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Benedito Nunes, o leitor precioso

Lúcio Flávio Pinto - Março 2011
 

Eu próprio me surpreendi — e me emocionei muito — quando recebi a longa resposta que Benedito Nunes me mandou em resposta ao questionário que lhe submeti, em 1991. Parecia que ele esperava por uma simples provocação, como a que lhe fiz, para abrir seu coração, sua alma e sua cabeça numa confissão e numa rememoração sobre sua fecunda relação com os livros.

Uma relação que começou quando ele ainda era menino de calças curtas. O livro preencheu a ausência dos pais, que morreram muito cedo. A ligação com sua família desaparecida foi através dos livros da biblioteca do pai. Benedito não só aprendeu com eles. Os livros se tornaram parte da sua vida, um elemento orgânico, um componente natural do seu ser, companhia plena.

Benedito leu como poucos. Como raros, dialogou com o conhecimento contido nos livros que leu, assimilados como elemento vivo e permanente da sua personalidade. Só assim se justificava saber tanto, lembrar tanto, fazer referências exatas, profundas e numerosas sem parecer um rançoso erudito. Quando falava sobre o conhecimento, seus olhos ficavam ainda menores, mas brilhavam intensamente, faiscavam de prazer.

Era a expressão da sua curiosidade sempre insatisfeita e do dom sublime que ele tinha, de querer partilhar o que sabia, estimular aptidões, cultivar talentos, desenvolver qualidades — sempre nos outros, mais do que nele mesmo, que era auto-suficiente (e por isso foi sempre autodidata).

Uma simples conversa com Benedito já marcava e transformava. Quando o interlocutor exibia dotes de criador, ele se realizava na tarefa de tornar conscientes esses dons, ajudando o criador a manejar melhor suas próprias virtudes. Era assim que Benedito exercia a condição de professor, de mestre. E também de co-autor. Em quantos textos assinados por outros havia o seu toque mágico, ao mesmo tempo exato e simples, coadjuvante de uns, recriador de outros. Um verdadeiro homo faber poundiano.

Um sábio, disse-o a certo intelectual muito próximo de Benedito, que não concordou com a minha classificação. Eu exagerava, protestou, embora admirasse Benedito. A expressão costuma ser usada sem critério, à toa. Mas não é excessiva no caso de Benedito.

Sua maior sabedoria, a de um verdadeiro sábio, ainda que conforme um modelo já fora de moda, no nosso mundo de especializações e segmentações, estava em colocar seus interlocutores diante de referenciais rigorosos e bem definidos, nos quais eles podiam se espelhar, mas numa versão melhorada pelo aprimoramento, pela crítica que amolda através do exercício da escultura intelectual, ora agregando valores ora excluindo-os.

Sem ser um verdadeiro artista (seu rigor logo lhe vedou o acesso à poesia, que praticou muito rapidamente — e sem qualquer perícia), formou artistas, sobretudo poetas, o que, no fundo, era o que Bené foi por outras vias, embora desejasse realizar essa vocação em versos.

Em alguns dos seus livros, é perceptível essa capacidade de manejar a sonoridade das palavras, sem prejuízo — muito pelo contrário — do seu significado rigoroso, mas também sem os vincos da cientificidade, do formalismo acadêmico. Ao vagar no puro pensamento ou referido a alguma fonte, ele levava ao extremo o prazer de pensar, de especular, de indagar.

O que o distinguia da maioria dos filósofos era que, sendo essencialmente um pensador, Benedito se espalhava pela literatura, a estética, a história e as coisas triviais da vida. O brilho de curiosidade e atenção nos seus olhos não mirava apenas as ciências: tinha um foco sensível sobre todas as coisas humanas, incluindo as de domínio popular, como a música ou a televisão. Sem excluir os faits-divers que alimentam a boa fofoca, os divertidos detalhes e divertissements. O mundanismo feito por pessoas de carne e osso, como ele. A história das estruturas de par com misérias e grandezas humanas, como as que um Simon Schama captou no dia a dia da gloriosa (e feroz) revolução francesa. Partilhar uma refeição com Benedito era experimentar a elevação de uma ceia da carne e do espírito. Como se comia! E como se falava! Nada mais platônico e socrático. A torre de livros se harmonizava com os jardins da rua da Estrela.

Nos últimos anos poucas vezes fui até lá. As misérias do subdesenvolvimento e da condição colonial da nossa terra me mantiveram atado aos caprichos e malignidades de medíocres potentados paroquiais. Meu mundo passou a ser de engrenagens jurídicas, que, se me amarguram a vida, me fazem buscar sua superação naqueles que inspiram o mais-além, como Franz Kafka, um pé na tragédia e outro na comicidade. Sem o humor, como resistir se há-de (às batatas o léxico da Academia Brasílica-Portucalense)?

