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    Viver em república pode representar um aprendizado extra na vida de estudantesQuem mora com outros universitários garante que é possível concluir a faculdade em uma casa organizada e sem ter atrito com os outros moradores

    Thiago Stephan
    Repórter
    25/2/2012
    Repúblicas

    Passar no vestibular para uma faculdade pode representar muito mais do que o início do caminho para a futura profissão. Para muitos jovens estudantes, principalmente aqueles que vivem em cidades menores, significa o momento de sair de casa e descobrir como é a vida longe da visão dos pais. E, nessa hora, importante decisão a ser tomada é onde morar.

    A principal opção para os calouros são as tradicionais repúblicas, verdadeiros sinônimos de vida universitária, com seus prós e contras. Mas, como fazer para decidir com quem morar? Como estabelecer regras para deixar o ambiente organizado? É possível evitar os atritos?

    A professora do curso de Psicologia do Centro de Ensino Superior (CES) e psicóloga da Secretaria de Educação (SE), Maria Lúcia Matos, acredita que o apoio familiar, mesmo à distância, é fundamental para que a harmonia da república ocorra. "É comum as famílias deixarem os jovens administrar a nova casa, acreditando que eles têm maturidade, mas não têm. Além disso, acho importante que as famílias dos estudantes se conheçam. Montar uma república implica em uma série de responsabilidades que precisam ser divididas. Eles precisam de uma retaguarda", destaca a psicóloga.

    Passado esse momento inicial, Maria Lúcia orienta que os estudantes apostem no diálogo para que tudo transcorra bem dentro da nova moradia. "Acho essa uma das partes mais difíceis. A primeira coisa que é preciso ter é diálogo, principalmente quando algo não está dando certo. Também é preciso estabelecer regras e dividir tarefas, sempre através do diálogo, que é o caminho para que tudo funcione. Tudo tem que ser conversado. É um exercício de democracia para planejar o funcionamento da casa."

    Na base da conversa e do bom senso

    O publicitário Vinícius Peixoto, de 30 anos, mora na República Arapuca desde 2006. Sua experiência vivendo com outros estudantes teve início em 2001, quando deixou Ipatinga para estudar em Juiz de Fora. Ele acredita que conhecer as pessoas com quem vai morar é o primeiro passo para uma boa convivência. Se o companheiro de república não for alguém conhecido, é importante observar se o perfil dele combina com os dos demais moradores. "Minha vida em república sempre foi tranquila. Mas já precisamos pedir para um morador sair, já que ele não se enquadrava no nosso perfil. Foi tranquilo. Morar em república é um grande aprendizado. Não temos muitas mordomias. É preciso ter paciência, amizade e bom senso", aconselha Peixoto.

    Ainda de acordo com o publicitário, o bom senso também é importante em relação à organização da casa. Na Arapuca, por exemplo, não existem normas e tudo funciona bem. "Não temos normas, temos bom senso. Se alguém faz algo errado, a gente conversa para que não se repita. Quando a gente faz faxina, combinamos o que cada um vai fazer. Combinando, dá tudo certo."

    Uma república criada com a ajuda das redes sociais

    A estudante Nathani Paiva, de 22 anos, saiu de Cristais, no Sul de Minas, para estudar Jornalismo em Juiz de Fora. Há três anos ela divide apartamento com outras três universitárias. Feliz com as companheiras, disse que até encontrá-las passou por outras repúblicas. Na primeira, dividia quarto com a melhor amiga. Não deu certo. Em outra, a responsável teve que entregar o apartamento. Na terceira, a falta de organização a levou a procurar novo lugar para morar. Tudo isso no primeiro ano fora de casa. As coisas começaram a se acertar quando tomou a iniciativa de procurar outras jovens para dividir um apartamento. “Encontrei as meninas em um site de relacionamento. Eu não as conhecia, mas foram as que mais deram certo comigo morando comigo”, revela Nathani.

    Para que tudo transcorra em harmonia dentro da residência, a estudante explica que foi preciso tomar medidas consensuais para manter a limpeza de casa e para evitar atritos. "Em relação à limpeza, a gente faz uma lista semanal com as obrigações de cada uma. Também definições de quem vai colocar o lixo para fora, quem vai fazer compras... Outra coisa que a gente faz é deixar bilhetinhos espalhados pela casa, lembrando da necessidade de cumprir as tarefas. Por exemplo, alertamos para a necessidade de não deixar alimentos estragados dentro da geladeira."

    Em relação ao relacionamento, Nathani explica que também é preciso seguir algumas regras. "A gente evita algumas situações. Compramos apenas o básico em conjunto, como arroz, feijão e carne. Portanto, cada um tem a sua comida e evitamos mexer nas coisas que não são nossas. Por exemplo, se estou precisando de um secador de cabelo que não é meu, ligo pedindo para usar. Pequenas coisas podem se tornar um grande problema. Outro ponto: tentamos não levar problemas da faculdade e do trabalho para dentro de casa", explicou, destacando ainda que, por ser um grupo maduro, todas evitam ficar com "picuinhas".

    Os textos são revisados por Mariana Benicá

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