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Leite derramado: ficção e história

José Antonio Segatto e Maria Célia Leonel - Abril 2011
 

Para o teórico e crítico marxista da literatura, Mikhail Bakhtin (2003, p. 246, grifo do autor), os “[...] acontecimentos representados no romance devem abranger de certo modo toda a vida de uma época” e nessa “capacidade de abranger o todo real está sua essencialidade artística” [1]. Em tal forma de representação, para o autor, há uma peculiar concatenação, literariamente expressa, das relações temporais e espaciais — o cronotopo: “Aí, o tempo e o espaço estão em uma unidade indissolúvel tanto no enredo quanto em imagens particulares dele”. Tem-se, nesse caso, não “um fragmento da história”, mas “o tempo histórico condensado no espaço” (BAKHTIN, 2003, p. 253) [2]. Essas afirmações fornecem subsídios importantes para a análise da obra Leite derramado (2009) de Chico Buarque, objeto deste trabalho.

1. Tempo e espaço da memória

Leite derramado figura, pelo menos, duas grandes épocas históricas do Brasil: uma que vai do início do século XIX até 1930 e outra daí em diante. É a representação da saga da ascensão e decadência socioeconômica de uma família (Assumpção) em sincronia com a história brasileira, ao longo de dois séculos. A história é relatada pelo narrador-protagonista centenário, homem mediano, sem virtudes ou força — Eulálio Montenegro d’Assumpção, nascido em 1907 no Rio de Janeiro — que viveu, em sua fase adulta, o período de decadência. Moribundo, o narrador, possivelmente, dita suas memórias, no leito de um hospital, para alguém (uma ou várias enfermeiras) ou as narra à filha e a outros doentes da enfermaria.

O que mais chama a atenção no romance é a narração vinculada ao protagonista a qual, na tentativa de simular a memória de alguém que apresenta manifestações de demência senil, explora as possibilidades de representação temporal, recompondo os fatos de maneira intermitente, imprecisa, com interpolações, constituindo um vaivém desordenado. A sequência cronológica do vivido ou sucedido no trajeto da personagem-narradora é, constantemente, interrompida pela interpolação de eventos anteriores ou posteriores. Apesar de reconhecer que a “cabeça às vezes fica meio embolada” ou que é “uma tremenda barafunda”, de ter a percepção de que a memória “é deveras um pandemônio” e que é “dado a devaneios” (BUARQUE, 2009, p. 39, 41 e 136), o protagonista considera que

[...] está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que removeu a papelada para espanar o escritório. Ou como a filha que pretende dispor minha memória na ordem dela, cronológica, alfabética, ou por assunto (BUARQUE, 2009, p. 41) [3].

As narrações repetidas de fatos visivelmente constituem maneira de garantir a veracidade do acontecido e ensejo para acrescentar-lhe detalhes, mas, ao mesmo tempo — por serem desencontradas e embaralhadas — são oportunidade para modificar as lembranças, oferecendo versões, às vezes díspares, das ações e processos. Deve ser observado que, na narração das memórias, além da simulação de desordem, há a simulação de que as mesmas são apresentadas — naturalmente ou por conveniência — como seletivas, decantadas e transfiguradas, compondo a fisionomia do protagonista e criando as demais personagens. Pela habilidade com que o tempo é estruturado no romance, a personagem ganha, por meio dele e de outras categorias narrativas, concreção, encorpando-se gradativamente. Juntando os fragmentos da memória, o passado vai sendo reposto e recomposto, dando ao leitor, como sugere Henry James, “a impressão de duração, de lapso e acumulação do tempo” e a percepção da totalidade histórico-espacial da representação como quer M. Bakhtin.

Elemento medular das rememorações (e um de seus motivos desencadeadores fundamentais) da personagem-narradora e em torno do qual gravita boa parte de suas memórias é a figura de Matilde, adolescente voluptuosa — casada e mãe aos 16 anos —, cujos traços físicos e comportamentais açulam a paixão e o ciúme doentio de Eulálio. As lembranças de Matilde percorrem todo o relato, aparecendo, no mais das vezes, por meio de flashes de oito décadas pregressas, com os quais o protagonista procura reconstituir — e talvez entender — a convivência com ela.

Conhece-a na missa fúnebre do pai na igreja da Candelária, onde a moça era congregada mariana. Retrata-a do seguinte modo: “[...] pele quase castanha, era a mais moreninha das sete irmãs, filha de um deputado correlegionário do meu pai” (p. 29-30). Percebendo a empolgação de Eulálio pela jovem, a mãe dele chega mesmo a lhe perguntar sarcasticamente se “Matilde não tinha cheiro de corpo” (p. 20 e 29). A insinuação deriva do fato de a moça ser mestiça e, portanto, teria cheiro de suor de negro, sinônimo de trabalho manual, de serviçal. Tal preconceito abjeto e secular foi largamente difundido e utilizado pela elite dominante como uma das formas de diferenciação e de discriminação para reproduzir privilégios e desigualdades. Mais tarde, o protagonista procuraria assegurar à filha do casal — Eulalinha — que Matilde “nunca foi mulata”: “Teria quando muito uma ascendência mourisca, por via de seus ancestrais ibéricos, talvez algum longínquo sangue indígena” (p. 149).

