12º Festival Internacional
de Música Colonial Brasileira e Música Antiga



Os interessados em assistir aos concertos do 12º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora devem estar atentos para a mudança nos horários e datas, que aconteceu nos dias 27 e 28, sexta e sábado. O encerramento acontece no domingo. Confira a programação.

O evento teve início no dia 14 de julho. Além dos cursos, ministrados por grandes mestres da música colonial e antiga, os concertos, gratuitos, acontecem diariamente. O evento é promovido pelo Centro Cultural Pró-Música.

Confira a programação completa
e as novidades do evento:


O Mestre mundial do violino barroco em Juiz de Fora

A presença do fundador da Orquestra La Petite Bande (em 1972), o belga Sigiswald Kuijken (foto ao lado), é um dos destaques do 12º Festival. A orquestra é uma das mais importantes da Europa e esta é a primeira vez que o mestre do violino barroco vem ao Brasil para dar aulas.

Kuijken participa também de dois concertos, regendo a Orquestra Barroca do Festival. Ele faz parte do grupo seleto de músicos que redescobriu a forma barroca de se tocar violino. Através de pesquisas, chegou-se à conclusão de que a técnica estava correta, mas o estilo vigente na interpretação das músicas estava errado. O Brasil e a América Latina seguem o estilo a partir do trabalho do coordenador artístico do Festival, Luís Otávio Santos, que foi aluno de Sigiswald e faz parte da Orquestra La Petite Bande.

Na foto (divulgação Pró-Música), a Orquestra La Petite Bande, fundada por Sigiswald (sexto da esq. para a dir.). Entre os membros da orquestra, Luís Otávio Santos, Diretor Artístico do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga (último à direita).

Nascido em 1944, na Bélgica, Sigiswald estudou nos conservatórios de Bruges e Bruxelas. Seu contato com a música antiga veio desde jovem, junto ao seu irmão Wieland, e seu grupo Alarius Ensemble, servindo de laboratório para a recuperação de técnicas antigas, como a do violino, em que o instrumento vem a ser apoiado livremente no ombro, sem o apoio do queixo. Esta descoberta influenciou a maioria dos artistas desse período. Várias gerações de especialistas em música antiga foram formados pelo professor, no Conservatório Real de Haia, Holanda.

A frente da "La Petite Bande", Kuijken gravou obras importantes, como Bach, Mozart, Pergolesi, Vivaldi, em uma discografia superior a 100 títulos. Desde então, tem realizado turnês pela Europa, Austrália, América do Sul, China e Japão e gravações para diversos selos, como Deutsche Harmonia Mundi, Seon, Accent e Denon. Em 1986, fundou o Quarteto Kuijken (com François Fernandez, Marleen Thiers e Wieland Kuijken), gravando vários CDs para o selo Denon, com obras de Haydn e Mozart.

Atualmente, o mestre do violino barroco é professor no Conservatório Real de Bruxelas e convidado como conferencista em várias instituições, como o Royal College of London, Universidade de Salamanca e Accademia Chigiana de Siena, Itália.

Da música brasileira, Kuijken admira as composições de Vila Lobos. Sobre os ritmos populares, inclusive sobre o samba, foi contundente: "É provável que eu vá ofender várias pessoas, mas eu realmente não gosto", afirmou, durante entrevista coletiva concedida à imprensa no último dia 18 de julho, no Teatro Pró-Música (foto ao lado). "Acho que a industrialização da música está manipulando as pessoas, em especial os jovens. É o colonialismo. Eu considero estúpida a música fabricada em estúdios."

Orquestra Barroca grava novo CD

Vinte e cinco músicos participaram da gravação do novo CD da Orquestra Barroca do Festival. São profissionais e alunos, além do quarteto vocal formado pela soprano islandesa Ranveig Van Sigurdardottir, pelo tenor Pedro Couri Netto, pelo contratenor Paulo Mestre e pelo barítono Marcos Loureiro de Sá.

