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    Quinta-feira, 24 de julho de 2014, atualizada às 15h

    Estudante juiz-forana conquista prêmio nacional com trabalho sobre mulheres carcerárias

    Vívia Lima
    *Colaboração
    Sintia

    A estudante Sintia Soares (foto ao lado) foi premiada com o trabalho Vidas em jogo: um estudo sobre mulheres envolvidas com o tráfico de drogas, no Concurso de Monografias do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM). O trabalho é o resultado da pesquisa de mestrado concluída em 2014 e teve como base o significativo crescimento da população feminina carcerária no Brasil, principalmente pelo tráfico de entorpecentes. A premiação ocorrerá no 20º Seminário Internacional de Ciências Humanas em São Paulo, entre os dias 26 e 29 de agosto.

    Sintia Soares é mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF/PPGCSO), especialista em Políticas Públicas e graduada em Ciências Sociais pela mesma instituição. Atualmente cursa Doutorado pelo PPGCSO e trabalha como professora de Sociologia na Escola Estadual Delfim Moreira. O Portal ACESSA.com conversou com a estudante para entender como foi a realização dessa pesquisa.

    PA: Como surgiu a ideia dessa pesquisa até a escolha do tema?
    SS: A dissertação foi realizada entre março de 2012 e março de 2014, período no qual cursei o mestrado em Ciências Sociais da UFJF. Trabalhava como agente de segurança penitenciária, e tive a oportunidade de vivenciar o cotidiano da prisão, além de desenvolver uma pesquisa que, além da discussão teórica sobre criminalidade feminina, pudesse trazer elementos relevantes e aprofundar nas histórias de vidas das presidiárias por tráfico de drogas na cidade.

    PA: Qual a metodologia aplicada para a realização do trabalho?
    SS: O trabalho foi feito a partir da "observação participante", aplicação de questionários e entrevistas de profundidade. Eu registrei elementos importantes do dia a dia da prisão. Também fiz uma pesquisa quantitativa, com todas as presidiárias por tráfico de drogas, e pesquisa qualitativa, com dez delas. Dessa forma, foi possível desenvolver hipóteses sobre a participação feminina no tráfico, além do levantamento de questões relevantes sobre a vida da mulher no cárcere.

    PA: Quais as dificuldades apontadas para a realização e conclusão desta pesquisa? Você acredita que elas foram mais amenas já que você trabalhava na penitenciária?

    SS: O cárcere é um ambiente muito duro e as histórias de vida das presidiárias também, mas apesar disso, acredito que o fato de já trabalhar no local e conhecer as entrevistadas previamente foram elementos facilitadores da pesquisa. Além disso, as pessoas foram muito receptivas ao meu trabalho. A estadia na prisão muitas vezes diminui e até anula as individualidades do sujeito. Portanto, a oportunidade de falarem sobre suas vidas, de serem ouvidas, de refletirem sobre sua história foi vista com muito bons olhos pelas mulheres entrevistadas.

    PA: Para a realização desta pesquisa, foram necessário livros para seu embasamento teórico. Você teve dificuldades para encontrar materiais com esta temática?
    SS: Embora o número de trabalhos sobre a população carcerária feminina seja significativamente menor do que aqueles sobre a população carcerária masculina, é possível encontrar ótimos trabalhos sobre o tema, principalmente a partir dos últimos anos, quando o aumento no número de presidiárias vem chamando a atenção.

    PA: Essa premiação no concurso representa o reconhecimento sobre seu trabalho. Como recebeu a notícia? 
    SS: Fiquei bastante honrada pelo fato da pesquisa ter vencido o 18º Concurso de Monografias, uma vez que um dos prêmios é a publicação do trabalho, o que permitirá que ele fique acessível às pessoas que se interessarem pelo tema. Espero que possa contribuir para dar um pouco de voz e visibilidade para um setor tão ignorado em nossa sociedade.

    PA: Como foi a reação das entrevistadas ao saber que seu trabalho foi premiado no concurso?
    SS
    : Ainda não foi possível falar com todas, apenas com as que já terminaram de cumprir suas penas. As que souberam, gostaram da notícia. Meu trabalho é uma tentativa de que as pessoas deixem o preconceito e o estereótipo de lado e possam ouvi-las.

    PA: Você é atualmente aluna do Doutorado na UFJF. Quais são seus planos e expectativas para o futuro? 
    SS: Pretendo realizar o lançamento do livro em Juiz de Fora assim que possível. Além disso, estou cursando o Doutorado em Ciências Sociais pela UFJF, onde pretendo aprofundar os estudos sobre este tema.

    *Vívia Lima é estudante do 7º período de Jornalismo da UFJF

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