Conservadorismo marca as eleições na Zona da Mata Várias cidades reelegeram seus atuais prefeitos. Segundo especialista, em cidade pequena, eleitor tende a votar por influência da família



Daniele Gruppi
Repórter
06/10/2008

"O conservadorismo marcou as eleições municipais". Esta é a avaliação feita pelo professor de geopolítica Danilo Marcos Teixeira, em relação ao resultado do processo eleitoral 2008 na Zona da Mata.

O professor percorreu várias cidades durante a campanha dos candidatos e constatou que, apesar dos discursos de renovação, em nenhuma proposta de governo constava o que poderia de fato alterar o quadro do município, e o eleitor não votou pela mudança.

Várias cidades reelegeram seus atuais prefeitos, como é o caso de São João Nepomuceno, Guarani, Bicas, Viçosa, Argirita, Muriaé, Lima Duarte, Santos Dumont e Belmiro Braga. Em Rio Novo, o prefeito eleito já esteve no cargo em uma gestão anterior. "Trata-se de uma renovação sem mudança. Não é novidade".

Em muitos desses locais, a disputa entre os candidatos é a mesma que vem acontecendo em outras eleições. "Em Leopoldina, por exemplo, Benedito Rubens Renó René Guedes - eleito em 2008 -, quando não está na disputa, apóia um candidato".

Foto do professor Danilo Segundo Teixeira, o que decide voto em cidade pequena é a notícia na praça. "O candidato não depende tanto do rádio e da eleição como meio de comunicação para difundir suas idéias. O eleitor não diferencia os programas de governo e tende a votar por família, simpatia ou por compra de voto".

Para o especialista, os planos de governo que propõem muita mudança, não penetram na população e o candidato que as lançam acaba perdendo as eleições. Em Astolfo Dutra, Barbacena e Goianá os prefeitos não conseguiram se reeleger. "Neste casos, os políticos ficaram desgastados por alguma atitude ou porque o rival conseguiu investir mais na campanha".

Mulheres no poder

Apenas três municípios elegeram mulheres para chefiar o Executivo. Para Teixeira, as mulheres que estão na política seguem a tradição de família. "Por enquanto, não há ainda identificação das mulheres pela capacidade administrativa, mas pelo segmento de família, a qual pertencem".

Em Barbacena, uma das maiores cidades da região, com 122.377 habitantes e 89.855 eleitores, duas tradicionais famílias da política mineira, os Bias Fortes e os Andradas, se confrontaram mais uma vez, e quem saiu com a vitória foi Danuza Bias Fortes (PMDB), com 42.623 do total de votos válidos.

Em São João Nepomuceno, Edmea Moreira Machado (PSDB) se reelegeu com 7.547 votos. Em Piraúba, a disputa foi entre duas mulheres. Maria Aparecida Roberto Ferreira (PT) venceu Maria das Graças Salgado Xavier (PSDB), com 4.320 votos, contra 3.229.

Força dos partidos políticos

Para Teixeira, mais um retrato de que a política de Minas Gerais é tradicional é o fato do PSDB e o PMDB terem sido os partidos que mais elegeram candidatos na Zona da Mata.

"O PSDB tem a influência do governo estadual. O PMDB é a única legenda que tem diretório em todos os municípios brasileiros". O PT também teve um número expressivo de candidatos que vão assumir o cargo no dia 1º de janeiro de 2009. Teixeira não descarta a influência do governo federal.

"O PT surgiu em vários municípios pelo pequeno sindicalismo. Foi implantado, mas sempre perdia as eleições. Quanto menor a cidade, maior é a influência do governo estadual e federal, sendo que o federal se sobrepõe".

O especialista diz ainda que os líderes da Zona da Mata não deixam nascer novas lideranças. Neste cenário, ele cita Juiz de Fora que, nos últimos 25 anos, elegeu apenas três prefeitos: Tarcísio Delgado, Alberto Bejani e Custódio Mattos. "No momento em que precisa, não há nomes para lançar. O orgulho domina e esta é a grande dívida que os partidos têm com a política da Zona da Mata".


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