Alexandre Ank pode abandonar o esporte por falta de incentivo. PJF garante que o apoio requerido pelo atleta está fora da realidade

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Sexta-feira, 24 de abril de 2009, atualizada às 13h30

Alexandre Ank pode abandonar o esporte por falta de incentivo. PJF garante que o apoio requerido pelo atleta está fora da realidade

Guilherme Arêas
Repórter

O mesatenista paraolímpico Alexandre Ank pode abandonar o esporte por falta de apoio financeiro da iniciativa privada e pública de Juiz de Fora. Desde o fim das Paraolimpíadas de Pequim, disputadas em setembro de 2008, o atleta teve cancelado dois acordos financeiros para viagens, gastos com técnico e com despesas de material de treinamento.

Atualmente, o mesatenista conta apenas com o benefício do bolsa-atleta, no valor de R$ 750. O programa do governo federal oferece verbas mensais que variam de R$ 300 a R$ 2.500 para atletas de alto rendimento que não possuem patrocínio. O valor do benefício varia de acordo com o rendimento apresentado pelo esportista. O atleta juizforano calcula que R$ 1.500 mensais seriam suficientes para se manter nos treinamentos. "Hoje, não consigo nem pagar o meu treinador. Quase não tenho treinado com ele", desabafa.

Caso não consiga incentivo para custear os treinamentos e as viagens, Alexandre pode perder a etapa da Copa Brasil, disputada no Rio de Janeiro, entre os próximos dias 14 a 17 de maio. Ank não competiu na primeira etapa, realizada no início do mês, em Natal, justamente pela falta de verba. "Essa é a última chance que eu tenho de me manter entre os melhores do ranking para poder ser convocado para a seletiva do Panamericano da Venezuela, em agosto", explica.

O atleta apresentou um projeto à Secretaria de Esporte e Lazer para receber cerca de R$ 53 mil de ajuda para a disputa de seis a oito competições nacionais e três internacionais ao longo de 2009.

De acordo com o secretário de Esporte, Renato Miranda, o projeto do atleta prevê que a administração municipal custeie inclusive os estudos do atleta, que cursa educação física em uma faculdade particular de Juiz de Fora. O benefício seria inédito na cidade e estaria fora do modelo de apoio oferecido pela Secretaria. Alexandre Ank nega que o projeto contemple o custeio dos estudos. Ele explica que no texto apresentado apenas cita o fato de que cursa o ensino superior.

Os projetos apresentados à Prefeitura Municipal de Juiz de Fora (PJF) são encaminhados ao Departamento de Iniciação, Formação e Rendimento Esportivo e avaliados, seguindo procedimentos internos. Para o secretário, o mesatenista não manteve contato com o órgão para dialogar sobre o conteúdo do projeto. "Os pedidos estão fora do padrão de atendimento para este ano. A Secretaria foi montada em 2009, portanto, não tem orçamento próprio, já que foi votado no final do ano passado", explicou Renato Miranda.

Ele garante que até agora a PJF já custeou passagens de diversos atletas juizforanos para competições internacionais no México e nos Estados Unidos. O secretário avalia como positiva a política de incentivo aos atletas locais.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes