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    Mercado juizforano precisa de mais maquinistasDemanda é maior que a velocidade com que são formados novos operadores ferroviários em Juiz de Fora. Profissão requer responsabilidade e atenção

    Clecius Campos
    Repórter
    15/9/2009

    "Faltam profissionais capacitados para exercer a função de operador ferroviário em Juiz de Fora." Essa é a constatação de Laura Pontual, gerente de Desenvolvimento de Recursos Humanos da MRS Logística, concessionária que opera e monitora a malha sudeste da Rede Ferroviária Federal. Segundo ela, após 30 anos de quase abandono, a ferrovia parou de formar maquinistas.

    "Com a retomada da atividade no país e na malha sudeste, a busca por profissionais é grande. Para se ter uma ideia, a demanda por maquinistas é muito maior do que a velocidade com que novas turmas são formadas para exercer a função nas cidades ao longo da malha."

    Por esse motivo, a empresa tem assimilado todos os técnicos formados em cursos ministrados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Um exemplo é o maquinista Fernando Germano. Há três anos e meio ele exerce a função, fazendo viagens no trecho entre as cidades de Conselheiro Lafaiete e Barra do Piraí.

    "Sempre tive uma simpatia pela profissão e assim que soube do curso me inscrevi. Pouco depois de formado fui admitido e comecei acompanhando um maquinista durante mais ou menos nove meses. Mais tarde passei a conduzir o trem sozinho." No trecho em que Germano trabalha, a viagem dura cerca de dezesseis horas de ida e volta. Porém, a jornada completa de trabalho varia de 30 a 36 horas.

    "Existe um descanso mínimo obrigatório de dez horas, entre a ida e a volta. O restante do tempo é o período de prontidão, já que os horários de partida não são fixos." Entre uma jornada e outra há um intervalo mínimo de 22 horas e a cada duas jornadas, uma folga de 56 horas. "Ficamos bastante tempo fora de casa e sentimos falta, mas é uma questão de hábito, fácil de ser resolvida a meu ver."

    De acordo com Laura, um maquinista inicia a carreira com salário mensal de R$ 1.035*, além de benefícios e remuneração variável que envolve participação nos lucros da empresa. Ao longo do tempo, o plano de carreira promove os operadores a maquinista pleno e maquinista sênior, com aumento de salário. "Comumente os maquinistas sênior fazem seleção para inspetor de tração e acabam treinando novos profissionais, orientando sobre a condução dos trens."

    Responsabilidade e atenção no controle do trem

    Apesar de ter um objetivo simples, conduzir a locomotiva e as composições da origem até o destino, Germano garante que o trabalho requer responsabilidade e atenção. "A principal diferença entre guiar um carro e um trem é o tamanho. Temos que ter em mente a quantidade de vagões que estamos levando, já que a tração só existe na locomotiva. Por isso, o ato de frear, por exemplo, deve ser pensado com antecedência, já que o trem não vai parar imediatamente. Num trecho de subida, é preciso colocar aceleração antes que a máquina comece a demonstrar algum sinal de que necessita de mais força."

    Para Germano, a principal dificuldade são as viagens noturnas. Ele diz que obstáculos naturais como serração e baixa luminosidade em trechos de mata atrapalham a visão. Além disso, a preparação para trabalhar à noite deve ser feita com mais cuidado. "As viagens noturnas são constantes e mais ou menos alternadas com as diurnas. É algo com o qual temos que conviver."

    Foto de trem Foto de trilhos de trem
    Evolução tecnológica

    O aparato tecnológico nas cabines das locomotivas tem se modernizado ao longo dos anos. Segundo Germano, o controle das máquinas sai de uma fase mecânica para uma fase eletrônica a cada dia. Velocímetros, manômetros digitais e o sistema de freios já apresentam dispositivos eletrônicos. E a evolução tecnológica promete avançar. "Não deve demorar o dia em que os trens serão equipados com computadores de bordo, disponibilizando mapas das ferrovias e a posição exata da composição via GPS."

    Como ser maquinista?

    Para chegar a ser maquinista, o interessado precisa passar por um curso de formação com duração de 18 meses. Nele, o futuro operador ferroviário vai ter contato com conceitos teóricos sobre técnicas em mecânica, elétrica e freios, nos níveis básico e avançado. São ministradas também aulas dirigidas dos mesmos conteúdos em situações reais e virtuais, com uso de simuladores. A empresa concede bolsa de R$ 250* mensais durante todo o curso.

    Para concorrer a uma vaga de curso, o candidato faz uma prova em qualquer cidade por onde passa a malha ferroviária, respeitando seu local de residência. Para participar da seleção, o futuro maquinista precisa ser maior de 18 anos, ter concluído o ensino médio e demonstrar conhecimentos básicos de Windows. As inscrições para a próxima turma de formação estão encerradas. Atualmente, a seleção ocorre em toda malha sudeste e deve escolher 50 operadores para realizar o curso. Segundo Laura, novas turmas são criadas conforme a necessidade da empresa.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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