Juiz de Fora realiza menos cirurgias estéticas em animais
As cirurgias estéticas não trazem qualquer benefício
para os animais e são cada vez menos procuradas

Marinella Souza
*Colaboração
03/07/2008

Desde março de 2008 as cirurgias estéticas estão proibidas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, visando o bem-estar dos animais.

Procedimentos como corte de orelha e retirada das cordas vocais de cães, e retirada das unhas dos gatos só devem ser feitos sob orientação do veterinário. Em Juiz de Fora, o veterinário Ricardo Palhares (foto abaixo) comemora a proibição.

Segundo Palhares, cada vez menos pessoas chegam à sua clínica procurando por esse tipo de cirurgia. "As pessoas estão se conscientizando de que esses procedimentos são desnecessários".

O veterinário garante que "mesmo para animais de exposição isso já está deixando de ser tão fundamental porque existem características de raça muito mais importantes do que a orelha", diz.

Palhares explica que as cirurgias estéticas começaram a ser questionadas com o crescimento da consciência sobre o bem-estar animal. "Essa é uma discussão que começou nos Estados Unidos e na Europa e o Brasil acabou importando mais esse comportamento".

Foto: Ricardo
Palhares Com mais de 30 anos de profissão, o veterinário se recusa a fazer esse tipo de procedimento há dez anos, alegando que o benefício é só para os humanos, não para o animal. "O corte nas orelhas de um animal como o doberman, por exemplo,só serve para dar a ele um ar mais agressivo".

Sobre a alegação de que as orelhas grandes trariam problemas com higiene ou infecções no ouvido, Palhares garante que isso não passa de mito. "Os animais de orelhas maiores como cocker spainel, poodle e outros são os campeões de problemas na orelha, mas isso é uma característica da raça. O doberman, por exemplo, não tem tendência a esse tipo de problema".

Foto: cão na
coleira Apesar de ser contra as cirurgias estéticas, Palhares chama a atenção para o risco de elas serem feitas por pessoas não capacitadas. "Se a população não se conscientiza de que isso é uma forma de maltratar o animal, vai levar para um leigo fazer e aí os riscos vão ser maiores porque não vai ter os cuidados adequados".

Entre as raças que mais são submetidas a esse tipo de procedimento estão: schnauzer, pinscher, boxer, doberman, dog alemão, pit bull, dog argentino. Os proprietários que não cumprirem a proibição estão sujeitos à multa e a um processo ético penal.

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF

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