Meu primeiro contato pessoal com Benedito foi em 1972: uma entrevista sobre o cinquentenário da Semana de Arte Moderna de São Paulo. Precedida por uma provocação a que ele não respondeu. Usando como plataforma conversa gravada com o arquiteto Paulo Chaves Fernandes para o suplemento “Bandeira 3”, de A Província do Pará, questionei o filósofo que não se envolve com o seu tempo local, sua terra. Clamava por uma manifestação de Benedito sobre os insensatos “projetos de impacto” do governo militar na Amazônia.

O filósofo se manifestou pouco sobre esses temas. Jovem impetuoso, eu tentava uma comparação de pé quebrado com Heidegger e o nazismo. Benedito não era Heidegger e a ditadura militar não chegou ao totalitarismo hitlerista. Havia uma fumaça de paralelos, mas nosso Bené não estava isolado em sua torre de papéis impressos nem coonestava as violações aos direitos do cidadão.

Sua repulsa era modulada pelo seu jeito de ser e pelas exigências do seu ofício e mister daquele entre nosostros que foi mais além do que todos os demais. O resto foi uma pedra no meio do caminho. Nela tropeçamos nós, os seres de vôo mais rasteiro, como jornalistas em luta com suas circunstâncias rasteiras e mesquinhas da dominação exercida por lideranças nefastas, pigmeus num tempo a clamar por gigantes.

Quando Hélio Gueiros, três meses depois de ter deixado o governo do Pará, em 1991, me enviou aquela terrível carta pornográfica, Benedito foi uma das oito pessoas a quem consultei para decidir o que fazer com aquele lixo. Bené leu a primeira e escatológica linha e me devolveu o papelucho com um “me poupa”. Foi um parecer eloqüente, de um verdadeiro pensador. Entendi onde Benedito estava. E em que mundo eu me conduzia. 

Ativo, inquieto e insatisfeito, Benedito Nunes criou e produziu até o fim dos seus 82 anos. Foi tão cativante que o tempo lhe concedeu o privilégio de ser reconhecido pelos contemporâneos, receber as homenagens devidas e preparar um sucessor, Victor Sales Pinheiro, que está lhe reeditando a obra com o sopro de uma nova geração, mais exigente e também mais satisfeita com o legado. Benedito avançou o máximo antes de passar o bastão. Sua mente prosseguia a plenos pulmões, como no verso de Maiakovski, quando a doença o mandou para o hospital, tão distante de suas preocupações e rotinas, e daí para a dimensão dos sonhos, da razão, da saudade e da memória cativa.

Decidi reproduzir a entrevista de 20 anos atrás a pedido de Mauro Ó de Almeida. Ele foi um dos felizardos que recebeu a separata da entrevista, publicada originalmente em A Província do Pará. Tive a idéia de sugerir à direção da Universidade Federal do Pará que a publicasse em folheto e o distribuísse aos calouros que estavam chegando e a quem mais estivesse na órbita (Mauro foi um deles, mas emprestou o seu exemplar e nunca mais o recebeu de volta).

Foi o mais brilhante convite a entrar no mundo dos livros e, por eles, ao melhor acervo da criação humana. É um guia das luzes que nos presenteia um dos mais iluminados dentre os brasileiros destes tempos de tons cinza sobre a inteligência. Meu irmão, Elias Pinto, publicou parte da entrevista em sua página dominical no Diário do Pará. A versão integral é reproduzida a seguir.

Obrigado, Benedito.

O roteiro dos livros de um sábio paraense

Os livros continuam sendo uma forma indispensável de conhecimento, ainda a melhor. É uma fonte de prazeres insuspeitados pelos que, nariz empinado e desdém ensaiado, desprezam-nos, em referência aos ícones do futuro, os aparelhos eletrônicos de armazenamento de informações. Numa de suas muitas pesquisas, Bruno Bettelheim notou crianças que reconstituíam as histórias de livros infantis por suas belas ilustrações. O enredo estava substancialmente ali, mas não o prazer do texto, a voragem da narrativa, o mistério da história. A visualização, nesses casos, é um complemento — fundamental, é claro, mas complemento. Quem lê viaja, recria, revoluciona — e quem não lê mal fala, mal ouve, mal vê, como insiste a propaganda inconvincente dos livreiros.

Os jovens são os menos convencidos, os mais inconvencidos, para emprestar uma expressão que Lewis Carroll assinaria, o Carroll da muito vista Alice no país das maravilhas, em tela cinematográfica, raramente lida no texto deslumbrante. Mais do que os jovens em geral, os que chegam agora à Universidade, vitoriosos nesse decatlo chamado de vestibular, têm seus motivos para desconfiar dos in folios. Foram treinados para o reflexo condicionado do xis, das quadrículas em branco, da resposta por impulso elétrico, não por reflexão, não pela ruminância do pensar, que faz as delícias de quem pensa. Livro, além de dar cultura, dá prazer, um prazer tão deslocado desses fanzines modernos que faz, de quem é capaz de apreciá-lo, membro de uma confraria secreta. Os que gostam de livros de verdade, entretanto, não querem ser únicos. Querem é alargar as fronteiras desse prazer pessoal, estendê-lo ao maior número possível de pessoas.

