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Os sociais-democratas e a solução dois Estados

Cláudio de Oliveira - Maio 2021
 


A Internacional Socialista, desde que foi reorganizada em 1951, sempre apoiou o Estado de Israel e a solução dois Estados para o fim do conflito árabe-israelense. A solução dois Estados significa a criação de um Estado Palestino em convivência pacífica com o Estado de Israel.

A solução dois Estados também era defendida por David Ben-Gurion, o primeiro chefe de governo de Israel após a sua criação pela ONU em 1948. Ben-Gurion era do Partido Trabalhista de Israel, agremiação de centro-esquerda filiada à Internacional Socialista.

Ben-Gurion também foi membro, na década de 1920, da Internacional de Viena, de orientação democrático-socialista, ao lado de outros líderes socialistas da Europa, entre os quais o tcheco-alemão Karl Kautsky, o menchevique russo Julius Martov e o social-democrata austríaco Otto Bauer, todos igualmente judeus.

A solução dois Estados quase foi alcançada em 1993, sob a mediação do então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, quando os Acordos de Paz de Oslo foram assinados por Isaac Rabin, primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, ministro israelense das relações exteriores, e Yasser Arafat, chefe da Autoridade Palestina. Pelos Acordos de Paz de Oslo os três políticos ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 1994.

Porém, os grupos radicais de ambos os lados se opuseram ao acordo. Por causa de sua decisiva participação na assinatura dos Acordos, Isaac Rabin foi assassinado por um judeu extremista de direita, em 1995.

Tão logo assumiu a Presidência dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden voltou a propor a solução dois Estados como caminho possível para obter a paz no Oriente Medio. Lembremo-nos de que o Partido Democrata era filiado à Internacional Socialista e a partir de 2013 está filiado à Aliança Progressista, de partidos social-democratas, entre eles o Partido Social-Democrata da Alemanha, o Partido Socialista da França, o Partido Democrático da Itália, o PSB e o PT. E o PDT é o representante brasileiro na Internacional Socialista.

No Brasil, o antigo PCB também defendeu a solução dois Estados. Desde sua fundação em 1922, o velho Partidão sempre contou com a presença destacada de judeus, como o historiador Leôncio Basbaum, o físico Mário Schenberg, Moisés Vinhas e Salomão Malina, herói da FEB na II Guerra Mundial e último secretário-geral do partido. Em 1992, o PCB mudou sua denominação para PPS e, em 2017, para o atual Cidadania.

Uma das dirigentes históricas do PCB e atualmente uma das responsáveis pelas relações internacionais do Cidadania, a física e professora da USP Dina Lida Kinoshita, descendente de judeus da Europa Oriental, faz parte da coordenação brasileira do movimento Paz Agora. Este movimento, criado na década de 1970 por pacifistas árabes e judeus, entre eles o escritor Amos Oz, defende a solução dois Estados para alcançar a tão almejada paz no Oriente Médio. 

Recomendo a leitura de um texto de 2011 da professora Dina Lida Kinoshita sobre o complexo tema do conflito árabe-israelense: Israel, Palestina e a paz, agora. 

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Jornalista e cartunista, autor dos livros Era uma vez em Praga – Um brasileiro
na Revolução de Veludo
e Lenin, Martov, a Revolução Russa e o Brasil, entre
outros.

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O fechamento da Constituinte na Rússia de 1918
Julius Martov e a Revolução Russa
O plano menchevique e a NEP de Lenin
Agradecimento póstumo ao professor Ruy Fausto







Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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