Uso de chupeta por bebês menores de um ano diminuiA redução, registrada em todo o Brasil, é encarada como positiva
por profissionais da cidade

Aline Furtado
Repórter
7/8/2009
José Roberto

Pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério da Saúde revela que o uso de chupetas por crianças menores de 12 meses de idade caiu 15,1% entre os anos de 1999 e 2008. De acordo com o levantamento, a redução foi percebida em todas as regiões do país.

Conforme os dados da pesquisa, em 1999, 57,7% dos bebês com menos de um ano de idade usavam chupeta no Brasil. No ano passado, este percentual caiu para 42,6%. O estudo considerou as 27 capitais e outros 239 municípios, totalizando 118 mil crianças.

Para a odontopediatra Maria Célia Rosa de Medeiros, os dados divulgados pelo Ministério da Saúde são positivos, já que em algumas áreas do Brasil, por questões econômicas, as crianças não têm acesso à chupeta ortodôntica, recomendada por alguns profissionais da saúde. Maria Célia explica que o uso da chupeta pode acarretar alterações na arcada dentária, principalmente quando a criança já tem predisposição genética para desenvolver problemas referentes à dentição.

O bico artificial pode ocasionar mordida aberta, que faz com que o bebê respire pela boca, principalmente no período noturno. Com isso, a boca tende a ficar ressecada e o aparecimento de cáries é facilitado. Entretanto, Maria Célia ressalta que os bebês têm necessidade de sucção, que nem sempre é suprida com a amamentação. Nestes casos, a chupeta pode ser utilizada com a intenção de acalmar. "Não sou contra o uso, mas é necessário que o tempo certo de tirá-la seja respeitado. O ideal é que a mesma seja utilizada até, no máximo, os três anos de idade."

A odontopediatra orienta que a chupeta deve ser tirada da criança aos poucos, como durante os finais de semana, por exemplo. "Mas deve haver uma troca, ou seja, a criança entrega a chupeta e recebe de volta atenção e carinho."

Para Maria Célia, é importante que a troca do bico artificial seja feita de dois em dois meses para que a saúde do bebê não seja prejudicada pelo desgaste do silicone ou do látex. Outra dica é esterilizá-lo periodicamente. Além disso, não deve ser dispensada a visita ao odontopediatra.

Para a pediatra Patrícia Boechat, o uso de chupetas e mamadeiras deve ser evitado. "O ato de sucção do seio da mãe é diferente do ato de sucção de bicos artificiais. O ideal é que as mães amamentem o maior tempo possível e que recursos como chupetas e mamadeiras não sejam utilizados como forma de acalmar a criança."

Mãe do pequeno Gustavo, de 11 meses, a jornalista Gislene Rodrigues, conta que, durante a gravidez, não tinha a intenção de oferecer chupeta ao filho, devido ao receio de o uso provocar má formação na arcada dentária da criança. Mas, depois do nascimento, Gislene acabou optando pelo uso, a fim de acalmar o bebê em momentos de choro. Ela conta que aos três meses de idade, Gustavo substituiu a chupeta pelo dedo. "Quando Gustavo usava a chupeta, o controle era mais fácil, mas com o dedo, fica impossível."

Para a odontopediatra Maria Célia, em casos como o de Gustavo, a mãe deve insistir para que o filho volte a usar a chupeta. Isto, porque é muito mais difícil tirar da criança o hábito de chupar dedo.

Uso de mamadeira

A pesquisa do Ministério da Saúde abordou, ainda, o uso da mamadeira por crianças menores de 12 meses. Este dado foi considerado, porque, assim como a chupeta, a mamadeira também é classificada como "bico artificial".

Os dados do levantamento, referentes ao ano de 2008, apontaram que, para o total de crianças analisadas, 58,4% fazem o uso de mamadeira. A região que apresentou maior índice de uso foi a Sudeste, com 63,8%, enquanto que a região Norte apresentou o menor índice: 50%.

Diferenças culturais

Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que diferenças culturais entre as regiões Norte e Sul/Sudeste interferem tanto no uso da chupeta quanto da mamadeira.

Esta conclusão pode ser compreendida pelo fato de existir forte presença de populações indígenas na região Norte. Já nas regiões Sul e Sudeste, a mulher se distancia do filho devido a questões profissionais, o que faz com que recursos como bicos artificiais sejam utilizados mais amplamente.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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