Eis a razão deste pequeno livro que a Universidade Federal do Pará aceitou editar. Será fácil de ler, mas quem lê-lo talvez tenha uma sensação semelhante à que tive quando, depois de ter passado pelo Nome da Rosa, li o diário mínimo que Umberto Eco, escreveu à margem do romance medieval. O menor era o melhor, contingência compulsória para os que não querem ser apenas “mais um”.

Benedito Nunes dá aos calouros que chegam à Universidade a possibilidade, por essa apurada seleção de livros, de se tornarem acadêmicos sem segundos sentidos, depreciativos. Teoricamente, ao campus protegido pelo muro universitário chegaram os melhores. Na realidade, na relação com este inventário de leituras é que será medida a qualidade desse título. Títulos é fácil ganhar, ou comprar. Conquistar é outra coisa.

O que Benedito Nunes pretendeu, ao responder ao questionário que lhe fiz, foi prevenir-nos contra o triste fim profetizado por Ray Bradbury para uma sociedade sem livros, inculta e feia, triste e vazia. Quem receber este livrinho precioso poderá, ao sair da Universidade, medir seu grau de civilidade, no melhor e imorredouro significado que os greco-romanos lhe deram, pelos livros desta seleção que tiveram lido, não como se tivessem baixado um taxímetro sobre sua mente, mas como se a elevassem ao nível realmente humano da nossa vida: o da dúvida que questiona e da busca que responde.

Alguns sábios foram sábios sem terem lido muitos livros, como Kant, cuja biblioteca abrigava apenas uns 300 exemplares, pequena mesmo para os padrões da época. Mas leram para valer e não como atletas de orelhas de livro, espécime de larga difusão no mercado. Benedito José Viana da Costa Nunes, o Bené da Rua Estrela, é desses sábios que leram muito e lêem bem. Talvez nenhum paraense tenha lido tanto quanto ele, não para guardar para si o que aprendeu. Na acolhedora casa que abriga Bené, Maria Silvia, Angelita, um beagle que já teve seu retrato publicado no prestigioso Jornal do Brasil, e gatos variados, sempre há um lugar para um amigo não anunciado que, bem acomodado, em algumas dezenas de minutos aprenderá mais com a prosa endiabrada do Bené, os comentários apropriados de Maria Silvia e as pontuações refinadas de Angelita do que em anos em bancos escolares. Bené sabe porque sabe. Não precisa demonstrar, nem esbanjar. É um sábio de quilometragem in folios insuperável. Cabe-lhe um título que tem se desgastado na aplicação sem mérito: é mestre.

O depoimento que Benedito Nunes me deu, provocado por um rústico questionário, é a melhor bibliografia que um jornal brasileiro provavelmente já publicou. Deveria sair no “Bandeira 3”, abrindo uma série que ficou apenas na protofonia porque o jornal morreu no número zero, antes de chegar ao número um. Mas sai em A Província do Pará, engrandecendo o jornal e despejando sobre cada um de nós réstias de luz geradas na central de conhecimentos que Bené carrega na cabeça, democraticamente acessível aos que querem saber mais. A nostalgia do mestre que ele diz ter, autodidata confesso, nós não temos. Afinal, Benedito Nunes é nosso grande mestre.

A desenvoltura de Benedito na análise da filosofia do alemão Heidegger transfere-se para a prosa poética de Guimarães Rosa e se estende à música, erudita ou popular, sem perder em profundidade e graça, características que geralmente se excluem nos intelectuais brasileiros, às vezes sérios, mas cacetes, enfadonhos. Bené cresceu entre livros, que lhe ficaram como o diálogo que nunca teve com o pai, falecido muito cedo. O livro é o seu paraíso e por isso não precisa de fichas para lembrar o que o acompanha, um catálogo na memória. É um privilégio tê-lo a mão numa cidade que cresceu fechando livrarias e abrindo locadoras de vídeos, forma mais sofisticada e inodora de cumprir a gélida profecia de Ray Bradbury no Farenheit 451. Se depender de Benedito Nunes, sábio, o melhor de todos nós, esta será sempre apenas uma ameaça.

Qual o primeiro livro que se lembra de ter lido?

Dizem que aprendi a ler com quatro anos de idade. Mas com certeza minha primeira leitura deu-se um pouco mais tarde. O livro foi-me presenteado por um mendigo já idoso, barba branca, que às quartas-feiras, pela manhã, vinha buscar sua esmola certa que lhe proporcionavam minhas tias. Achavam-no parecido com a tradicional imagem de São José Carpinteiro, reverenciado no oratório da catolicíssima família. Nesse dia, depois de sentar-se na escada de madeira no vestíbulo da casa, como costumava fazer, o velho retirou de sua tosca sacola um pequeno livro, capa dura, de cor esverdeada, visivelmente restaurado, conforme denunciava a tira de pano grudada à lombada: A Caçada da Onça, de Monteiro Lobato. Era para o menino da casa. Mas só pude folhear o volume após o tratamento profilático a álcool a que o submeteram as tias prudentes, receosas dos possíveis germes escondidos entre as páginas. Lembro-me ainda da gravura central sobre duas dessas páginas abertas: os heróicos caçadores do sítio do Pica Pau Amarelo, Pedrinho à frente, rebocando a onça já morta.

