Mandala tridimensional
São poucas as pessoas que sabem fazer este tipo de artesanato. Os mandaleiros selecionam quem vai aprender


Sílvia Zoche
Repórter
27/10/05

Clíque no ícone ao lado para aprender a história que pode ser contada com dez formas da mandala tridimensional. Quem conta é o artesão Thales Gomide



A magia das mandalas de arame tridimensionais, como a da foto ao lado, despertou o interese de Thales Gomide, 26 (foto abaixo, à direita), quando ele ganhou uma aos 12 anos, em São Tomé das Letras (MG). "Fui à São Tomé pela excursão da escola e esta mandala me servia como um amuleto", conta.

Até que em 2002 - época em que Thales já morava em Arraial D'Ajuda (BA) - ele aprendeu a fazer uma mandala, pela primeira vez. "Eu estava deitado na rede, em um camping, sem fazer nada e um conhecido veio me ensinar, sem eu pedir. Aceitei e, hoje, é meu meio de renda", diz.

Quem faz mandalas é conhecido como mandaleiro. E, a técnica não pode ser ensinada para qualquer pessoa. Segundo Thales, é preciso selecionar bem pra quem vai aprender. "Até hoje, mostrei apenas para umas três pessoas", diz.

Se, por algum motivo, o mandaleiro não estiver bem, ele não consegue produzir a mandala. "Isso é bom, porque ao fazer uma mandala, nós passamos nossa energia pra ela, assim como só compra a mandala quem estiver com energia boa", afirma.

Outro motivo que faz a mandala ser produzida por um grupo seleto de pessoas é a renda que ela proporciona. "Esta é uma forma de manter o negócio de vendas das mandalas mais rentável... quanto menos gente fazendo, maior o valor", explica.

Em Juiz de Fora, ele vende, em média, a R$ 10, mas em São Paulo, o preço pode sair a R$ 25. "Estou sempre viajando e levando as mandalas. Consigo produzir umas dez por dia e vendo todas", afirma. Fazendo os cálculos, em JF ele fatura cerca de R$ 100 por dia e em São Paulo, R$ 250.

Uma das pessoas que Thales ensinou foi Aylton Viana de mendonça, 22 (foto acima, à esquerda). "Tenho muita sorte dele ter me ensinado, há dois anos. Já viajei pra Bahia com o dinheiro que consegui nas vendas", garante.

Mas uma coisa eles podem revelar: o material necessário para fazê-la. Arame latão (dourado) ou opaca (prata), além de miçangas, pedras ou sementes para decorar, além de um alicate (desses usados para bijuterias). "Em Juiz de Fora, este tipo de arame não é vendido. Quando estou aqui na cidade, consigo de um cara que compra em Belo Horizonte e revende pra mim", diz.

História do universo
A mandala tridimensional que Thales faz é um objeto com diversos movimentos e formas, como o de um disco-voador e de um átomo. Através de movimentos subseqüentes, os mandaleiros contam a história do universo. "Cada um conta a história do seu jeito. Eu já tenho a minha. Quando vou de mesa em mesa nos bares, eu conto a história e a pessoa se interessa, mas ela vai criar a forma de contar", explica.

Formas de mandala
A mandala estimula a criatividade, porque é possível fazer diversas formatos. Aylton já vendeu para uma fisioterapeuta, com o objetivo de estimular a função motora de crianças e Thales já vendeu para um psiquiatra, para utilizá-la durante as terapias com os pacientes.

Veja os dez formatos possíveis para contar a história do universo.

Vazio Átomo

Sistema Solar Planeta Terra

O bem e o mal Bomba atômica

Tambor Cartola

Coroa do rei Disco voador

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