Tafaréu o cãozinho bom na defesa

23/11/04

Essa é a história de Tafaréu, um cãozinho que apesar de não ter dono, vivia solto numa tranqüila rua sem saída, na zona norte da cidade. Não se sabe como ele chegou lá. Talvez abandonado pelos seus donos maus por não querê-lo mais.

Mas o fato é que ele era um dos primeiros moradores da rua. Faceiro e muito brincalhão, ele logo foi conquistando a amizade e simpatia da vizinhança que ia chegando. Com isso, o cãozinho passou a ganhar alguns agradinhos, tais como afagos, ração, brincadeira, etc.

Pensando, talvez, em retribuir tantas gentilezas ele passou a ter um comportamento bem interessante, como por exemplo levar alguns moradores ao ponto de ônibus, principalmente à noite, e crianças ate à porta da escola sem deixar nenhum estranho se aproximar.

Certa vez Tafaréu acompanhou Marta, uma das moradoras da sua rua, até o curso supletivo do bairro e resolveu entrar instalando-se debaixo da carteira escolar. Claro que ele não pôde ficar para assistir as aulas de física, matemática, português (O comentário é que ele até latiu para o professor querendo responder algumas perguntinhas, porém o professor não sabia a linguagem canina, hehehe).

Aos domingos lá ia Tafaréu à Igreja escoltando os moradores, sempre ficando respeitosamente do lado de fora, quietinho, esperando a missa terminar. Segunda, quarta e sextas-feiras acompanhava Dona Isabel nas caminhadas matinais.

O cão também adorava "fazer uma boquinha" nas festinhas de confraternização entre os vizinhos, estando sempre presente nas festas juninas, natal, quermesses ou qualquer outro evento. Só não gostava das comemorações do Ano Novo por causa dos fogos de artifícios (Você sabia que os cãezinhos ouvem muito mais que a gente? Uma bombinha parece uma enorme explosão para eles. Pense nisso quando soltar uma pertinho deles, tá?).

Tudo transcorria tranqüilamente até acontecer um fato novo: o antigo carteiro foi substituído por um rapazinho que morria de medo de cachorro. No seu primeiro dia de trabalho, o rapaz deparou-se com Tafaréu deitado preguiçosamente na calçada, tomando banho de sol. Ao notar sua presença, o cãozinho apurou a visão e logo percebeu que aquele não era o velho e bom carteiro de sempre, por isso não permitiu que as correspondências fossem entregues.

Estava formado o impasse: de um lado o fiel Tafaréu que não aceitava o novo carteiro por achar que ele era uma ameaça para os moradores da rua, do outro, o carteiro que só pretendia realizar o seu trabalho.

Foi então que Glorinha, uma das residentes da rua, teve a idéia de estreitar os laços de amizade entre o cãozinho Tafaréu e o novo carteiro usando salsichas....

O esquema funcionou da seguinte maneira: cada morador, voluntário, ficou responsável por cercar o carteiro nos dias da entrega das correspondências e levar a salsicha para que o carteiro oferecesse ao Tafaréu como símbolo de paz e amizade.

Na primeira vez, Tafaréu ficou meio desconfiado, afinal de contas ele não era um cão para ser enganado com uma simples salsicha, e o carteiro meio trêmulo, mas como os moradores estavam por perto estimulando a negociação de paz, o cãozinho resolveu aceitar.

Depois do terceiro dia, Tafaréu era o primeiro a ir ao encontro do carteiro abanando o rabinho, aos poucos a salsicha já não era mais necessária e os dois tornaram-se bons amigos.

Hoje, Tafaréu continua morando na tranqüila rua sem saída, na zona norte da cidade. Mas agora ele ganhou um lar. Foi adotado por um dos moradores que reconheceu o quanto o cãozinho é bom de defesa e amigo, ficando no quintal da casa dele e sem deixar de proteger toda a vizinhança.

A história acima contada é real e esta acontecendo naquele bairro, pois Tafaréu, apesar de velhinho ainda solta seus latidos por lá. Ele é o que chamamos de CÃO COMUNITÁRIO, que é um cãozinho que embora não tenha dono é adotado pela comunidade local.

Essa historinha teve um final feliz graças a compreensão, o respeito e o carinho de várias pessoas pelos animais, entretanto ela poderia ter tido um desfecho triste, por isso não devemos arriscar deixando nossos animaizinhos de estimação soltos na rua e nem abandoná-los.

TRATEM SEUS ANIMAIZINHOS DE ESTIMAÇÃO COM CARINHO, ELES SÃO GRANDES AMIGOS!

Autoria: Rose Mary Delego
Revisão: William C. C. Almeida
* Sociedade Juizforense de Proteção aos Animais

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