Atleta de JF treina para correr prova de 100 km

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Atleta de JF treina para correr prova de 100 km

Atleta de JF treina para correr prova de 100 km

Gláucio Monte-Mór vai disputar ultramaratona no dia 27 de abril, em Praia Grande (SP). Prova deve durar cerca de nove horas

Raphael Placido
Repórter
16/3/2013

Se concluir uma maratona, com seus 42,195 km, já é uma tarefa para poucos, imagine correr 100 km, sem parar, em uma prova que chega a durar nove horas. É este desafio que o juiz-forano Gláucio Monte-Mór, professor de educação física, vai encarar no dia 27 de abril, na Ultramaratona de Praia Grande (SP).

Praticante de corrida há oito anos, com maratonas e provas de 50 km no currículo, será a primeira vez que o atleta encara um desafio tão longo, que exige, além da capacidade física, uma grande preparação mental.

A ultramaratona será disputada em uma pista de atletismo. Ao todo, serão 250 voltas de 400 metros. Assim, a monotonia da prova passa a ser mais um desafio ao atleta, que precisa tentar manter um ritmo cadenciado. "É necessário treinar muito a cabeça e saber seu ritmo. Estou me programando para concluir o percurso em nove horas e dez minutos. Mas depende muito do dia, do calor... São vários fatores. Nós corremos com um GPS no pulso, e eu sei que preciso marcar 2'12" a cada volta para atingir meu objetivo. Mas manter a cadência não é fácil", conta.

Outra dificuldade da competição é dividir espaço com os outros corredores. Ano passado, largaram 120, embora apenas 43 tenham concluído o desafio. "No começo é bem difícil. Todo mundo quer ficar na raia de dentro. A cada volta, são sete metros a mais se você correr na raia 2, e 14, na raia 3. O segredo é sair sem afobação. Com o tempo, os atletas vão ficando mais espaçados e começam a surgir os retardatários. Corremos com um chip no tênis, que registra o número de voltas finalizadas. A cada hora, a organização divulga a classificação momentânea, pois é quase impossível saber a sua posição", explica o atleta.

Alimentação é importante antes e durante a prova

Monte-Mór vem se preparando para esta prova desde setembro do ano passado. São, pelo menos, seis sessões de treinos específicos por semana, sendo duas delas realizadas na pista de atletismo. Além disso, ele pratica natação, ciclismo e pilates como treinamento complementar.

No último dia 2, o atleta fez um treinamento na UFJF, onde correu 80 km. "Além de ajudar a adequar o ritmo, o treino serviu para testar a hidratação e suplementação que vou usar no dia. Tudo que vou consumir na corrida deve ser previamente usado nos treinos. A roupa, o tênis, o protetor solar, tudo precisa ser o mesmo", afirma.

Por se tratar de uma prova tão longa e com tanto desgaste, é preciso, durante a corrida, repor as energias, principalmente com carboidratos e sais minerais. Além de bastante água, Monte-Mór vai consumir, durante a prova, gel de carboidratos, purê de batata e isotônicos. Eventualmente, barras de cereais, água de coco e sachê de sais. Para não perder o ritmo, o atleta pretende não parar durante a prova, mas acredita, dada a sua duração, que seja quase inevitável não fazer rápidos pit stops no banheiro.

Exemplo que serve de inspiração

Quem olha para Monte-Mór, imagina que seu biotipo e capacidade atlética sejam inatos. Mas ele faz questão de ressaltar que é uma pessoa comum, com muita força de vontade e dedicação. "Não sou nenhum super-homem. Sou mais normal do que as pessoas imaginam. Eu já tive problemas no coração, já fui fumante e era gordinho na adolescência. Apenas foquei meu estilo de vida para isso. Eu acredito no que faço. E a gente pode muito mais do que imagina", afirma.

Com orgulho, ele conta casos de pessoas que, pessoalmente ou pelas redes sociais, relatam que, muitas vezes, deixariam de fazer alguma atividade física naquele dia, mas, a partir do seu exemplo, deixaram a preguiça de lado. "Eu sou bem chato com essa questão de sedentarismo. Gosto muito de incentivar as pessoas a praticar exercícios. Além disso, durmo bem, não fumo e quase não bebe", explica.

Uma das principais dificuldades de todos os atletas amadores do país é conseguir patrocínio. Monte-Mór, que é funcionário da VidAtiva, conta que a empresa o apoia e forneceu a inscrição. Por meio de alunos e contatos em uma rede social, o atleta conseguiu apoio de algumas empresas da cidade para a prova: Camilo dos Santos, Unipac, Alumac, Cave e Semetra. "Ainda não cobre todos os gastos do treinamento, mas, sem dúvida, ajuda. E tirou muito do que eu gastaria", finaliza.