Traços da cidade
Arquitetos levam Juiz de Fora para a
5ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design

Tâmara Lis
15/09/03

O trabalho entre Hérmanes Abreu e Rogério Aguiar (foto) resultou de uma conversa "pra lá de proveitosa" que rendeu a Juiz de Fora o privilégio de, mais uma vez, expor os trabalhos de profissionais locais na 5ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design que acontece neste ano em São Paulo.

Em 2003, foram selecionados cem projetos e mais 120 obras foram construídas em maquetes para serem expostas. Dentre estes projetos, estão os quatro enviados pelos arquitetos juizforanos: a Revitalização do Rio Paraibuna (Rogério Mascarenhas), Privilège, (Rogério Mascarenhas), Revitalização do Córrego do Yung, (Hérmanes Abreu), e Aeroporto Regional, (Hérmanes Abreu e Rogério Aguiar).

Um resultado que tem tudo para ser comemorado. "A cidade que estava, praticamente, ausente da última edição do evento tem agora 3% da Bienal", comemora Rogério. Esta foi a primeira vez que os arquitetos enviaram projetos para o evento internacional. Os trabalhos ainda farão parte do livro editado pela organização do evento.

Os arquitetos, que tem escritórios separados comemoram a vitória conjunta. Rogério Mascarenhas conta que na última bienal não havia uma limitação quanto ao número de projetos enviados. "As pessoas mandavam livremente seus projetos havia então mais de 750 projetos. Devido ao número muito grande resolveram fazer uma seleção" explica.

Unindo forças
Dos quatro projetos enviados, o único que os arquitetos trabalharam de maneira conjunta foi o do Aeroporto Regional. "O trabalho conjunto entre dois arquitetos é difícil se os dois profissionais não combinam. Eu sei de vários casos de arquitetos trabalhando juntos nos quais realmente saiu faísca. Mas eu não gosto de trabalhar com dificuldade. Com o Rogério foi diferente foi a primeira tentativa nossa e eu acho que deu um bom resultado. Já estava repercutindo bem nacionalmente e agora com a Bienal vai repercutir mais ainda", comemora Hérmanes.

Segundo os arquitetos, já havia um projeto para o aeroporto mas nenhum dos dois gostou muito do que viu. "Eu olhei aquele projeto e achei um projeto um absurdo: aqui em Juiz de Fora não!", ressaltou Rogério.

Hérmanes explica que, algumas vezes, a Infraero aproveita um projeto em vários lugares. O que iria ser feito em Juiz de Fora erao mesmo projeto feito em Aracaju, na década de 80 e, na opinião dos profissionais, já estava ultrapassado.

Contra tudo e contra todos

Hérmanes e Rogério chamaram um consultor na parte de aeronáutica que orientou e dimensionou a obra dando a orientação técnica. "Então, o Itamar Franco gostou muito do projeto e se espantou com o custo da obra que ficou bem próximo ao que eles tinham. Quando projetamos, já calculamos um custo para não ficar inviável o empreendimento", explica Hérmanes.

Assombrados, Hérmanes e Rogério contam que a idéia inicial, atacada firmemente por eles, era simular uma casa grande de fazenda no Aeroporto Regional. "Vimos que era preciso um toque regionalista, mas não precisava de tanto. Por isso pensamos em fazer algo que lembre uma estação de trem que no passado significava a porta de Minas Gerais", explica Rogério.

Juiz de Fora cidade bela?
Na visão dos arquitetos, vivemos em uma cidade bonita? Bem, a resposta pode não agradar a todos. Hermanes e Rogério concordam que a cidade tem pontos bonitos sim, mas afirmam que há muito a ser feito por aqui.

Começando por acabar com a devastação. Os profissionais são unânimes em afirmar que a cidade deveria ser mais bem pensada. "Juiz de Fora está pouco a pouco apagando a machester mineira", denúncia Rogério.

Hérmanes e Rogério ainda fazem um alerta: "Juiz de Fora tem que acreditar mais em si mesma e nas pessoas que vivem. Tem que parar de falar que tudo daqui é problema, que aqui rola pouco dinheiro. Temos que trabalhar aqui e trazer o dinheiro para cá. O que não pode é procurarmos projetos em outras cidades porque as pessoas daqui não acreditam nos profissionais de Juiz de Fora. Temos muitos bons profissionais", desabafam os arquitetos.

Quer saber se eles tem razão? Clique nos links abaixo e confira os projetos que levaram Juiz de Fora para a 5ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design.


Revitalização
do Paraibuna

Córrego do Yung

Privilége

Aeroporto Regional



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