora de eventos Alessandra Araújo, o panorama não é diferente. "Tenho uma filha que estuda no primeiro ano do ensino médio e faz cursinho preparatório para o vestibular. Além das despesas da escola eu pago esse curso extra." Alessandra diz que as despesas não são apenas com as escolas, mas com o suporte que é dado para o estudo. "São gastos com internet, apostilas, cadernos, além da alimentação, que também aumenta."

    Outras despesas que a promotora diz ter são com as taxas de inscrição para os processos seletivos do vestibular e também com palestras. Só neste mês, ela terá que pagar para a filha duas inscrições em processos seletivos da cidade. "Vai chegando o fim do ano e vão surgindo gastos incertos, por isso é sempre necessário fazer uma reserva."

    Quem compartilha a opinião é a jornalista Wanessa Andrade, que tem uma filha que estuda no maternal. "Em 2010, o valor da mensalidade era de R$ 150, este ano passou para R$ 180." Segundo ela, o reajuste não é só para as mensalidades, mas todos os eventos e materiais que a escola exige. "No ano passado, a comemoração do Dia das Crianças custava R$ 20, agora é R$ 25. O evento de final de ano passou de R$ 150 para R$ 200", compara.

    Razões do reajuste

    O economista Lourival Batista de Oliveira Júnior explica que existem alguns fatores que impulsionam os reajustes do preço. O índice da inflação, segundo ele, estava sendo puxado para cima, devido aos preços internacionais, mas agora já está ficando mais baixo. "A pressão inflacionária ainda é muito forte no país, apesar da queda da inflação. Mas o mercado não consegue sustentar e os preços aumentam."

    No entanto, Oliveira comenta que existem os setores na economia que não sofrem essa pressão. "O corte de cabelo, por exemplo, pode estar mais caro no Brasil do que no exterior, mas ninguém vai importar isso. A educação é a mesma coisa. As pessoas não têm a opção de mandar os filhos estudarem no país onde é mais barato. Esse tipo de serviço sempre sofre reajuste porque sempre haverá demanda."

    A dica do especialista para equilibrar as finanças é procurar escolher, dentre os colégios de mesmo padrão de qualidade desejado, o mais barato. Além disso, ele alerta para a tentativa de negociação, principalmente para as pessoas que têm mais de um filho. "Não são todos os colégios que abrem espaço para a negociação. Sempre que possível, é interessante. Aqueles que têm mais de um filho podem procurar um desconto na mensalidade, por causa do número de alunos da mesma casa no colégio."

    Para o economista, o mais importante é pensar no equilíbrio do orçamento. "Se algum gasto aumentou, outro tem que diminuir. É preciso cortar aqueles que não são prioritários, como viagens, saídas, restaurantes, etc. Tudo isso depende da visão de cada um sobre o que é importante."

    Anúncio do aumento deve ocorrer 45 dias antes

    De acordo com o superintendente da Agência de Proteção ao Consumidor (Procon), Eduardo Schröder, ainda é cedo para prever um aumento. Schröder explica que o que regula o valor do reajuste é o próprio mercado. "Como a cidade tem muitas ofertas, as escolas não podem aumentar muito, senão elas perdem para a concorrência, e o colégio fica com um déficit no mercado."

    O superintendente afirma que, por lei, as escolas devem fixar o reajuste que vão aplicar nas mensalidades no mínimo 45 dias antes do início das aulas e precisam justificar o aumento com planilha de custos para as famílias.

    *Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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