LUSAIL, QATAR (FOLHAPRESS) - Diego Vain, 31, foi raro argentino a sorrir nesta terça-feira (22). Ele saiu do estádio de Lusail exultante, a mandar mensagem para familiares que estão na América do Sul. Ele havia conseguido uma foto com seu ídolo Lionel Messi.

O alvo de sua idolatria voltou para a concentração bem menos animado. Não tinha explicações convincentes a dar. A Argentina havia acabado de ser derrotada por 2 a 1, de virada, pela Arábia Saudita. Na teoria, a equipe mais fraca do Grupo C.

Vain ("Diego como Maradona", diz) pediu a foto a Messi quando o atacante estava nos metros finais da zona mista, espaço em que os atletas passam perto dos repórteres e podem ser entrevistados. O capitão da seleção parou por alguns segundos e posou ao lado do jornalista, sem sorrir.

"Amanhã [quarta-feira] é meu aniversário. Este é um grande presente", disse o repórter/torcedor, que sabia do risco de ter a credencial confiscada por ter pedido a foto. Isso não é permitido pelas regras da Fifa.

"Se a tirassem de mim, tudo bem", afirmou. O seu objetivo já estava alcançado.

Se a meta de Vain era uma foto com Messi, a ambição do craque do seu país é bem maior. Ele chegou ao Qatar a sonhar com o título mundial. Afirmou ter essa esperança e confiava na equipe, que estreou na Copa do Mundo com uma sequência de 36 partidas de invencibilidade. O último revés havia sido contra o Brasil, na semifinal da Copa América de 2019.

"É o momento de virar a página e não pensar nisso mais. Temos de pensar em coisas positivas e pensar no México. Sempre dissemos que teríamos de ganhar todas as partidas, e agora é isso mais do que nunca", analisou o camisa 10, referindo-se ao adversário do próximo sábado (26).

Messi lamentou os gols anulados por impedimento. No primeiro tempo, a Argentina teve três. Um deles, anotado por Lautaro Martínez, foi invalidado pelo VAR após ter sido considerado legal inicialmente. O goleiro Emiliano Martínez também se queixou.

Lionel ficou tão perdido que deu uma estranha opinião de que o gol argentino, marcado por ele mesmo em cobrança de pênalti aos dez minutos do primeiro tempo, "aconteceu cedo demais".

"Isso nos confundiu. Não fizemos nosso melhor jogo e não mostramos o desempenho que temos obtido há muito tempo", disse.

Os jornalistas o esperaram por mais de uma hora pela chance de ouvir seus pensamentos. O jogador falou por quatro minutos. Cercado pelo assessor da AFA (Associação de Futebol Argentino) e por um funcionário da Fifa, fez leve expressão de enfado em alguns momentos por ter de repetir respostas que já havia dado. O tom das respostas foi calmo, monocórdio, desprovido de emoção. Como geralmente são as entrevistas de Lionel Messi.

Nem mesmo em uma derrota tão surpreendente como essa, que pode ter efeitos devastadores no sonho mundial da Argentina, ele se enfureceu em público. Preferiu pedir confiança ao torcedor argentino.

"A mensagem é de tranquilidade. Sabemos que a derrota dói, mas temos de seguir confiando. Foi um golpe muito duro porque não achávamos que isso poderia acontecer, mas este grupo sempre se destacou pela união, e é o momento de estarmos mais unidos do que nunca", declarou.

Jornalista do diário El Territorio, publicado na província de Missiones, no sudoeste da Argentina, Diego confia. Tanto que tem uma tatuagem de Messi em uma das panturrilhas. O jogador, capitão e astro da seleção pode ter saído decepcionado. Até um pouco abalado.

Mas fez a alegria de um argentino, que enviou a foto a familiares e amigos com a mensagem: "Olha essa imagem!".