Garoto de cinco anos tem biblioteca com quase mil livros João Gabriel aprendeu a ler aos três anos porque tinha
curiosidade de entender as palavras

Marinella Souza
*Colaboração
04/11/2008

O pequeno João Gabriel Alves Dayrell Drummond (foto ao lado) ganhou seu primeiro livro aos oito meses de idade, aos três já sabia ler e hoje, com cinco anos, junto com o irmão, Pedro Inácio (foto abaixo com João), de dois anos, tem uma biblioteca com 998 livros infantis.

O interesse pela leitura encontra respaldo nos hábitos dos pais. A mãe Liliana Alves (foto abaixo, entre os filhos) conta que sempre gostou de ler e João Gabriel convive com isso desde que nasceu. Ela lê cerca de cinco livros ao mesmo tempo e sempre incentiva o filho.

"A gente viaja muito e desde novinho o João já identificava as marcas das placas na estrada e, por associação, juntava as letras. Ele sempre foi muito curioso e ficava perguntando o que dava a junção das letras que ele conhecia e não tinha como sonegar essa informação para ele", conta.

Aos poucos, o garoto foi aprendendo e tomando gosto pela leitura. Dos quase mil livros que ele tem na sua biblioteca, já leu todos, alguns várias vezes. Por quê? "Eu gosto muito de ler para conhecer as histórias e aprender as coisas", declara enquanto lê as regras de um jogo para o irmão mais novo.

João Gabriel e Pedro Inácio lêem na biblioteca O menino revela que lê em qualquer lugar, seja na biblioteca de casa ou no quarto e está sempre criando oportunidades para a leitura. "Quando eu faço alguma coisa errada e fico de castigo, eu leio alguma coisa."

Liliana conta que já até perdeu o posto de "contadora de histórias" para João. "O Pedro prefere que o irmão conte as histórias para ele", diz. João Gabriel se orgulha disso. Ele adora passar o tempo divertindo o irmão com as histórias dos livros que ele já leu e releu várias vezes. "Eu leio e vou mostrando as figuras para ele e ele gosta muito!"

Exemplo vem de casa

Para quem pensa que é muito difícil fazer uma criança tão pequena se interessar pelos livros, Liliana explica que é fácil, fácil porque os livros por si só já encantam. "O apelo visual dos livros infantis, hoje em dia, é muito grande. Eles são como brinquedos e as histórias são ótimas. Toda criança gosta", acredita.

Mas incentivar o hábito da leitura só, não basta, é importante dar o exemplo. "Eu costumo brincar que pai tem que ser um pouquinho mentiroso. Não pode contar que era mau aluno, que ficava de castigo... nada disso. Essa mentirinha de leve é válida na hora de educar. Se os pais não gostam de ler, têm que se esforçar para dar o exemplo", ensina.

Dar um livro de presente para João (e até para o caçula) é garantia de um largo sorriso no rosto. "Eles ficam bem empolgados quando ganham livros. É como um brinquedo qualquer", garante. E João confirma. "Eu gosto. Só não gosto quando é livro repetido", confessa.

João Gabriel, Liliana e Pedro Inácio se divertem no meio de vários livros Nem só de livros é feita a rotina de leitura do pequeno João Gabriel. A mãe também ensina a ler revistas. Apesar da pouca idade, ele já tem duas assinaturas de revistas destinadas ao público infantil. "Eu gosto de mostrar para eles que não é só a leitura de livros que é importante. Eu também assino revistas e ensino esse hábito para eles. Todo tipo de leitura é válido."

Os passeios da família, invariavelmente, acabam em livrarias. Assim como os pais, as crianças se divertem nesse ritual. "Hoje as livrarias oferecem espaços para as crianças, elas entram lá e se divertem folheando os livros, vendo as figuras e se interessam. Mas eu mostro também que pode comprar livro em qualquer lugar. Não quero que eles fiquem atrelados a esse ritual. Compramos livro até em supermercado", ressalta.

Tecnologia ou livros?

Vivendo em um mundo em que computadores e jogos eletrônicos estão a todo momento chamando a atenção das crianças para sons, cores e movimentos, João Gabriel não deixa de se interessar por essas coisas, mas Liliana regula ao máximo.

"O vídeo-game fica guardado e o João só brinca com ele quando merece, assim mesmo, só à noite. Esses dias ele fez um teste na escola e se saiu bem, aí conquistou o direito de brincar um pouco."

João Gabriel e Pedro Inácio lêem na cama em meio a vários livros E se você está pensando que o menino reclama, está enganado. "Eu gosto mais de brincar com os livros e jogar futebol", diz o garoto que, desde que trocou de escola, não perde uma oportunidade de "bater uma bolinha", mesmo quando não tem bola. "Ele faz tudo de bola, até o que não deve", entrega Liliana.

Quanto ao computador, o acesso também é restrito. É Liliana quem acessa a internet para ele, mas sendo ainda novinho, não se interessa muito por isso. "Eu gosto de entrar no site do Jetrix", conta. E a mãe explica que "Jetrix" é um desenho que ele adora e, na página da internet, eles oferecem um perfil dos personagens.

Liliana conta que os meninos têm um "quadro de merecimento" que funciona da seguinte maneira: cada vez que eles fazem algo positivo, ganham uma estrela e quando completam sete estrelas, têm direito a um presente. E o que as crianças escolhem? Livros, claro!

Ainda mais agora que os pequenos estão na contagem regressiva para completar logo os mil livros. É que a mamãe prometeu que quando conquistarem o milésimo livrinho vai ter uma festa especial: a "festa dos mil".

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF

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