Contrariando a mãe, Eulálio insiste na relação amorosa e casa-se com a moça numa cerimônia deveras constrangedora:

Como aliás ninguém soube do casamento, a cerimônia no casarão foi discreta, não imprimimos convites, os proclamas foram lavrados num desses jornais que gente de respeito não lê. A rogo de minha mãe, o padre da Candelária se abalou de sua paróquia, e tive a impressão de que ruborizou ao me ver em pé defronte dele. Fez o sermão de cabeça baixa, e tinha um ar mais lastimoso que nas exéquias do meu pai, talvez acabrunhado pelo vestido informal de Matilde, estampado com flores vermelhas (p. 72).
O brevíssimo relacionamento, como ele recorda, embora tivesse bons momentos, foi marcado por infortúnios e angústias, suscitados pelo seu ciúme obviamente centrado na desconfiança de infidelidade da mulher. O casamento foi ainda mais atribulado porque a convivência mostrou-se perpassada por relações de poder e possessão. Os modos de portar-se de Matilde — assobiar para chamar o garçom, gostar de maxixe e samba, ter um verniz cultural fosco e um francês parco — deixam Eulálio vexado:
Política não lhe interessava, negócios, muito menos, amava fitas de caubói, mas não sustentaria uma conversação sobre literatura. Pouco sabia de ciências, geografia e história, apesar de ter estudado no Sacré-Coeur. Aos 16 anos, quando deixou o colégio para casar comigo, não tinha completado o curso ginasial. Estudara piano, como todas as meninas do seu gabarito, mas tampouco brilhava nessa matéria (p. 45).

Além disso, o costume da mulher de conversar com serviçais, frequentar a cozinha e ali, muitas vezes, almoçar e jantar, provoca em Eulálio um “sentimento obscuro, entre a vergonha e a raiva de gostar de uma mulher que vive na cozinha” (p. 66). Para ele, aquele espaço era lugar, eminentemente, de trabalho para empregados e não de patrões, nascidos para serem servidos.

Um belo dia, Matilde desaparece misteriosamente, sem, ao menos, fazer as malas, deixar bilhete ou qualquer pista. Desconsolado, Eulálio passa o resto da vida martirizado, sem conseguir explicações minimamente razoáveis para o sumiço da jovem esposa — morreu? fugiu? Os boatos multiplicam-se e, da “babá ao portuguesinho do armazém, todas sabiam que a [...] desarvorada, tinha partido” (p. 95). O protagonista acaba tomando conhecimento de que, de fato, a moça era filha adotiva e provinha de um caso que o deputado Vital teve na Bahia.

Na verdade, as insinuações da mãe, o modo como se deu o casamento, mostram que, anteriormente, ele é que não aceitava — ou não percebia — os fatos como eram, podendo-se observar, nas entrelinhas do próprio relato, sua provável — ou mesmo visível — ingenuidade, pois era sabido que Matilde era mulata. Aliás, esse mesmo traço — a ingenuidade — entre outros, não lhe permitiu encarar as mudanças sociais e políticas, agir em relação a elas, o que o impossibilitou de manter a fortuna da família.

Além disso, pode-se até mesmo supor que, com a paixão de Eulálio por Matilde, Chico Buarque tenha embutido, com olhar crítico, o estereótipo — criado e largamente difundido, entre outros, por Gilberto Freyre em Casa-grande & senzala (1952) e introjetado no imaginário popular — da atração provocada em homens brancos, por negras e mulatas, o que seria herança cultural dos portugueses.

Como bem mostra Teófilo Queiroz Júnior (1975), o estereótipo que vincula determinados traços positivos e negativos à mulata surge em várias manifestações da literatura brasileira, como em Gregório de Matos, Manuel Antonio de Almeida, Aluisio Azevedo, Jorge Amado.

Para sintetizar os dois polos da avaliação corrente sobre a mulata, podemos dizer que, de positivo, são reconhecidas suas habilidades culinárias, via de regra, sua higiene, sua resistência física ao trabalho, sua saúde, sua solidariedade, sua beleza perturbadora, sua sensualidade irresistível, seus artifícios de sedução a que sabe recorrer, quando canta, dança e se enfeita. Já a soma de seus defeitos é constituída por sua falta de moralidade, por sua irresponsabilidade, por ela ser muito pródiga sempre (QUEIROZ Júnior, 1975, p. 76-77).