Qual o primeiro livro que lhe causou grande impacto?

O primeiro de impacto, que me precipitou num mundo estranho de nomes ressoando diferentemente dos comuns, de seres extraordinários, de imagens mentais pregnantes, duradouras, foi a Odisséia de Homero, publicado pela Atena Editora de São Paulo, em tradução de meu tio, Carlos Alberto Nunes, num metro longo, inabitual, para imitar o ritmo do original grego.

Os primeiros livros que você leu eram de biblioteca da família? Era boa?

Esse tio, fixado em São Paulo, que muito mais tarde traduziria Shakespeare, Goethe, Platão e Virgílio para o português, mandava-me muitos livros, quase todos de presente: Poesias Completas de Gonçalves Dias (2 vols., Ed. Garnier), David Balfour, de Robert Louis Stevenson, Os Irmãos Karmazov e Os Possessos, de Dostoievski, Teatro de Lope de Veja, Os Diálogos do Limbo, de Santayana, e tantos outros, que vieram chegando, ano após ano, por via marítima, em pacotes do Correio — dos pequenos volumes de Nietzsche da coleção Tor, em espanhol, como Genealogia da Moral, O Crepúsculo dos Ídolos, O Anti-Cristo, até o encadernados de certo porte, Guide to Philosophy, de Joad, O Retorno do Nativo, de Thomas Hardy. Mas os primeiros livros, antes desses, e excetuando Os Argonautas, de Gustav Schwab, que me mandou um irmão de duas amigas de minhas tias, o Prof. Francisco Paulo do Nascimento Mendes, eram da estante de casa, alta, de madeira amarela envernizada, cinco prateleiras, com discretos ornamentos florais gravados, e um gavetão na parte inferior. Pertencera a meu pai, que não conheci. Estava abarrotada de Machado de Assis, José de Alencar, Eça de Queiroz, Shakespeare em volumes portugueses avulsos da Lelo, capa de pano com a efígie do dramaturgo, Monteiro Lobato para adultos, Urupês inclusive, Joaquim Nabuco (Minha Formação), Oliveira Viana (Evolução do Povo Brasileiro, Populações Meridionais do Brasil), Lima Barreto quase integral; Taunay, Afrânio Peixoto (o romance Fruta do Mato), Dante (A Divina Comédia, em tradução do Barão de Vila da Barca) e de outros autores prestigiosos na década de 20, quando foram comprados, como Assis Cintra, Oliveira Lima, Antônio Torres, Mário Pinto Serva e Alberto Torres.

Criei-me à sombra dessa estante, seção belenense da biblioteca de família; a outra, que a completava, era de meu tio, em São Paulo.

Alguém orientou-o nas primeiras leituras? Que orientação lhe deu?

Tive e não tive um primeiro orientador. Os livros da estante amarela eram, de qualquer modo, a materialização simbólica da voz paterna suprimida pela morte, que não lhe suprimiu a presença. Ou, se quiserem, a autoridade, para o filho póstumo que fui. Vista a questão desse ângulo, a primeira orientação veio do pai, louvado seja Freud. Mas como os livros estavam ali à minha escolha, gradualmente vencida a resistência materna (havia-os “fortes”, perigosos, anticlericais, etc.), e como jamais me veio dele, do pai, qualquer indicação expressa em sentido contrário, a orientação se fez ao acaso, em parte devido à minha curiosidade, talvez estimulada por aquela resistência, em parte porque, filho único, menino solitário, descobri na leitura o meio de me divertir sozinho. Autodidata nato, sempre fui nostálgico de um mestre. Depois da professora primária, minha tia, tive muitos mestres, sem, até hoje, fixar-me em nenhum. Mas isso é matéria para outra história.

Quero apenas acrescentar que na época de formação, da infância para a juventude, os meus sucessivos mestres também foram amigos, quase sempre muito mais velhos do que eu: Augusto Serra, fundador do Colégio Moderno onde fiz o Ginásio, homem de superior cultura literária e matemática, que me franqueou a Biblioteca do estabelecimento, da qual me veio a revelação dos clássicos franceses e ingleses (Molière, Racine, Corneille, la Bruyère, La Rochefoucauld, Swift, Walter Scott); meu primo Ribamar de Moura, inteligência pura e nobre caráter, a quem devo o empurrão definitivo para a Filosofia (ele repartia com os dois irmãos, Silvio e Levy Hall de Moura, a propriedade da Crítica da Razão Pura, de Kant, e de O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer em francês, belos volumes encadernados que freqüentei assiduamente); Cécil Meira, a quem devo o empréstimo de uma versão resumida do Wilhelm Meister, de Goethe, e Orlando Bitar (deu-me, antes das Obras Completas de Virgílio, uma Eneida traduzida em prosa para o português, que ainda tenho esperança de recuperar das mãos arrependidas daquele que indevidamente a retém). Como esquecer a gravura de Jean Valjean ajudando a pequena Cossete a carregar um balde d'água que parecia bem maior do que ela, na mágica edição gigante ilustrada de Les Miserables, de Victor Hugo, que Orlando Bitar, meu professor de latim, no Moderno, não hesitou em confiar aos meus quatorze anos de calças curtas?

