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A marcha sobre Brasília

Fausto Matto Grosso - Setembro 2021
 

O fascismo surgiu na Itália sob a liderança de Benito Mussolini em 1919. Sua intenção era tomar o poder pela via eleitoral, mas, se fosse necessário, utilizaria a violência para garantir sua ascensão política. O fascismo obteve grande apoio político na Itália no início da década de 1920 por causa de sua atuação no combate ao socialismo.

A Marcha sobre Roma é como se conhece a grande marcha realizada pelos fascistas em 28 de outubro de 1922, em direção à capital italiana. Esse evento foi responsável pela ascensão de Benito Mussolini  ao poder da Itália. No dia seguinte à marcha, Mussolini foi indicado para o cargo de primeiro-ministro. Mussolini foi cabo durante a guerra, mas no poder assumiu o cargo de Primeiro Marechal do Império.

Bolsonaro foi deputado federal por sete mandatos. Sua atuação parlamentar sempre foi caracterizada pelo discurso de ódio e por visões que incluem a simpatia pela ditadura militar, a defesa das práticas de tortura  e a defesa dos interesses dos militares, que constituíam sua principal base eleitoral.

Candidato, nunca enganou ninguém na sua campanha presidencial. Pregava o armamentismo, o militarismo e o negacionismo. Foi beneficiário do medo da população e da insegurança social existente. Saiu da eleição colocando em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas pelas quais tinha sido eleito.

No governo, revelou-se um presidente que não estava à altura dos grandes desafios da Nação: a crise econômica e o desemprego, a crise social e principalmente a crise sanitária. O Brasil piora a cada dia, há um clima de desconfiança e baixa credibilidade na economia e na política. O presidente parece indiferente a isso, inclusive aos quase 600 mil mortos da Covid. Encheu seu governo de militares, mas acabou montando uma máquina pública absolutamente incapaz. Não se preocupa em governar e sim em construir crises políticas e institucionais. Usa o fracasso do seu governo como combustível para um autogolpe.

Não são poucas as semelhanças entre Brasília e Roma. Lá o “Duce”, aqui o “Mito”. Bolsonaro, diferentemente de Mussolini, já tem o poder, mas quer o poder sem limites. Não aceita as instituições democráticas, rejeita os limites da Constituição. Tem convocado e apoiado manifestações contra os outros poderes da República, inclusive com ameaças de invasão, violência física e depredações no Supremo e no Congresso. Segue o modelo desenvolvido por Trump, de quem é grande admirador.

A Marcha sobre Brasília é hoje uma preocupação no país. É uma marcha da insensatez, capaz de levar o país a grandes conflitos, no limite, a uma guerra civil, que pode dividir o país pelas armas até o enfraquecimento da unidade nacional. Essa situação interessa a Bolsonaro, pois dará justificativa para a intervenção das Forças Armadas, mantendo-o no poder.

Essa marcha tem que ser detida. Os governadores já se manifestaram nesse sentido e têm grande responsabilidade na busca de soluções. Tem que ser detida essa ameaça à democracia. Marchar sobre Brasília com a intensão manifesta de atacar o Congresso e o Supremo é crime. Marchar sobre Brasília com armas atenta contra a lei. Faixas e cartazes nesse sentido têm que ser subtraídos dos manifestantes e são prova da intenção criminosa.

Quem quiser quebrar nossas instituições democráticas não pode chegar a Brasília. Se chegar, não pode atingir a Praça dos Três Poderes. Se o fizerem, não podem se aproximar do Congresso e do Supremo. Se quebrarem vidraças, Bolsonaro terá alcançado o seu principal objetivo e estaremos todos perdidos.

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Engenheiro e professor da UFMS

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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