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    Nota da prova de redação é um diferencial no vestibular O segredo é se manter informado, pois faculdades cobram atualidades, como meio ambiente, violência urbana, doação de órgãos e novas tecnologias

    Priscila Magalhães
    Repórter
    31/07/2008

    A professora de português e redação Aline Gomes se considera rígida com seus alunos e é vista dessa maneira por eles. Isso porque ela incentiva a leitura, exige que eles façam redações, corrige os textos e pede que refaçam tudo em caso de erros.

    Ela não se chateia quando os alunos a chamam de "carrasca". "Cobro a leitura e a escrita. Já percebi que essa cobrança gerou uma incidência muito maior de aprovação. As notas surpreenderam até os próprios alunos", diz a professora.

    Para incentivar a leitura e "castigar" os que não levam as atividades a sério, Aline manda para a biblioteca quem não faz o dever de casa, que, geralmente é a leitura de um texto e uma redação sobre ele. "Coloco de castigo na biblioteca e lá eles ficam lendo revistas com temas atuais", explica.

    O motivo de cobrar tanta leitura está na importância de os candidatos ao vestibular ou ao concurso público precisarem ter conhecimento sobre o que está em evidência na mídia, pois a maioria das redações pede temas da atualidade. Os mais cobrados, nos últimos anos, tem sido os relacionados ao meio ambiente, Amazônia, violência urbana, doação de órgãos e novas tecnologias.

    O que a banca examinadora mais analisa na hora da correção, segundo a professora, a fuga ao tema. Depois, vem a coerência e coesão. "Elas promovem a inter-relação semântica entre os elementos do discurso. É o que chamamos de conectividade textual", explica. Depois, a avaliação gira em torno da gramática e do entendimento sobre o assunto proposto, o que é avaliado a partir dos argumentos expostos.

    Dicas

    Além de praticar a redação e a leitura e se manterem bem informados, os alunos também precisam estar atentos a outros detalhes. A professora Aline, nas salas de aula há quase 18 anos, dá algumas dicas.

    Foto de caderno Alunos costumam criar palavras, na tentativa de modernizar a língua portuguesa e deixar o texto mais bonito. O conselho é não fazer. Outro costume muito comum, segundo Aline, é tomar cuidado com a linguagem usada na internet e no celular. "Abreviações não são aceitas na prova". Assim como essas palavras, as gírias não são termos que podem ser usados no teste de redação. "Eles empobrecem o texto", diz.

    O mesmo ocorre com o uso de frases feitas e clichês. "Nesses casos, mostra que o aluno não tem a capacidade de criar uma frase, naquele momento, de acordo com o tema proposto". O texto de uma redação deve ser claro, simples e objetivo. "Para mim, ser prolixo é encher lingüiça", diz. A lém disso, a prolixidade faz o aluno se perder na idéia central do texto. Palavras antigas, chamadas arcaísmos, e as novas, chamadas neologismos, também devem ser evitadas. No segundo caso, ela explica que nem todo mundo sabe o que já foi incorporado à língua.

    Outra dica é não usar palavras quando não se conhece seu significado. "Uma vez, um aluno escreveu que uma pessoa vivia na luxúria, no sentido de a pessoa viver no luxo. Depois é que aprendeu o verdadeiro significado da palavra", conta. Outra coisa a evitar é o uso de figuras históricas, o que pode levar o estudante a se confundir no tempo. "Tem gente que mistura figuras de épocas diferentes em um mesmo texto".

    O rascunho não existe à toa. Usá-lo pode garantir um melhor rendimento na prova. Ele evita que o aluno fuja ao tema proposto, já que ele vai organizar suas idéias, tendo certeza de que entendeu o tema proposto. Ele também faz com que o candidato evite rasurar e borrar a folha apropriada para entregar a prova.

    Foto de caderno Com relação aos erros, os procedimentos de correção variam de uma faculdade para outra. "Algumas permitem colocar a palavra certa ou a errada entre parênteses e o candidato não perde ponto". A melhor maneira de se sair bem é chamar o fiscal de prova e tirar as dúvidas sobre os procedimentos de correção com ele, além de usar o rascunho e ter atenção na hora de passar a limpo.

    Para ter um bom texto, deve-se evitar repetições. Por isso, a melhor saída é usar os sinônimos e pronomes, o que se consegue com muita leitura. Os parágrafos devem ter mais ou menos o mesmo tamanho e os períodos não devem ser muito longos. Nesse caso, o aluno pode se perder em meio às idéias e errar a pontuação. Entretanto, se os períodos forem muito pequenos, o leitor pode entender que o candidato não tem conhecimento sobre o tema proposto. Ainda sobre os parágrafos, eles não devem ter idéias interrompidas.

    É importante tomar cuidado com a pontuação, acentuação e gramática, porém a preocupação não deve ser excessiva. "Há alunos que acertam a gramática toda, mas escrevem um texto pobre, sem argumento". O tipo de letra usada também deve ser observada. A professora diz que não é aconselhável escrever com letra de forma. "Os alunos não sabem diferenciar as maiúsculas das minúsculas e isso é essencial".

    Tipos de texto

    Foto de Aline O tipo de texto mais cobrados no vestibular é a dissertação, quando há a necessidade de defender uma idéia. Segundo Aline (foto ao lado), ela se divide em dois tipos: a objetiva e a subjetiva. Na primeira, não se faz citação em primeira pessoa. O aluno só argumenta, informando sobre um assunto. Na segunda, apesar de o texto ser mais pessoal, também não se usa a primeira pessoa, como os pronomes 'eu' e 'nós'. "Os pronomes que fazem menção ao autor do texto, como 'mim' podem aparecer", explica.

    Em concursos públicos, um dos textos mais cobrados é a narração, quando o escritor descreve um lugar, situação ou pessoa. Um ponto importante é descrever não somente as características físicas, mas as psicológicas de um personagem. "A narração pede descrição aprofundada. Tudo tem que estar bem exposto". Cuidado também deve-se ter com o texto em prosa. "Prosa não significa usar clichês e a linguagem do cotidiano, com gírias, como pensam os alunos. No texto escrito não se deve usar as palavras usadas na oralidade", alerta. A linguagem também não deve ser rebuscada, mas simples.

    Para o texto narrativo, Aline diz que o mais aconselhável é usar sempre o discurso indireto, pois o direto pede uma pontuação mais complexa, como dois pontos, parágrafo e travessão. "Os alunos se confundem muito com esses sinais. Eles não se dão bem com o diálogo"

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