Cedo entrei, assim, no circuito bibliográfico infinito, o único verdadeiro moto perpétuo que conheço. Pela leitura de um só livro, pode-se chegar a todos os outros, com tempo e disposição. Quase sempre, os amigos ajudando, obtive, na hora certa, aqueles de que precisava, movido por uma espécie de “faro” ou de “senso frontal”, até hoje em pleno funcionamento. Ainda nos tempos do Moderno, socorreu-me Anunciada Chaves, na lista dos mestres-amigos, com o seu suntuoso Daudet (Tartarin de Tarascon) e com alguns volumes de Molière, capa vermelha de pano, cheirando a naftalina, letras douradas na lombada. Artur César Ferreira Reis, meu professor de História das Américas, que deslumbrou nossa turma falando-nos dos aztecas, emprestou-me Casa Grande & Senzala. Aos 19 anos, recebi de Paulo Mendes, o Chico Mendes, uma avultada provisão de Goethe, Kierkegaard, Rilke, Kafka, Sartre, Paul-Louis Landsberg, que alentou o sopro do primeiro longo ensaio que escrevi, “A Morte de Ivan Ilitch”, publicado no Suplemento Literário da Folha do Norte, fundado e dirigido por Haroldo Maranhão. Antes, muito antes disso, já se me abrira a grande mina da biblioteca de Haroldo, que crescia nos altos da Folha, acima do lugar onde ficava a do velho Maranhão. Entre nós travara-se uma singular relação de amizade: éramos dois viciados em literatura, que às vezes liam os mesmos livros, e que se exercitavam, ele aos 14 e eu aos 13, imitando A Barca de Gleire, de Lobato e Godofredo Rangel, nos labores da epistolografia: escrevíamos cartas em que resumíamos, um para o outro, as obras lidas durante a semana.

Com quantos anos você comprou o seu primeiro livro? Qual era?

Como os livros minassem ao meu redor, somente aos 14 anos, por incontinência de apetite, comecei a comprar, com o parco dinheiro fornecido pelas tias, a obras custosas da Editora Vecchi, exibida nos balcões da atulhada e simpática Livraria Vitória, de propriedade do Raimundo Saraiva de Freitas, distribuidor de romances em fascículos, última aparição dos Folhetins para assinaturas. Ainda guardo as duas primeiras compras: Chamfort, Caracteres e Anedotas; Benjamin Franklin, Breviário do Homem de Bem, vols. 7 e 8 da Coleção de pequeno formato Os Grandes Pensadores.

De seus livros escolares, qual o que marcou ou dele você ainda se lembra?

Dos livros escolares retive na memória a forma e a cor das capas, algumas gravuras e certas frases, principalmente aquelas da Lição de coisas, de Felix Pedro Pantoja, que era a quinta-essência da Física de Aristóteles diluída em catecismo (“Qual a diferença entre objeto natural e objeto artificial? O objeto natural é feito pela mão de Deus, o objeto artificial é feito pela mão de Deus, o objeto artificial é feito pela mão do homem”). O mesmo método do Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã, que estudava às quintas-feiras, de tarde, na Igreja da Santíssima Trindade (“Sois Cristão? Sim, sou Cristão. Fazei o sinal da Cruz. Que é ser Cristão?” etc., etc.). Para mim, os melhores livros sempre foram os extra-escolares. Nos anos de instrução religiosa, também rezava pelo catecismo de Dona Benta, porta-voz do pensamento liberal, céptico, altamente político, no sentido da afirmação de uma consciência pública de caráter ético, de Monteiro Lobato: História do Mundo para Crianças, Dom Quixote de La Mancha, Robinson Crusoé, Robin Hood. Dom Quixote trazia gravuras de Gustave Doré. Só algumas cenas dos filmes Kurosawa me trouxeram cenas tão comoventes quanto a da imagem de Sancho Pança que, rosto contra focinho, chora, abraçado, num gesto de despedida, ao burro que vai abandonar.

Quantos livros tem atualmente na sua biblioteca? Qual é o “forte“ dela? Quais os livros mais valiosos nela existente? Quanto tempo levou para formá-la? Como ela funciona? É aberta à consulta? Quem cuida dela?

