Geometria, mecânica e cálculo para as provas de exatas Veja as orientações dos professores de matemática, química e física para os candidatos aos cursos de exatas

Priscila Magalhães
Repórter
25/06/2008

Matemática, física e química são consideradas, por muitos estudantes, as vilãs do vestibular. Não é à toa que os alunos se arrepiam só de pensar em estudar estas disciplinas. Porém, para quem vai prestar vestibular na área de exatas não há como fugir.

O conteúdo é extenso e para não se perder no meio de tantos números e fórmulas, professores de pré-vestibular dão algumas dicas para os candidatos aos cursos de exatas.

Física

Apesar de não ter como prever o futuro, o professor Dadalti (foto abaixo), de física, diz que quem está cursando pré-vestibular deve se atentar ao estudo da mecânica, a matéria básica de toda a física. Dominando este conteúdo, o aluno pode passar aos outros assuntos.

Além da mecânica, outra preocupação deve ser com a parte de eletricidade, muito cobrada no vestibular. Porém, Dadalti diz que o aluno deve começar pela parte conceitual, estudando muito a teoria. "Saber bem os conceitos, vai facilitar na elaboração de exercícios".

Apesar de citar estas partes da física, o professor diz que a disciplina tem sido cobrada em todo o seu conteúdo, dentro do número de questões. "Tem caído tudo", enfatiza. Sobre as maiores dificuldades dos alunos na disciplina ele diz que é melhor dizer quais são as maiores facilidades. "Eles acham a parte de ondas e acústica e de térmica mais fáceis. No resto, a dificuldade é grande".

Foto de Dadalti Para ele, as provas das principais universidades do país têm um nível bom de dificuldade, o que torna a disciplina difícil é a leitura e a matemática, fundamentais para a física. "O brasileiro perdeu o hábito de leitura. A interpretação do problema é importante para o candidato enxergar além das palavras".

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Militar de Engenharia (IME) são as instituições onde a prova de física é mais difícil. Depois, vem a Unicamp, onde o candidato precisa ter mais conhecimento do conteúdo. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem a prova considerada tranqüila pelo professor.

Quem prestar vestibular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai encontrar uma prova bem elaborada, com a cobertura básica de toda a matéria, sem aprofundar. Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o aluno também vai fazer uma prova com conteúdo básico, porém, que exige conhecimento. "Geralmente tem uma questão de conhecimento mais aprofundado e outras de nível médio a alto".

Química

Foto de Keila A professora de química Keila Ferreira (foto) aconselha que os candidatos aos cursos na área de exatas estejam afiados em cálculo estequiométrico, reações e soluções. "Isso sempre cai". A maior dificuldade dos alunos é com a área de físico-química e com as reações orgânicas.

Sobre a última, ela diz que é uma matéria vista somente no terceiro ano e vem com muita informação. Já para a físico-química, ela diz que a dificuldade também está na matemática. "É uma matéria com muita matemática, por isso exige raciocínio. Não adianta decorar".

A dica da professora é estudar muito, tendo como base as provas anteriores de cada universidade. "Só assim é possível entender o perfil de cada banca". O curso de Engenharia de Produção é o mais procurado na área de ciências exatas. "É um mercado em ascensão", explica. "No geral, levando em conta todas as áreas, o curso só perde para a Medicina".

Matemática

O professor de matemática Guilherme Calderano diz que percebe uma diferença muito grande no teor das provas, no nível de dificuldade e no estilo de cobrança das questões. Há alguns anos, a questão trazia um problema, com uma história, exemplificando a situação. Atualmente, a prova está mais coesa, e a banca está "avaliando a matemática pela própria matemática. Encontramos poucos problemas contextualizados", diz. Por isso, a dica de Guilherme é que o aluno estude bastante os conceitos e saiba aplicá-los.

Foto de Guilherme Ele diz que questões de geometria têm caído muito nas provas e aconselha que os candidatos saibam bem esta matéria e também trigonometria. "Estas são duas dificuldades, pois exigem raciocínio abstrato. Nem todos os problemas oferecem dados explícitos". Então, deve-se analisar as figuras e os problemas sem pressa.

"Analisar é bom para que os alunos percebam as diferentes saídas, os métodos mais eficazes, curtos e seguros que podem ser usados". Por ser uma disciplina que surpreende, é importante que os alunos tenham conhecimento prévio. "Não há como fazer uma prova toda por eliminação ou por tentativa é necessário estudar".

O professor cita os exercícios como fundamentais para o aprendizado. "É importante ter a prática de treinamento, assim ele tem a chance de já ter resolvido uma questão parecida. A chance de acerto é maior". Dessa forma, ele aconselha que os candidatos ousem na hora de praticar, resolvendo os mais difíceis.

A UFJF é uma das universidades que tem sido mais coerentes com o programa, avaliando o aluno de forma mais pura, com o conhecimento da matemática, segundo Calderano. Já a Unicamp e a USP ainda apresentam problemas contextualizados, o que "deixa o aluno mais a vontade para ter soluções mais particulares", completa.

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