A direção artística do projeto é do violinista barroco Luís Otávio Santos, que também escolheu o repertório. No programa está a música antiga (sinfonia da cantata 169, de J.S. Bach, e a "Suíte (overture) em ré maior para orquestra" de G.P. Telemann) e a música colonial (a peça "Missa em mi bemol", de J.J. Emerico Lobo de Mesquita). O repertório será apresentado ao público na abertura do Festival, no dia 14.

Duas trompas naturais vieram da Europa especialmente para a Orquestra. Como existem diferentes "temperamentos", ou seja, afinações, é preciso que os músicos tenham experiência. As técnicas são recuperadas a partir de pesquisas históricas, com base nos tratados e documentos de época. O grupo estuda noções de estilos do período barroco e suas diferentes formas de ornamentação. O trabalho é minucioso, para que a execução fique cada vez mais próxima do passado.

Festivais de Minas realizam intercâmbio

A 12° edição do Festival mais uma vez rompe as fronteiras de Juiz de Fora. A programação cultural foi ampliada, chegando às cidades de Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, São João del Rei, Diamantina, Itabira, Barbacena e Belo Horizonte. Confira a programação completa clicando aqui.

A idealização dos diretores do Centro Cultural Pró-Música, apoiada pelo Secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo, tem o objetivo de promover o intercâmbio entre as cidades e festivais mineiros e divulgar a música antiga e colonial brasileira.

Em outubro de 2000, os organizadores dos principais eventos culturais do estado se reuniram no 1° Fórum dos Festivais Mineiros, um evento ainda não instuticionalizado, e resolveram concentrar a programação dos festivais de inverno.

Na reunião de 2001, os organizadores de festivais pretendem buscar a estruturação definitiva do encontro, eleger uma diretoria provisória e discutir maneiras para que o intercâmbio entre os festivais não se restrinja apenas aos eventos musicais de inverno, mas se estenda à mostras de cinema, teatro e multimídia.

Prêmio por preservar patrimônio cultural

Em dezembro de 2000, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, do Ministério da Cultura, concedeu ao Festival o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. A premiação, que acontece anualmente, destaca ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Tais ações têm sido concretizadas através do Festival Internacional há 12 anos. Dentre as atividades realizadas estão a divulgação e preservação da música colonial brasileira, a realização de encontros de Musicologia Histórica, a gravação de Cds, a restauração de partituras e instrumentos musicais e a edição de livros.

Pró-Música comemora 30 anos em 2001

Formar músicos, promover concertos, realizar concursos e festivais são os objetivos do Centro Cultural Pró-Música, que completa 30 anos de fundação em 2001. A entidade civil é dirigida por Maria Isabel de Sousa Santos, Júlio César de Sousa Santos e Hermínio de Sousa Santos.

Dentre os eventos de maior destaque, além do Festival Internacional de Música, que acontece anualmente, a instituição realiza, a cada dois anos, o Concurso Nacional de Cordas e Piano e, mensalmente, os concertos. Os sócios, que têm uma mensalidade de R$8, podem assistir aos concertos do mês gratuitamente, com um acompanhante.

O Pró-Música criou e mantém também diversos grupos musicais. São eles a Orquestra de Câmara Pró-Música, o Coral Pró-Música, a Sinfônica Jovem, a Orquestra Escola, o Conjunto Pró-Musica Colonial Brasileira, os Solistas de Câmara e a Orquestra de Jazz Pró-Música.

Os espetáculos de música erudita, popular, teatro e dança fazem parte do calendário mensal do Teatro Pró-Música, que fica na Av. Rio Branco, 2329. Na Galeria Renato de Almeida, acontecem exposições mensais, pelo projeto "A arte em suas mãos" - uma parceira entre a entidade e o Escritório de Artes Eny Sarmento.

Escola sai do Centro e vai para São Mateus

Já está funcionando a nova Escola de Artes Pró-Música, na rua Coronel Pacheco, 28, esquina com a rua São Mateus, no bairro São Mateus. A escola funcionava, há 13 anos, na rua Espírito Santo, no Centro de Juiz de Fora. Agora, estão disponíveis 32 salas, algumas com tratamento acústico, auditório e área de convivência para alunos e professores. Cerca de 1.500 alunos estão matriculados nos cursos atualmente.

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