Não posso precisar-lhe quantos livros tenho. O último catálogo que tentei organizar data de meus vinte anos. Convencido de que era uma prática sorvedoura de tempo, deixei, desde então, de contabilizar minha biblioteca. Trato dela sozinho, seu forte é Filosofia e Literatura quase em partes iguais. Só uma concessão à burocracia: procuro manter, a duras penas, um registro de empréstimos; saídas não são raras para estudantes e colegas. Algumas, infelizmente, tornam-se atestados de óbito: inúmeras as reposições que tenho feito. Pelo que disse até aqui, já se adivinhou quanto tempo levei para juntar esses livros, que somados aos anos de Maria Sylvia e Angelita, ocupam mais de quatro compartimentos da casa. Tem a biblioteca mais do que a minha idade, porque surgiu antes de mim. Sou seu funcionário único, e até agora pude controlá-la impecavelmente. É certo que lhe impus uma ordem pessoal; sei onde encontrar cada livro de acordo com o assunto (História da Filosofia, Filosofia da Ciência, Religião, Psicologia, Crítica Literária, Romances Brasileiros, Romances Estrangeiros, Poesia e assim por diante). Não trago a biblioteca na memória. Ela é, de certo modo, a minha memória, feita de perdas, lembranças e recuperações. Gostaria de recuperar alguns dos meus antigos hóspedes, como certas obras da Coleção Terramarear (Mowgli, o menino lobo, Jacala, o crocodilo, de Kipling; Tarzan, o Rei das Selvas, de Edgard Rice Burroughs; Pinocchio, de Colodi) ou a Poesia de Manuel Bandeira editada pela Casa do Estudante do Brasil. Não sofro da obsessão de querer renovar o alumbramento da primeira leitura, embora persista a nostalgia da experiência passada. Cada qual tem o paraíso perdido que merece. O meu é livresco. Se fosse rico compraria a Bibliothèque de la Plèiade inteira, todos os volumes da Coleção Budé e dos clássicos Loeb; também colecionaria edições de Shakespeare assim como os novos-ricos colecionam santos barrocos. Mas longe estou do tradicional bibliófilo, com o gosto de edições raras, à busca de obras finamente encadernadas ou de luxo. No entanto, o livro, instrumento de trabalho para riscar e anotar, adquire a meus olhos identidade física, com a sua capa, o cheiro do papel, o formato, a posição da estante. Nesse ponto pareço-me com D. Pedro II, para quem cada livro era um estimulante dos sentidos da vista, do tato e do olfato. Assim é que os guardo na memória, catálogo único, compulsado onde quer que esteja.

Os mais valiosos são os que melhor me servem, me ajudam, me acompanham: Fragmente der Vorsokratiker, de Hermann Diels; Kant completo, 13 vols., na Edição de 1921 da Academia de Berlim; Fichte, também completo, em 6 vols., Edição de 1911; Schopenhauer, idem, em 6 vols. Reclam; História da Filosofia, de Uberweg, 4 volumes, Berlim, 1906; Suma Teológica, 16 vols. Latim/Francês, 1853 (presente de Chico Mendes); La Philosophie de la Nature, de J-Del. de Sales, Paris, 1804, 10 vols. (obtido numa troca com Machado Coelho); os livros de poesia (Pound, Dylan Thomas, Cummings, etc.) que pertenceram a Mário Faustino.

Se tem filhos: eles gostam de ler? Se não tem filhos, parentes?

Os filhos únicos, adotivos, nossos gatos e cachorros, dóceis e inteligentes, não se interessam por essas coisas. Mas os meus primos, que cresceram na mesma casa onde nasci e me criei, gostam de ler; tivemos a mesma professora primária, nossa tia de verdade, e não a postiça das escolas de hoje, e que contribuiu para isso.

Quais os dez livros mais importantes na sua vida?

Prefiro mencionar textos, como livros ou partes de livros que estão estranhados à minha vida pessoal: 1) Apologia de Sócrates (Platão); 2) El sentimiento trágico de la vida, de Miguel de Unamuno; 3) José e seus Irmãos, de Thomas Mann; 4) A Morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstoi; 5) Kant, Crítica da Razão Pura; 6) Proust, La Recherche du Temps Perdu; 7) Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas; 8) Os poemas elegíacos de Carlos Drummond de Andrade (em A Rosa do Povo e Claro Enigma); 9) A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector; 10) Ser e Tempo, de Heidegger.

Que livros são essenciais para um leitor?

Teria que escrever um livro sobre os livros como resposta a esta pergunta. Na impossibilidade de fazê-lo agora, apresento-lhe algo simples, não no gênero de Ce qu' il faut lire dans la vie, obra de autor francês que encontrei, quando cursava o ginásio, na biblioteca dos irmãos Viana (Garibaldi, Camilo, Raimundo e Antonio Pedro), por eles herdada do pai, Prof. Josino. O que adiante se vai ler é uma lista com as seguintes especificações e utilidades: a) sujeita a muitos acréscimos sem que dela possa ser suprimido; b) vai do séc. VIII a . C. ao início do séc. XX d.c., até por volta de 1903; c) não serve para o Vestibular; d) pode denominar-se “o que é preciso ler à margem do ensino universitário enquanto se estuda na Universidade e depois”, e) enumera os livros e autores que podem ser recolhidos numa Arca salvadora, em caso de Dilúvio antilivresco, precipitado pelo eventual e possível agigantamento, como maremoto de certa duração, da onda de estupidez intelectual, estética e ética, que já castiga o País.

