Teste da orelhinha é importante no diagnóstico precoce da surdezEntre uma e três crianças são diagnosticadas com deficiência auditiva a cada mil nascimentos. Teste é obrigatório em recém-nascidos

Victor Machado
*Colaboração
24/2/2012
Teste da Orelhinha

O avanço da tecnologia tem possibilitado o descobrimento precoce de doenças. Desde 2010, o teste da orelhinha ou triagem auditiva neonatal, tornou-se obrigatório em crianças recém-nascidas. O exame é fundamental para o diagnóstico e a intervenção, caso seja detectada alguma deficiência auditiva. O teste é complementar ao teste do pezinho e deve ser feito ainda na maternidade. Segundo dados do Governo Estadual, entre uma e três crianças são diagnosticadas com deficiência auditiva a cada mil nascimentos.

De acordo com o otorrinolaringologista e professor da residência em Otorrinolaringologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Agenor Alves de Souza Júnior, o exame deve ter a mesma importância do teste do pezinho. "A incidência de surdez nas crianças é maior que as de outras doenças diagnosticadas no teste do pezinho. O exame é fundamental principalmente em casos de partos de alto risco, em que a mãe teve alguma infecção, rubéola, por exemplo. Quanto mais precoce for diagnosticada a doença, melhor."

Souza comenta que o exame é feito obrigatoriamente na maternidade, mas, o ideal é fazê-lo quando o bebê tem mais de 30 dias. Ele explica que o teste feito no recém-nascido pode apresentar falsos resultados. "Líquido amniótico, cera, gripe podem alterar o resultado. Portanto, se apresentar alguma deficiência, o certo é refazer o exame e partir para outros diagnósticos mais profundos."

O exame é feito por meio de um aparelho que capta as emissões do ouvido. "O ouvido normal também emite som, entre 10 e 20 decibéis. Através do aparelho, é possível captar essa energia. Se der positivo, é porque a audição é normal." O resultado é emitido imediatamente. A partir do diagnóstico, é possível saber qual o tratamento será feito para que a criança tenha alguma forma de linguagem. "Para quem não tem audição, passar a ter alguma coisa já representa muito. Óbvio que não ficará perfeito. A precocidade do diagnóstico permite utilizar a plasticidade do sistema nervoso central, o que ajuda a desenvolver um pouco a audição."

O tratamento e o desenvolvimento da audição dependem do grau de lesão detectado. Nos casos mais graves, é necessário um implante coclear, na parte anterior do labirinto, popularmente conhecido como ouvido biônico. Mas, o médico afirma que o tratamento só é possível a partir dos seis meses de idade. "Existem dados de que, nos Estados Unidos, a idade mais precoce que conseguiram foi entre seis e nove meses. A partir dos seis meses é o ideal. Até porque, antes disso, é delicado fazer alguma intervenção em um recém-nascido." 

Ubá é referência na região

O Hospital Santa Izabel, em Ubá, tornou-se referência na realização do teste pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2009, já foram avaliadas 3.932 crianças. A unidade adquiriu o equipamento de emissão otoacústica com recursos do Programa de Fortalecimento e Melhoria da Qualidade dos Hospitais do SUS (Pro-Hosp), do Governo de Minas.

O hospital atende 20 municípios da microrregião e as crianças de outras cidades têm seus exames agendados por meio do Programa Saúde Família e das secretarias de saúde municipais. A unidade tem capacidade para realizar 120 exames por mês, o que equivale a uma média de seis testes do SUS ao dia.

*Victor Machado é estudante do 8º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

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