A ideia de que a mulata possui traços favoráveis e desfavoráveis pode ser rastreada no romance de Chico Buarque: de um lado, a beleza de Matilde que desperta a paixão em Eulálio e que suscita a admiração do francês Dusboc - representante da firma com que Eulálio mantinha negócios; de outro lado, a vulgaridade que o marido acredita haver nela. Por exemplo, quando Eulálio leva Matilde para dançar, ao vestido “cinzento de gola alta” que ele sugere, a mulher prefere o “de alças, cor de laranja”. Olhando seus ombros nus, Eulálio acha “que nunca a tinha visto tão bonita na vida” e menciona “suas coxas bronzeadas” (p. 64). Embora “sentada na ponta da cadeira”, “ela dançava o foxtrote da cintura para baixo” (p. 65).

Com a mulher dançando maxixe com o francês — que exclama “Le maxixe! [...] é magnífico o ritmo dos negros! [...]” — o protagonista distingue “o que nele foi ensinado do que era nela natural” (p. 65). Eulálio nota também o contraponto: em Matilde, nos “movimentos de ombros e quadris, havia excesso” (p. 65-66) e julga, pela primeira vez, meio vulgar a moça com quem tinha casado (p. 66).

Abandonado, Eulálio recebe outras mulheres em seu quarto de casal no chalé de Copacabana, obrigando-as a vestirem roupas de Matilde, que continuará frequentando seus pensamentos como um fantasma sempre presente.

A postura da personagem Eulálio, observa Roberto Schwarz (2009, p. 6), indica que “[...] tanto o amor como o ciúme se alimentam da desigualdade de classe e de cor, que, segundo a ocasião, funcionam como atrativo ou objeção”. E acrescenta: “A relação desigual, em que nome da família, dinheiro, preconceito de cor e classe se articulam com desejo e ciúme, forma um padrão consistente, que vira cacoete”.

2. Tempos de ascensão

Concomitantemente às lembranças de Matilde, as memórias esparsas de Eulálio reconstituem a saga familiar, da ascensão à decadência. Remontam aos “ancestrais por parte da mãe [Montenegro], com caçadores de índios num ramo paulista, num outro guerreiros escoceses do clã dos McKenzie” (p. 184-5). O protagonista relembra ainda que, “pelo [...] lado materno, o Rio de Janeiro parecia uma árvore genealógica” (p. 77-78) e que “os Montenegro possuíam metade do estado de Minas Gerais” (p. 59). Já do lado paterno, as “origens mais longínquas” são de um “alquimista e médico particular de dom Manuel I” (p. 184), no século XV. Seu trisavô teria chegado ao Brasil com a família real (1808) como “confidente de dona Maria Louca” (p. 50); o bisavô, traficante de escravos, “[...] foi feito barão [dos Arcos] por dom Pedro I e pagava altos tributos à coroa pelo comércio de mão de obra de Moçambique” (p. 79) [4].

O avô, “comensal de dom Pedro II” que chegou a trocar correspondência com a rainha Vitória (p. 51), foi “um figurão do império, grão-maçom e abolicionista radical” (p. 15). Elaborou mesmo o projeto de criação da Nova Libéria, que seria viabilizado em “parceria com os colonizadores ingleses”, para “mandar todos os pretos brasileiros de volta para a África”; delimitou o local (Costa do Ouro); desenhou a bandeira e encomendou o “hino oficial ao grande Carlos Gomes” (p. 51). Granjeou “[...] o apoio da Igreja, da maçonaria, da imprensa, de banqueiros, de fazendeiros e do próprio imperador, a todos parecia justo que os filhos de África pudessem retornar às origens, em vez de perambularem Brasil afora na miséria e na ignorância” (p. 51). O que seria um grande negócio, fracassou; até seus próprios escravos, “depois de alforriados, escolheram permanecer na propriedade dele.” (p. 15). Mesmo com a frustração do empreendimento africano, o avô multiplicou a riqueza dos Assumpção: além de uma fazenda ao pé da serra no Rio de Janeiro, “Possuía cacauais na Bahia, cafezais em São Paulo, fez fortuna, morreu no exílio [...]” (p. 15).

O pai, senador conservador, “republicano de primeira hora, íntimo de presidentes” (p. 52), foi influente nos círculos de poder, associado ao capital inglês na concessão que obteve do porto de Manaus, intermediário no comércio de café com a Europa, além de negócios (escusos) com armeiros da França. Assim, Eulálio recompõe o trajeto da ascensão socioeconômica da família Assumpção.

