Entenda o imbróglio judicial das eleições do Tupi  

Matheus Brum Matheus Brum 27/09/2016

Se dentro de campo a situação do clube é tensa, numa briga ferrenha contra o rebaixamento, fora dele, a situação é ainda pior. As eleições para o mandato 2017-2020 se aproxima, e com ele, vários problemas vêm à tona.

De um lado, a atual presidente Myriam Fortuna encabeça a chapa “Sempre Tupi”. Do outro, um dos torcedores símbolo do Galo, João Batista Delvaux, lidera a “Explosão Carijó”. O que era para ser um grande evento democrático em prol do clube, vai ganhando transtornos dramáticos, com a eleição suspensa pela Desembargadora Cláudia Maia, da 14ª Câmara Cível de Juiz de Fora.

A suspensão se deu pelo fato Galo não ter cumprido com o Artigo 43 do Estatuto do clube, que diz na íntegra que “as reuniões Ordinárias e Extraordinárias do Conselho Deliberativo serão convocadas com antecedência de 04 (quatro) dias úteis via edital publicado em um dos jornais da cidade, excluindo termo inicial e computando o termo final”. A referida reunião aconteceu no dia 31 de Agosto, e o Tupi não respeitou o prazo, divulgando o encontro apenas na data que aconteceu.

Para quem não entende a política Carijó, o sistema de votação é o seguinte: cada chapa apresenta 80 nomes que estejam em condições de voto como explicado no Artigo 15. “O direito de votar e ser votado, para quaisquer Poderes do Tupi, de tomar parte da Assembleia Geral e requerer convocação dos Conselhos são privativos dos sócios das categorias Sócio Benemérito, Sócio Grande Patrono, Proprietário e Família, maiores de 18 (dezoito) anos, quites e em dia com todas as obrigações estatutárias (...)”. A chapa vencedora, em maioria simples, é eleita. Os nomes inscritos formam o Conselho Deliberativo, formado por 60 membros efetivos e 20 suplentes, que junto com os Conselheiros Natos, votam de forma indireta no presidente e vice-presidente. Os mais votados assumem a direção do clube pelos próximos três anos.
Antes, porém, da suspensão, os membros da chapa “Sempre Tupi”, entraram com pedido de impugnação da chapa “Explosão Carijó”, aceita pela Comissão de Fiscalização Eleitoral (COFEL), por conta de problemas na apresentação dos sócios que estão compondo a chapa, especificamente na ala dos Conselheiros Natos.

De acordo com o Estatuto do clube, no seu Artigo 35, “são Conselheiros Natos: os Sócios Beneméritos, os Ex-Presidentes e Ex-Vice-Presidentes do Tupi e os Ex-Presidentes e Ex-Vice-Presidentes do Conselho Deliberativo, a partir de Janeiro de 2010. Todos arrolados no artigo 82”.

Na composição da chapa de oposição, há alguns nomes que são Conselheiros Natos. A situação fez o pedido com base no Artigo 34, que diz que “o Conselho Deliberativo será composto pelos Conselheiros Natos, membros previstos no artigo 83, mais 60 (sessenta) Membros Efetivos e 20 (vinte) membros Suplentes, eleitos em Assembleia Geral”.

Contudo, na opinião desse que vos fala, não há nenhum impedimento cabível que impeça Conselheiros Natos de fazerem parte de uma chapa. Antes de tudo, eles são sócios do Tupi.Tirar o direito deles de comporem uma chapa é restringir seus direitos. Não há nenhuma cláusula no Estatuto que os impeça. A impugnação se dá através de uma interpretação totalmente subjetiva do Artigo 34.

Em meio a veraneios me paro pensando em qual o motivo de ativar mecanismos que em nada contribuem para a democracia. Uma votação como essa que estamos prestes a vivenciar, coloca de lado dois projetos distintos para o clube. E isso deveria beneficiar apenas à instituição e seus milhares de torcedores apaixonados.

O que era para ser um grande momento, através do debate de ideias e projetos que visam a crescente do clube, que pode ser muito mais do que é, se transformou em um caso de Justiça.

O Portal ACESSA.com entrou em contato com a assessoria do clube e aguarda posicionamento.

Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

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