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Sua carreira:
O desafio do profissional de RH

14/09/2001

Vamos acompanhar a evolução da gestão de recursos humanos a partir da década de 70, pois não há antes disto um estudo muito acurado e específico nesta área que aparecia apenas como um apêndice administrativo. Podemos afirmar que neste período a área funcionava como um apêndice do departamento de pessoal. Ao profissional de RH era apenas designada a função de recrutamento, seleção, gerenciamento de benefícios muitos dos quais apenas voltados à previdência social.

Durante a década de 80 uma pequena evolução ocorreu, passando os profissionais de RH a atuarem como consultoria interna. Entretanto sua presença era coordenadora apenas da manutenção do “status quo” e da cultura organizacional. Instalados em confortáveis e amplas salas sua performance era baseada por medidas punitivas e a reprodução dos modelos autoritários de gestão ainda medievais. Eram poucas as empresas com ares democráticos em suas gestões de recursos humanos. Não havia um contato direto com todas as áreas e muito menos circulavam por toda a empresa.

Na década de 90 pontearam as tendências das Gestões para a qualidade e desta forma o setor de recursos humanos ganha um novo foco. Infelizmente, como os equívocos de modelos importados assolaram nossas organizações. Um exemplo é a reengenharia que fez do RH o vilão de uma série de demissões e contratações fomentadas pela modernização de processos.

O treinamento é apenas voltado para os problemas ocorridos e para a correção de não conformidades. Esta tendência começa a mudar no final da década com a falência de uma série destes modelos importados e muito mal adaptados a nossa realidade.

Assim, começamos o século XXI com um novo modelo de recursos humanos: o ambiente globalizado e competitivo precisa de profissionais alinhados com o futuro. Estamos vivendo a Era da Gestão de Competência.

Cabe ao setor de RH gerar projetos preventivos e não corretivos. A pró–ação em lugar da reação como anteriormente, o treinamento traz a visão do futuro e prepara os talentos para as expectativas do porvir e as demandas do mercado futuro, além do desenvolvimento das habilidades.

A atuação do RH denota que, além do desenvolvimento tecnológico, há que se desenvolver os talentos humanos. O desenvolvimento do capital humano muda o enfoque das organizações. O seres humanos deixam de ser custos e passam a ser investimentos e uma peça fundamental para quaisquer programas de Qualidade. Os procedimentos da qualidade inexistem se não tivermos o foco também na qualidade de vida dos seres humanos nas empresas. O treinamento, o desenvolvimento, a saúde, as relações de trabalho estão estreitamente ligados ao compromisso social com a empresa e sua interdependência com a comunidade onde está inserida.

Cabe aos profissionais de RH difundirem a filosofia da qualidade como uma cultura das organizações. Difundir a cultura de que a responsabilidade do desenvolvimento dos talentos não são prerrogativas apenas de um setor é compromisso de toda a empresa. Sai o conceito de mão-de-obra e entra o conceito do “cérebro de obra”. Entramos na era do profissional do conhecimento. Podemos dizer, em síntese, que hoje a área de Recursos Humanos está centrada em:

  • Dignificar o ser humano
  • Tornar o RH estratégico transformando-o num setor com direcionamento e metas
  • Focalizar a sinergia – é fundamental o desenvolvimento do espírito de corpo
  • Preparar o futuro – enxergar além do muro, mudar paradigmas
  • Promover a felicidade e a satisfação no ambiente de trabalho - a motivação é fundamental para a qualidade de vida da empresa
  • Enriquecer continuamente o capital humano - treinamento e desenvolvimento para a busca da excelência.
  • Dignificar e elevar o trabalho - mudar o paradigma e o conceito de que o trabalho é um fardo
  • Mudar e inovar incessantemente - ser o gestor pró ativo das mudanças.
  • Compartilhar a administração – delegar e descentralizar.
  • Fortalecer a unidade na diversidade – valorizar as diferenças para o estabelecimento da produtividade, combatendo arduamente quaisquer manifestações preconceituosas e radicais.

Finalmente, estamos diante do momento em que o coaching deve ser valorizado. É o líder que acompanha seu grupo, não é acompanhado por ele. É ele que valoriza as diferenças e que faz de sua equipe um grupo feliz e com qualidade de vida nas relações com o trabalho, sua empresa e a comunidade onde está inserido.. Pois como diz o filósofo Persa Bahá’ú lláh: a Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos . Somente quando começarmos a disseminar o conceito de visão compartilhada e de direitos humanos poderemos estar contribuindo, e muito, para evitarmos tragédias como as que assolaram e espantaram o mundo no dia 11 de setembro nos Estados Unidos. No mundo das organizações como no mundo inteiro não há mais lugar para sectarismo, fanatismo e preconceitos nefastos ao progresso da civilização.


Vera Lúcia Ciuffo é psicóloga, analista de recursos humanos, especialista em Treinamento de desenvolvimento de pessoal. Saiba mais clicando aqui.


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