A linhagem familiar é também retomada historicamente por meio de um instrumento de mando, símbolo do poder de dominação e opressão: o chicote. Tal objeto era guardado “na biblioteca, atrás da enciclopédia Larousse” (p. 102), amálgama de coação e ilustração, e o senador o levava embaixo do paletó quando ia encontrar as amantes. Foi comprado pelo pai do tetravô (general que o brandiu contra a França de Robespierre), “próspero comerciante” do Porto, para fustigar os jesuítas; fora usado pelo trisavô para “dar lições a marujo indolente” quando da vinda da corte portuguesa para o Brasil. Seu bisavô, legatário do instrumento, “[...] quando pegava negro fujão, açoitava com grande estilo. O golpe mal estalava era um assobio no ar o que se ouvia”; ele “apenas riscava a carne do malandro com a ponta da correia, mas o vergão ficava para sempre” (p. 102).

Já o avô costumava exercitar o chicote num velho escravo alforriado: “O Balbino nem era mais escravo, mas dizem que todo dia tirava a roupa e se abraçava a um tronco de figueira, por necessidade de apanhar no lombo. E vovô batia de chapa, sem malícia na mão, batia mais pelo estalo que pelo suplício” (p. 102). Chico Buarque elabora assim, artisticamente, por meio do romance, relações sociais de dominação e poder, indicando similitudes com a clássica caracterização de Hegel (1992, p. 126 s.) da dialética do senhor e do escravo, que, no limite, pode afigurar-se como uma espécie de servidão voluntária (LA BOÉTIE, 1982).

3. Tempos de decadência

O assassinato do pai — por motivos passionais ou a mando da oposição — marca o fim da linha ascendente da família e é também o início da decadência dos Assumpção.

A narração de um episódio ocorrido após a morte do senador, quando a mãe ainda guardava luto — um jantar para o francês Dusboc — revela um fato bastante sintomático da mudança da condição familiar. Por meio da metáfora do borgonha estragado, o escritor aponta o declínio socioeconômico dos Assumpção:

[...] eu estava no jantar da minha mãe, e o mordomo me chamava com gestos agoniados. Na copa, deparei com uma dezena de garrafas de borgonha abertas, cheirando a mofo e frutas podres, e deduzi que os tintos de papai, intocados no porão, não sobreviveram ao verão carioca. Mandei buscar cervejas na Frigidaire, pois mesmo abstêmia, minha mãe não suportaria ver vinho branco em mesa de carne vermelha (p. 88).

Se não bastassem a morte do pai e o casamento breve e tumultuado, os negócios passam a enfrentar todo tipo de adversidade. A crise, desencadeada com o crack da bolsa de Nova Iorque em 1929, não só interrompeu as exportações de café como aniquilou quase todo o espólio da família, “desafortunadamente aplicado no mercado de ações norte-americano” (p. 59).

Eulálio recebera a representação no país da firma Le Creusot & Cie, o que custou “[...] ao amor-próprio [da mãe] escrever seguidas cartas à Companhia, até conseguir para o filho o antigo posto do marido” (p. 85). No entanto, sem o mesmo poder de influência e prestígio do senador, o negócio de importação de armas pelo Estado brasileiro complica-se, pois envolvia relações de cumplicidade, patrimonialistas e clientelistas, que somente quem tinha poderes e influências podia exercitar. Como a situação havia mudado, os negócios não caminhavam: o “momento político também era delicado, ministros vacilavam, e muitas horas amargamos em antessalas do governo, Dubosc e eu” (p. 57). Além do mais, os jornais denunciavam as negociatas: “Até O Paiz nos achincalhava em seus editoriais, charges ridicularizavam nossas peças de artilharia, apresentadas como rebotalho da Grande Guerra” (p. 132). Os concorrentes, agora, corrompiam “certos jornalistas com quem ainda ontem trocávamos favores” (p. 132).

Eulálio, apesar de começar a perceber que a situação não era a mesma e de amargar horas para desembaraçar mercadorias na alfândega — providência que o pai senador tomava por telefone — não perde a postura presunçosa e mantém a ilusão de que o nome da família continuaria abrindo portas para facilitar os negócios, legais e/ou escusos. O Estado, para ele, deveria permanecer o locus apropriado para o tráfico de influência dos poderosos; o espaço público sendo concebido como instrumento de benesses, esfera de manutenção de regalias:

[...] eu sabia que as portas estavam apenas encostadas, meu pai passara por elas outras vezes. Por ser um jovem inexperiente [...] talvez amanhã me visse perdido num labirinto com setecentas portas. Mas eu não tinha dúvida de que, para mim, a porta certa se abriria sozinha. De trás dela, me chamaria pelo nome a pessoa que eu procurava. E esta anunciaria com presteza à pessoa influente, que desceria as escadas para me buscar. E me abriria seu gabinete, onde já me aguardariam várias chamadas telefônicas. E pelo telefone, poderosas pessoas me soprariam as palavras que desejavam ouvir. E de olhos fechados, eu molharia pelo caminho as mãos que meu pai molhava. E pelo triplo do preço tratado, me comprariam os canhões, os obuses, os fuzis, as granadas e toda a munição que a Companhia tivesse para vender. Meu nome é Eulálio d’Assumpção, não por outro motivo a Le Creusot & Cie. me confirmou como seu representante no país (p. 43-4).