Upanishada e Bhagavad-Gita; Ramayena; clássicos chineses, Taote-King inclusive; textos budistas e zenbudistas; Hesiodo, Teogonia; Homero, Ilíada e Odisséia; tragédias gregas & Ésquilo, Sófocles, Eurípedes); Heródoto, História; Tucídides, A Guerra do Peloponeso; obras de Platão, como Apologia de Sócrates e os diálogos Banquete, Phedro, Fédon, A República, Sofista e Parmênides; Aristóteles, Organum, Poética, Ética a Nicômaco; Virgílio, Eneida; Ovídio, As Metamorfoses; Horácio, Odes; fontes do estoicismo e do ceticismo (Marco Aurélio, Epicteto e Sexto Empírico); De Rerum Natura, de Lucrécio; Petrônio, Satiricon; Apuleio, Asno de Ouro; Luciano de Samosata, Diálogos. Eclesiastes e Cântico dos Cânticos: os Evangelhos (inclusive os Apócrifos); livros dp Pseudo-Dionísio Aeropagita; As Confissões, de Sto. Agostinho; Abelardo, História de minhas calmidades; Tristão e Isolda; O ciclo do Rei Artur; Tomás de Aquino, Suma Teológica; I Fioretti, de São Francisco de Assis; Dante, A Divina Comédia; Eckardt, Sermões; Poesias, de François Villon; Nicolau de Cusa, De docta ignorantia; Boccacio, Decameron; Rabelais, Gargantua e Pantagruel; Les Essais, de Monteigne; Shakespeare, tragédias e comédias; Camões, Os Lusíadas e sonetos; Fernão Mendes Pinto, As Peregrinações; São João da Cruz, Subida do Monte Carmelo; Cervantes, Dom Quixote de La Mancha; Calderon de la Barca, La Vida es Sueño; Descartes, Discours de la Méthode e Meditações Metafísicas; Pascal, Les Pensées; Spinoza, Ética; Molière, Le Tartuffe, Le Medicin malgré lui, Le Malade imaginaire; Racine, Phédre, Esther, Andromaque, Britanicus; La Rochefoucauld, Maximes; La Bruyère, Les Characteres.

Locke, Essay concerning the Human Understanding e Segundo Tratado sobre o Governo; Montesquieu, O Espírito das Leis; Hume, Tratado sobre a natureza humana; Berkeley, Diálogo entre Hylas e Filonous; Leibniz, Monadologia; William Blake, os livros proféticos (principalmente O Casamento do Céu com o Inferno); Rousseau, Ensaio sobre a origem da desigualdade, Les Confessions e Les Revêries d'un promeneur solitaire; Voltaire, Contos Filosóficos (sem esquecer L’Ingenu e Candide); Diderot, Jacques le Fataliste e Suplemento à viagem de Bougainville; Goethe, Wilhelm Meister e o Fausto (1º e 2º); Schiller, Poesia ingênua e Poesia Sentimental e as Cartas sobre a Educação Estética; Correspondência Schiller/Goethe; Kant, A Crítica da Razão Pura, Filosofia da História do Ponto de Vista Cosmopolita e Crítica do Juízo; Richardson, Tom Jones; Novalis, Hinos à Noite; Holderlin, Elegias e Hinos; Kleist, A Marqueza d’O; Buchner, Woyszek e A Morte de Danton; Heinrich Heine, Livro das Canções; As Mil e Uma Noites.

Chateaubriand, Atala e Mèmoires d’Outre-tombe; Sterne, Sentimental Journey e Tristram Shandy; Odes, de Shelley e Keats; Coleridge, Biografia Literária; Leopardi, Cantos; Hegel, A Fenomelogia do Espírito e Lições de Estética; Karl Marx, O Capital e 18 Brumário; Schopenhauer, O mundo como vontade e representação; Kierkegaard, Migalhas Filosóficas e Tratado do Desespero; Balzac, A Comédia Humana; Stendhal, O Vermelho e o Negro e Crônica Italianas; Victor Hugo, Les Contemplations, Notre Dame de Paris, Les Misérables; Michelet, A Revolução Francesa; Tocqueville, O Antigo Regime e a Revolução Francesa; Alexandre Dumas, Os Três Mosqueteiros; José de Alencar, O Guarani, Iracema e As Minas de Prata; Almeida Garret, Viagens na minha Terra; Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas, História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal; Dickens, David Copperfield, Pickwick Papers; Emily Brontè, O Morro dos Ventos Uivantes; Charlotte Brontè, Jane Eyre; Jane Austen, Pride and Prejudice; Baudelaire, Les Fleurs du Mal; Rimbaud, Les Iluminations; Verlaine, Romances sans Paroles; Mallarmé, Poesias; Edgar Allan Poe, Contos Extraordinários; Emily Dickson, Poems; Lautréaumont, Chants de Maldoror; Omar Kayyan, Rubayat.

