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Aos 100 anos morre Ingrao, um comunista herético

Luiz Augusto do Rosário - Setembro 2015
 

Morreu em Roma Pietro Ingrao, dirigente histórico do antigo PCI e presidente da Câmara dos Deputados no auge da experiência do eurocomunismo e do “compromisso histórico” com a Democracia Cristã, nos anos 1970. Ingrao, teórico da “socialização da política“ (sem a qual a mera socialização da economia emperraria burocraticamente), teve livros publicados em português e deixou sua influência em intelectuais brasileiros, como Carlos Nelson Coutinho e Luiz Mario Gazzaneo.

O primeiro-ministro Matteo Renzi, do Partido Democrático (que reúne, entre outros grupos reformistas, pós-comunistas do PCI e católicos progressistas), escreveu: “Com Pietro Ingrao desaparece um dos protagonistas da história da esquerda italiana. A todos nós farão falta sua paixão, sua sobriedade, seu olhar, sua inquietude, que fizeram dele uma das testemunhas mais incômodas e lúcidas do século XX, da esquerda, do nosso país”.

Depois da dissolução do PCI, Ingrao ficou à margem da nova formação que se seguiu, o PDS (Partido Democrático da Esquerda), liderando inclusive a frente dos que se opuseram à mudança de nome e de referências políticas e culturais. Manteve-se invariavelmente fiel à sua concepção inquieta e libertária de socialismo, mesmo que, nos últimos anos, estivesse progressivamente fora da vida pública por questões de saúde.

Ingrao, um eterno herético do velho comunismo, também publicou livros de poesia e uma premiada memória autobiográfica, Volevo la luna (Eu queria a lua). Ao longo do tempo, este site teve alguns momentos significativos de reencontro com Pietro Ingrao, como o atestam os textos As prisões de Cuba, Yo quería la luna, O meu Berlinguer? Um solitário no mar e Por que a direita venceu na Itália.



Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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