Não obstante manter ilusões de que o nome e o status da família seriam suficientes para o gozo e a manutenção de privilégios, o narrador-personagem vai tomando consciência da nova situação, em que as antigas influências se esvaíam. Não seria mais possível, inclusive, o mantenimento da conduta ostentatória e perdulária do pai. Os tempos eram outros. O capital da família no exterior estava desaparecendo, o que faz Eulálio lembrar o pai: “[...] não consigo imaginá-lo sem suas viagens anuais à Europa, seu camarote, seus hotéis, restaurantes e mulheres de primeira classe” (p. 132). Sobretudo, não teriam mais lugar os antigos procedimentos de fazer política: nela, afirma o protagonista, “[...] a civilidade daria lugar ao cabotinismo e ao espalhafato, e tampouco vejo meu pai pedindo votos em praça pública, subindo em palanques, apertando a mão de populares, sorrindo para fotografias com a roupa suja de gordura” (p. 132) [5].

Sem opções, resolve arrumar emprego, o que consegue prontamente, uma vaga no gabinete do sogro deputado. A mãe, porém, objeta, alegando que isso seria traição à memória do pai, já que o deputado que fez carreira à sombra do senador, havia passado para a oposição:

[...] mamãe me propôs uma mesada de três contos de réis, mais as obras no chalé, contanto que renunciasse à proposta daquele traidor. Acabei levando quatro contos, e de abono o Ford usado, depois de a fazer ver que um assessor de deputado federal não ganhava menos do que isso (p. 71).

Alguns anos mais tarde, com a depreciação da mesada, Eulálio volta a se interessar por um cargo no aparelho estatal e procura o pai de Matilde, agora figura com certos poderes na ditadura do Estado Novo varguista [6]. Diz terem prescrito as antigas “divergências políticas” e estar disposto a relevar os rancores (p. 191). Dirige-se com a filha ao palácio do Catete, apresenta a neta ao sogro, que desconversa, faz-se de desentendido e diz: “Ah, sim, Matilde, uma escurinha que criamos como se fosse da família, dito isso o doutor Vidal deu meia-volta para subir a escada, e um dos seus puxa-sacos me barrou o caminho” (p. 192).

Entendemos ser apropriado um pequeno parêntese sobre o percurso do sogro deputado, que, de fato, é emblemático. De fiel correligionário do senador conservador a suspeito de seu assassinato, passando a deputado liberal e, a seguir, a adepto e figura de importância do Estado Novo (1937-1945), a personagem Vidal — tal como é construída pelo autor — é o protótipo e a encarnação de concepções e práticas típicas da política e de políticos nativos, como o patrimonialismo, o clientelismo, a esperteza fisiológica. Herdeiro do patrimônio político do senador Assumpção, representa o período que se abria na história brasileira sem modificações significativas em suas eternas formas de fazer política. Personifica os novos donos do poder provenientes da revolução de 1930, em substituição à velha elite republicana – os primeiros ocupam e a segunda desocupa o espaço sociopolítico. Os que entram, sem grandes transtornos e rupturas, mantêm muito da cultura política pretérita, ainda que atualizada, conservando a esfera pública como espaço de interesses privados.

Enquanto isso, na família Assumpção, o curso do depauperamento sociopolítico é, a partir desses anos, progressivo e acompanhado por desventuras outras, como a dissipação do patrimônio que, sem meios de reprodução, vai-se acabando. As adversidades da família, juntando-se as frações de memória de Eulálio, podem ser sequenciadas.

A filha, Maria Eulália, que interrompe a tradição de herdeiros masculinos da linhagem, casa-se com um italiano, Amerigo Palumba, que “enriqueceu em São Paulo estripando porcos” e teve seus frigoríficos incendiados por “bandas antifascistas” (p. 37). Após a guerra, foi viver na capital como novo rico e de modo ostentatório, até que, diz o sogro, “me deu o bote e sumiu”. Começaram a chegar “[...] as faturas, as prestações do conversível, da companhia de navegação, do antiquário, de todo lado explodiam apólices, hipotecas, papagaios [...]” (p. 37); além disso, o genro sacrificou joias da família e o casarão do Botafogo. Para piorar ainda mais a situação, a fazenda do pé da serra é desapropriada em 1947 para a construção de uma estrada, sem nunca a família receber indenização.