Samuel Butler, The way of all flesh; Robert Louis Stevenson, The Treasure Island; Thomas Hardy, Judas, o Obscuro; Flaubert, L'Education Sentimentale, Trois Contes; Jules Verne, Viagem à Lua; Joseph Conrad, Nostromo; Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas; Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição; Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Joaquim Nabuco, Minha Formação; Ruy Barbosa, Contra o Militarismo; Euclides da Cunha, Os Sertões; Tolstoi, Guerra e Paz e A Morte de Ivan Ilitch; Dostoievski, Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov, Os Possessos, O Idiota; Chekov, Contos, As Três Irmãs; Ibsen, Solners, O Construtor; Strindberg, O Sonho; Thoreau, Walden e Desobediência Civil; Walt Whitmann, Leaves of Grass; Kipling, O Livro da Jangal; Henry James, A volta do parafuso; Mark Twain, Huckleberry Finn; Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras, O Primo Basílio.

Bergson, Les Données Immédiates de la conscience; Nietzsche, Assim falava Zaratustra; Husserl, Investigações Lógicas; Freud, Interpretação dos Sonhos; Proust, La Recherche du Temps Perdu; Valéry, Poesias e Variétés; André Gide, Os Moedeiros Falsos, Le Fils Prodigue; Gorki, Minhas Universidades; Apollinaire, Alcools e Calligrames; Eliot, The Waste Land; Joyce, Dubliners, Ulisses; Pound, Cantos; Jorge Guillen, Cântico; Rilke, Elegias de Duino e Sonetos e Orfeu; Trakl, Poemas; Lorca, Romancero Gitano; Fernando Pessoa, Guardador de Rebanhos, (Alberto Caeiro), Odes (Ricardo Reis), Grandes Odes (Àlvaro de Campos); Heidegger, Ser e Tempo; Franz Kafka, Processo, América, O Castelo, A Colônia Penitenciária; D. H. Lawrence, O Homem que morreu, A Serpente Emplumada; Virginia Wolf, As Ondas e Orlando; Hermann Broch, Os Sonâmbulos; Musil, O Homem sem Qualidades; Oswald de Andrade, Poesia Pau Brasil; Mário de Andrade, Macunaíma; Poesias de Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Manuel Bandeira; Kazantzakis, Ascese, Salvatores Dei.  

Que livro causou-lhe a maior decepção?

O Baudelaire, de Jean-Paul Sartre, que culpa Baudelaire por ter sido Baudelaire.

Dos livros que escreveu, qual o que mais lhe agrada? Qual o menos satisfatório?

O que me agradou, dando-me prazer quando o escrevi, foi O Tempo na Narrativa. O menos satisfatório é ainda um dos primeiros, Introdução à Filosofia da Arte, que deverá ser revisto e ampliado nos próximos anos.

Que livros sobre a Amazônia devem constar de uma boa biblioteca?

Alexandre Rodrigues Ferreira, Viagem Filosófica; Bates, Um Naturalista no Rio Amazonas; Gastão Cruls, A Hiléia Amazônica; todos os que Eidorfe Moreira escreveu sobre o assunto; Curt Nimuendaju, Os Apinayé; Edson Soares Diniz, Os índios Macuxi de Roraima; Frederico Barata, Análise estilística da cerâmica de Santarém; Armando Mendes, Viabilidade Econômica da Amazônia e O Mato e o Mito; Lúcio Flávio Pinto, Carajás, o ataque ao coração da Amazônia e Jari (as relações entre o Estado e as multinacionais na Amazônia); Vicente Salles, O Negro no Pará. Ainda: O coronel sangrando, de Inglês de Sousa; O Turista Aprendiz, de Mário de Andrade; Moronguetá, de Nunes Pereira; Antônio Brandão de Amorim, Lendas em Nheengatu e em português; o ciclo ficcional de Dalcídio Jurandir, começando por Chove nos campos de Cachoeira; Batuque, de Bruno de Menezes. E mais: a poesia de Rui Barata (Anjo dos Abismos, A Linha Imaginária); a obra poética de Paulo Plínio Abreu; O homem e sua hora, de Mário Faustino; Verde vago mundo, de Banedicto Monteiro; Galvês, o Imperador do Acre, de Márcio Souza; Cabelos no Coração, de Haroldo Maranhão; 60/38, de Max Martins. Lembremos também Luis Bacellar, Sol de feira; Elcio Farias, Romanceiro; Jorge Tufic, Poesia reunida; Paes Loureiro, Cantares Amazônicos; Age de Carvalho, Ror; Sérgio Wax, Trinta e três experimentos e uma suíte; Milton Hatoum, Relato de um certo Oriente.

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Fonte: Jornal Pessoal & Gramsci e o Brasil.

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