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    Atenção, é mentira! Os chamados "hoaxes" espalham boatos por e-mail, causam transtorno e, simplesmente, disseminam a insegurança na Rede

    Ricardo Corrêa
    Repórter
    07/03/2006
    Clique no ícone ao lado e aprenda algumas dicas que vão ajudá-lo a indentificar um e-mail de boato, os chamados "hoaxes"

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    A cobra não mordeu nenhuma criança na piscina de bolinhas do McDonald's. E também não existe nenhum registro de homem que tenha sido derretido em tanque de Coca-Cola. Kuat não dá câncer e nem a Ambev nem a Ericsson estão dando kits de brinde por e-mail. Roberto Jefferson está vivo, o Papa Bento XVI não está sendo acusado de pedofilia, o ursinho de nome "jdbgmgr.exe" não é um vírus e o site de relacionamentos Orkut, por enquanto, não será pago.

    Também não é verdade que o Banco do Brasil está dando seguro de vida grátis por e-mail, ou que o monitor da Toshiba pode sofrer uma "implosão" a qualquer momento. O Big Brother não avisará por e-mail se você for o escolhido e seu amigo não deverá colocar um link para as fotos de seu namorado ou sua namorada traindo você. Se você já leu ou acreditou em alguma dessas histórias, você foi vítima de "hoaxes", ou simplesmente "boatos por e-mail".

    Eles invadiram a rede. Alguns são grosseiros, com frases mal escritas e informações pouco prováveis. Ou alguém realmente imagina que a Nasa está encobrindo a informação de uma nuvem de poeira cósmica que atingirá a Terra e destruirá todos os seres humanos? Mas há também aqueles que tentam ludibriar o internauta usando logomarca de empresas e órgãos e nomes fictícios de diretores de corporações e institutos.

    Mas se parar para pensar, não é tão difícil criar um "hoax" hoje em dia, e por isso a desconfiança já deve fazer parte do repertório de sensações de quem abre sua caixa de e-mails. Com um programa de edição de imagens, é fácil inserir a logomarca de um banco, do Tribunal Regional Eleitoral, da Receita ou de um veículo de informação em uma mensagem de e-mail. Para criar um nome também é fácil. Basta juntar dois ou três sobrenomes, criar um endereço ou copiar um existente para dar credibilidade. Mas, essa facilidade, muitas vezes não é levada em consideração pelo internauta.

    A sensação de segurança na frente do computador é apontada pelo diretor técnico da ACESSA.com, Sérgio Guimarães de Faria, como o maior problema da propagação dos hoaxes na internet atual. "É importante que a pessoa tenha a noção de que a internet reflete, em mesmo grau, ou em proporções maiores, o mundo cão que a gente vive nas ruas. Um mundo em que tem gente boa e gente ruim. Gente bem intencionada e gente mal intencionada. Mas muitas vezes as pessoas acham que estão protegidas na frente do computador. Na verdade é o contrário porque, separados por computadores, por uma rede, é muito mais fácil realizar uma ação como essa sem pudores, sem constrangimentos", explicou, dando um exemplo simples, daqueles que os pais e mães sempre dizem aos filhos. "As pessoas não têm senso crítico na frente do computador igual na rua. Se alguém lhe oferece uma bala na rua, você logo desconfia. Pensa: espera, aí, quem é essa pessoa? Será que tem alguma coisa nessa bala? Na internet não, as pessoas aceitam com mais facilidade", explica.

    A facilidade de retransmissão proporcionada pela internet e a dificuldade que as pessoas têm de distinguir a realidade da ficção deixa-as mais vulneráveis. O que muitas vezes é só um boato, outras vezes é usado como arma para ações ainda piores.

    "Existe o chamado vírus social. Seu propósito é disseminar a insegurança. Chega quase ao ponto de dizer para a pessoa sair correndo e pular pela janela que o monitor vai explodir", explica ele, traçando, no entanto, uma diferença para o categorias que podem ter conseqüências piores. "São aqueles e-mails que induzem o cara a clicar sobre o link instalando um programa no computador, um cavalo de tróia que se torna uma porta para o roubo de informações bancárias e outros dados usados pelas quadrilhas de hackers", diz.

    Muitas vezes os boatos são usados com esse intuito, como é o caso dos e-mails "Você está sendo traído", que traz um link para as fotos, que nada mais é do que um botão para a instalação de um cavalo de tróia. Atualmente é freqüente que se receba também um e-mail com a logomarca da Folha de São Paulo, no entanto com outro provedor, com um texto sobre o suposto assassinato do deputado Roberto Jefferson, também com um link para ser clicado.

    O caso do arquivo do ursinho é clássico. O ursinho nada mais é do que um arquivo normal utilizado pelo Windows, que nada tem a ver com nenhum vírus. Ao sugerir que as pessoas vejam em seus computadores se possuem o ursinho, os criadores deste boato acabam induzindo o internauta a achar que aquilo é um vírus e deletar o arquivo. Na verdade o arquivo não deve ser deletado.

    Desmascarando a mentira

    A irmã do estudante Felipe Mendes (foto ao lado), 20 anos, já acreditou neste e-mail várias vezes, e por isso o estudante perdeu a paciência com os "hoaxes". Além de não acreditar e não repassar os e-mails que recebe, ele ainda costuma responder aos amigos que mandam este tipo de e-mail.

    "Se é uma pessoa mais próxima, eu falo, e falo de forma não muito educada", explica Felipe, que reconhece que faz diferença até na forma que vê o destinatário. "O mais comum é confirmar o que você já pensa, né? Normalmente são as pessoas mais "ingênuas" que passam, e você confirma a partir daí", explica ele.

    Quem faz coro com Felipe Mendes é a estudante de psicologia Cristina Veríssimo (foto ao lado), 18 anos, que também acaba sem querer tirando crédito de quem acredita e envia um "hoax". Mas ela prefere não responder. "Isso pra mim parece falta do que fazer. Mas com certeza existe também um pouco de maldade. E mais falta do que fazer é de quem repassa. Eu acabo deixando pra lá, apenas não repasso. E, com certeza, faz diferença na forma que eu vejo as pessoas. Acho um horror alguém repassar isso. Acreditar em algo assim", diz Cristina, que não lembra quantas vezes já recebeu o pedido para apagar o "ursinho" de seu computador.

    Felipe Mendes acha que a pior de todas as histórias que recebeu foi o boato sobre o câncer do Guaraná Kuat. Mas ele lembra de outras, como a que prometia um celular para quem repassasse o e-mail. Ele garante que não repassa, mas reconhece que, quando começou a usar a internet, pode ter caído em alguma armadilha desse tipo.

    "Sinceramente, se repassei foi há muito tempo, por piedade, algo do tipo "ajude a criança". Mas se realmente repassei, foi há bastante tempo, quando comecei a usar a internet. Detesto forwards (repasses) de e-mail. Não mando nem as melhores piadas que recebo", conta Felipe, referindo-se aos e-mails que prometem dinheiro a crianças carentes caso sejam repassados.

    Assim como ele, Cristina também confessa quase ter acreditado em alguns deles, mas diz ter resistido. "Eu sinceramente já quase acreditei em algum, por parecer real, mas na maioria são realmente ridículos e eu odeio".

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