Do casamento de Maria Eulália com Palumba resultou um neto “que cresceu rebelde com toda razão”, perfeitamente condizente com o ditado popular: “pai rico, filho nobre, neto pobre” (p. 38). O neto pobre adere ao comunismo “de linha chinesa”, é preso pela ditadura, engravida “outra comunista, que teve um filho na cadeia e na cadeia morreu” (p. 38). O bisneto que, com o tempo, “começou a pretejar” (p. 148), tem um filho com a neta da irmã caçula da bisavó e é morto num quarto de motel por “uma quarentona jeitosa num carro de luxo” (p. 152).

Por fim, o tataraneto, com tino comercial, é bem sucedido economicamente e paga para o protagonista o plano de saúde do hospital em que está internado. Seus negócios são ligados ao comércio de entorpecentes; o narrador comenta sobre esse ponto: “[..] acho que outro dia o vi com a namoradinha nessa televisão, os dois algemados num aeroporto, escondendo a cara” (p. 120). Algum tempo antes, o tataraneto e a namorada oriental estiveram com Eulálio na comemoração de seu centenário. O tataraneto vende o apartamento (onde o protagonista e a filha residiam) para um pastor, que, de favor, aloja pai e filha numa casa de um só cômodo junto a sua igreja na periferia na periferia. Sem nada de seu, “até o jazigo da família ela [Maria Eulália] passou nos cobres” (p. 120), o velho Eulálio espera pela morte. Riqueza, poder, privilégios, status, luxo não são mais que reminiscências remotas.

4. O ocaso de uma linhagem

Seria o fim da linha dos Assumpção, sem que o protagonista perdesse, porém, a pose de classe. Embora reconheça ser agora “uma escória igual a vocês [os que o ouvem verdadeira ou supostamente]” (p. 50) e “mesmo vivendo nas condições de um hindu sem casta” (p. 137), ele não perde a linha. Ainda que morando “de favor numa casa de um só cômodo nos cafundós” (p. 50), manteve o hábito de usar “pijamas sedosos com o monograma” do pai “e não dispensava um roupão de veludo” para ir ao “banheiro com paredes chapiscadas e chão de cimento” (p. 137).

Eulálio, mesmo arruinado, procura, o tempo todo, demarcar sua superioridade face aos subalternos, por meio da reafirmação de valores culturais e comportamentais que garantiam a reprodução de privilégios classistas. Isso fica evidenciado no relacionamento com os empregados, tratados com menosprezo, especialmente quando negros ou mestiços. Relaciona-se com eles com ar senhorial como se devessem permanecer numa situação de subserviência, pois, para ele, nasceram para servir; essa é uma forma de perpetuar o padrão de relação do passado escravocrata. Em vários momentos de suas memórias, o narrador deixa transparecer essa postura elitista que impregnou a classe dominante brasileira e continua embutida até seu âmago. Numa passagem, depois de comemorar seu centenário, sai à rua e, num encontro com dois policiais negros, indaga-lhes “[...] se estavam felizes aqui ou se pretendiam voltar para a África. Opinei que servir na polícia era um grande progresso para os negros, que ainda ontem o governo só empregava na limpeza pública” (p. 175). Em outra, faz comentários sobre negros de religiões evangélicas:

Não vai aqui a intenção de ofender os mais humildes, sei que muitos de vocês são crentes, e nada tenho contra sua religião. Talvez seja até um avanço para os negros, que ainda ontem sacrificavam animais em candomblé, andarem agora arrumadinhos com a Bíblia debaixo do braço. Tampouco contra a raça negra nada tenho, saibam vocês que meu avô era um prócer abolicionista, não fosse ele e talvez todos aí estivessem até hoje tomando bordoada no quengo (p. 193).

Eulálio externa assim — e em diversos outros trechos de sua narração — a conduta típica de setores decadentes de grupos de status, que procuram manter privilégios e prestígio sociais, alicerçando-se no poder econômico e político de um passado bem aventurado. Por meio do sobrenome, Assumpção, afirma e reafirma o status, como no caso em que, após “uma desavença com um chofer de praça”, “mulato suarento”, diz: “eu sou bisneto do barão dos Arcos” (p. 50). Em outros diálogos que mantém com subalternos, procura sempre se afirmar como pertencente ao estamento dominante, proferindo sentenças que poderiam ser sintetizadas na tradicional expressão: Você sabe com quem está falando?

Mesmo que esses valores e formas de comportamento sejam aparentes, superficiais ou simples adorno, eles tiveram, ao longo do tempo e em determinados espaços sociais, a função precípua de distinguir camadas e classes sociais, castas e estamentos, e conferir status a indivíduos, famílias e grupos dominantes, visando manter certos elementos de distinção, tratamento especial, prerrogativas e vantagens. Pode-se, no limite, dizer que as memórias do protagonista são, em geral, governadas pelo passado e/ou pela tradição, presas à nostalgia de um tempo pregresso sem volta, irreversível.

