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A ditadura dos generais

Fátima Yasbeck Asfora - Maio 2007
 

Agassiz Almeida. A ditadura dos generais. Rio de Janeiro: Bertrand, 2007. 546p.

Vinculado à história dos mártires camponeses da Paraíba; deputado estadual cassado pelo golpe militar de 1964; promotor de Justiça; professor da UFPB e deputado federal constituinte de 1988, Agassiz Almeida, neste livro, revolve os asquerosos porões das mentes dos governantes do período militar no Brasil, que geraram ações assassinas.

A inspiração para escrever sobre este tema ocorreu em outubro de1984, quando em Buenos Aires recebeu de Ernesto Sábato um exemplar do livro Nunca mais, que trata do nazi-militarismo na Argentina. Naquela ocasião Agassiz Almeida se comprometeu não somente com aquele escritor, mas sobretudo interiormente, em refletir sobre as atrocidades daquele mesmo processo que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, do qual o próprio autor foi vítima.

“Vamos construir destinos” — respondeu Sábato, diante daquele compromisso.

Embasado por excepcional cultura geral, atento às disparidades e às inverdades da história oficial, o autor elabora uma análise sociológica como “observador participante” da ditadura, além de assinalar as causas do militarismo e o desempenho dos seus agentes, representado pelas torturas físicas e psicológicas, estas talvez as de cicatrização mais difícil.

Na condição de “sobrevivente da tragédia militaresca”, como se qualifica, Agassiz Almeida relata, com fatos fundamentais para o entendimento da história, infindáveis instantes da Nação mutilada por um Estado usurpador, fortemente armado, mas que não conseguiu destruir o sentimento de liberdade do homem, através da sua permanente luta pela democracia.

É preciso destacar que Agassiz Almeida demonstra coragem não somente para descrever fatos da nossa história, mas coragem, sobretudo, para expor suas reflexões, relacionadas com o sentimento, o emocional. Indicando possuir também humildade — prerrogativa das mentes bem formadas — para enfrentar os embates do mundo, ele nos faz entender que o lutador, o idealista, o guerrilheiro, o herói, enfim, é antes de tudo um ser humano. E por isso, em que pesem todas as suas convicções, o destemor de oferecer a vida por elas e por suas indignações, ele tem seus medos, suas angústias, seus desencontros interiores. Em meio a esse turbilhão de emoções, sobressai o sentimento de ser, daí sua responsabilidade como integrante da comunidade humana.

As ditaduras deixam devastações e marcas dolorosas, mas passam, e, com elas, os seus algozes. A Liberdade sempre triunfará. É um valor imensurável.

O livro, segundo nos parece, reitera esses valores. Renova a esperança. Acena para as novas gerações, que não podem prescindir da memória do seu povo na edificação de uma sociedade menos desigual, construção que a eles, aos jovens, sem dúvida, está entregue.

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Fátima Yazbeck Asfora é socióloga, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora de Sociologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco.



Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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