SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Artilheiro do Brasil na partida de estreia na Copa do Qatar, marcando os dois gols do jogo contra a Sérvia, o capixaba Richarlison de Andrade, 25, deixou o país há cinco anos, quando era destaque do Fluminense, rumo à Inglaterra, onde sua carreira cresceu de forma paulatina.

Antes de chegar neste ano ao Tottenham, um dos grandes clubes de Londres e cujo astro é Harry Kane (o capitão da Inglaterra), defendeu o pequeno Watford e o Everton.

Seu bom futebol, mesmo em um clube mediano, renderam convocações, a partir de 2018, para a seleção brasileira. Antes, em 2017, defendeu a equipe sub-20 no Sul-Americano, anotando dois gols.

Nascido em Nova Venécia (ES), Richarlison começou a se destacar no Real Noroeste, da cidade de Água Branca, aos 16 anos. Chamou a atenção do América-MG, que o contratou em 2014. Em 2016, estava no futebol carioca, no Fluminense.

Atacante de 1,84 m que mescla raça, técnica e velocidade, Richarlison joga bem tanto pelos lados do campo (atua assim nos clubes) como centralizado --é o atual centroavante da seleção, vestindo a camisa 9 de quem quase sempre ocupa essa função.

O jogador também é conhecido pelo seu lado político, com posicionamento mais à esquerda, e social.

Em entrevista em 2020, quando servia à seleção brasileira, ele afirmou que "quando tiver uma causa importante eu sempre vou botar a cara, ainda mais jogando na seleção e na Inglaterra. Eu tenho essa visibilidade e sei que as autoridades olharão com carinho".

Quando o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira estavam desaparecidos na Amazônia, Richarlison pronunciou-se nas redes sociais: "Peço às autoridades, por favor, que atuem com urgência e façam todo o possível para encontrarmos Dom Phillips e Bruno Pereira!".

Dom e Bruno, as investigações concluíram depois, foram assassinados no Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

Também em 2020, Richarlison se tornou embaixador do USP Vida, programa voltado para pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse em fazer doações para as pesquisas e ações que a universidade paulista desenvolve no combate à Covid.

No futebol, os principais títulos do atleta são pela seleção, já que no futebol europeu só agora está em uma equipe competitiva.

Ele foi campeão da Copa América de 2019, fazendo, de pênalti, o terceiro gol na decisão contra o Peru (3 a 1), no Maracanã, e conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano passado, quando marcou cinco gols e foi o artilheiro na campanha do bicampeonato.

Richarlison é apelidado de Pombo porque em 2018, em brincadeira com amigos, fez a coreografia da música "Dança do Pombo", de MC Faísca e Perseguidores.

Não se incomodou com o apelido e ainda o perpetuou, comemorando gols mexendo o tórax de modo a imitar o movimento do peito do pássaro, para alegria da garotada.

Richarlison correu risco de perder a Copa do Mundo devido a uma lesão em outubro, na panturrilha, que o afastou dos gramados por três semanas.

Tite confiou na sua recuperação e o incluiu na lista de 26 convocados para ir ao Qatar buscar o hexacampeonato.

"Há algumas semanas, eu estava chorando, na dúvida ainda de vir [para a Copa]. Então, eu acho que valeu todo o esforço da minha recuperação. Deus viu meu esforço, viu o tanto de vontade que eu estava de vir para a Copa do Mundo", declarou Richarlison depois da vitória contra a Sérvia.

Em forma, ele já é um dos goleadores do Mundial e tentará fazer mais gols na segunda-feira (28), quando o Brasil volta a jogar pelo grupo G, diante da Suíça.

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