Embora mantenha a mentalidade senhorial e o orgulho aristocrata (evocando sempre os outrora tempos gloriosos), a personagem não consegue dissimular sua condição de sujeito apático e inútil que não encontra, nem ao menos, sentido para a vida. Tendo sido conformista durante décadas a fio, externa como, ao longo do tempo, sua personalidade foi se desagregando e sua integridade sendo minada. Observa-se, aliás, que não só Eulálio é uma personagem passiva, mas as demais como ele, são estéreis, ociosas e parasitas de uma sociedade iníqua ao extremo. Em contraposição, é interessante assinalar que, no período áureo dos Assumpção, as figuras são fortes, robustas, ativas, como na representação que faz do tataravô, do bisavô, do avô e do pai. Já no período de decadência, são inativas, frágeis, inúteis, como o próprio Eulálio, a filha, o neto, o bisneto, o tataraneto.

Assim é que Chico Buarque, por meio da figuração artístico-literária, refaz a saga histórica da decadência inevitável de uma categoria social (fração da classe dominante), personificada na família Assumpção, com seus valores éticos e culturais, suas concepções de mundo e seu comportamento — estiliza, enfim, sua dissolução social e moral [7]. E, ao fazer isso, coloca inúmeros problemas — desde humano-existenciais até histórico-políticos — para a reflexão do leitor.

Situada, mormente, na interseção de duas grandes épocas históricas conectadas e mesmo sobrepostas na narrativa, a exposição das lembranças de Eulálio perfaz um movimento concêntrico, de volteio, não linear. Do apogeu à ruína, da infância e adolescência à velhice, do passado ao presente, passa em revista sua história e a da família. Na narrativa, tempo e espaço são indissociáveis, condensados, em movimento; os acontecimentos abarcam um largo período histórico, dois séculos — às vezes mais, pois o narrador refere-se mesmo, em alguns momentos, aos séculos XV e XVIII —, fechando-se, em geral, num espaço circunscrito, o Rio de Janeiro.

O movimento circular da narrativa compreende, a partir da infância, a fazenda idílica na “raiz da serra” com um ribeirão de águas cristalinas, passando pelo palacete do Botafogo e o chalé de Copacabana, o apartamento exíguo na Tijuca (afora quando menciona as estadas, bem como as do pai e do avô, em Paris e Londres), até terminar seus tempos no mesmo local dos primórdios, o da fazenda, agora transformado em bairro periférico miserável. Nele, no suposto presente da narração, “[...] grassavam casebres de alvenaria crua e sem telhado” e o ribeirão transformara-se em um “rio podre”, “quase estagnado de tão lamacento”; sobre “os escombros da capela que o cardeal arcebispo abençoou em mil oitocentos e lá vai fumaça”, encontra-se a “Igreja do Terceiro Templo” (p. 177-8) e, ao lado dela, “sobre o cemitério” dos antepassados, o quarto onde seriam alojados, de favor, pelo pastor.

A espacialidade da época próspera e da era do declínio é figurada exemplarmente na presença dos ancestrais na nomeação de logradouros públicos. É o caso do pai que chegou a nomear uma praça arborizada no centro do Rio de Janeiro e acabou reduzido a nome de rua sem saída, “atrás da estação do metrô”; o avô “também é uma travessa, lá pelos lados das docas” (p. 77).

A saga da família Assumpção — conforme é reconstituída por meio de fragmentos de memória do narrador — vai da ascensão no século XIX com a fortuna acumulada à sombra do Estado e com negócios como o tráfico de escravos, sofre uma inflexão nos anos 1930, dando início a uma curva descendente de queima do cabedal e desemboca no último dos Assumpção, próspero negociante de entorpecentes. Desse modo, Chico Buarque, por meio da autobiografia exposta por um narrador-personagem [8] sem muitas virtudes e qualidades, refaz a saga da ascensão e decadência de uma família ilustre, que vai do tráfico de escravos ao tráfico de cocaína, de privilégios à indigência. Essa simulação da autobiografia pode ser vista “na perspectiva de uma refiguração do tempo operado conjuntamente pela historia e pela ficção” (RICOEUR, 1995, p. 174).

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José Antonio Segatto é Professor Titular do Departamento de Sociologia da FCL/UNESP/Araraquara. Maria Célia Leonel é Professora Titular do Departamento de Literatura da FCL/UNESP/Araraquara.

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Notas

[1] É interessante notar que tais formulações de Bakhtin aproximam-se daquelas de G. Lukács concebidas na mesma época, guardando mesmo muitas semelhanças com elas. Além de contemporâneas, foram elaboradas no mesmo espaço histórico, a Rússia Soviética dos anos 1930 e imediatamente posteriores. Para efeito de comparação, consultar escritos de Lukács (1965; 1968; 2009) daqueles anos traduzidos e publicados em português em três coletâneas. Essa proximidade de concepções já havia sido notada, por exemplo, por Reis e Lopes (1987, p. 84).

[2] Observe-se que a noção de cronotopo para Mikhail Bakhtin resulta da unidade, mas não da identidade entre tempo e espaço na representação artística das experiências humanas e das relações sociais.

[3] A partir deste momento, serão indicadas apenas as páginas da edição do romance utilizada.

[4] Durante mais de três séculos, o tráfico de escravos foi um dos negócios mais rentáveis. Na primeira metade do século XIX, teve um impulso brutal, devido, principalmente, ao desenvolvimento da economia cafeeira no centro-sul e aos lucros potencializados. O capital acumulado com o tráfico de negros africanos está na origem de grandes fortunas da classe dominante brasileira.

[5] O narrador-personagem refere-se, nesse caso, ao tipo de política preponderante na Primeira República (1889-1930). Nesse período da história brasileira, vigorou o controle dos votos pelas oligarquias estaduais e pelo poder local ou municipal, favorecendo a fraude, a corrupção e o voto de cabresto — isso era acentuado pelo fato de o voto ser pronunciado a descoberto e, muitas vezes, registrado a bico de pena. Um líder oposicionista, Assis Brasil (apud KINZO, 1980, p. 79), chegou a afirmar à época, que “[...] a eleição passou a ser mera formalidade. Toda gente se convenceu de que, para ser deputado, senador ou mesmo presidente da República, não era preciso ter obtido voto algum”. Na representação fictícia desse sistema de poder, o senador Assumpção, obviamente, não precisava sujar as mãos e muito menos expor-se no espaço público.

[6] O autor recria, nesse episódio das memórias de Eulálio, um fenômeno muito comum na história brasileira: o emprego público — que oferece segurança — utilizado como uma espécie de salvaguarda para os filhos da elite e/ou de grupos de influência. O Estado é usado, frequentemente, como provedor de cargos, sem a necessidade de mérito, e como garantidor de renda pelo erário a ser compartilhado pelos agraciados dos que mandam. Antonio Candido (1979, p. xiii), no “Prefácio” a um livro de Sérgio Miceli, diz que este mostra “[...] como do declínio social se nutriram os quadros governamentais depois de 1930, quando o abalo das estruturas tradicionais e o predomínio do ritmo urbano suscitam novos tipos de clientela, patronato, dependência e concepção de trabalho”. Embora o comentário do crítico se refira a casos diversos do de Eulálio, o romance representa o mesmo processo.

[7] A problemática da decadência é deveras frequente em nossa literatura e presente em grandes obras. Antonio Candido (1979, p. xii-xiii) assinala que sempre o “[...] intrigou o fato de um país novo como o Brasil, e num século como o nosso, a ficção, a poesia, o teatro produzirem a maioria das obras de valor no tema da decadência — social, familiar, pessoal. Assim vemos em Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Ciro dos Anjos, Lúcio Cardoso, Nelson Rodrigues, Jorge Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade. Cheguei a pensar que este estigma [...] seria quase requisito para produzir obras valiosas, e que portanto os rebentos das famílias mais velhas estariam no caso em situação favorável”.

[8] O recurso à autobiografia da personagem de ficção, do qual Chico Buarque lança mão em Leite derramado, é bastante antigo e usual na literatura. Desde Goethe, passando por Dostoievski e Proust, até Svevo e Joyce e muitos outros, tem sido utilizado com grande eficiência e produzido grandes resultados. No Brasil, esse método tem sido empregado de modo eficaz e originado romances excepcionais como Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro de Machado de Assis, São Bernardo de Graciliano Ramos, Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa.

Referências bibliográficas

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 4. ed. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BUARQUE, C. Leite derramado. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

CANDIDO, A. Prefácio. In: MICELI, S. Intelectuais e classe dirigente no Brasil (1920-1945) . São Paulo: Difel, 1979, p. ix-xiii.

FREYRE, G. Casa-grande & senzala. 7. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1952.

HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do espírito. Trad. Paulo Menezes. Petrópolis: Vozes, 1992, parte 1.

KINZO, M. D. G. Representação política e sistema eleitoral no Brasil. São Paulo: Símbolo, 1980.

LA BOÉTIE, E. de. Discurso da servidão voluntária. Trad. Laymert Garcia dos Santos. São Paulo: Brasiliense, 1982.

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QUEIROZ Júnior, T. Preconceito de cor e a mulata na literatura brasileira. São Paulo: Ática, 1975.

REIS, C.; LOPES, A. C. M. Dicionário de narratologia. Coimbra: Almedina, 1987.

RICOUER, P. Tempo e narrativa. Trad. Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 1995. v. 2.

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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