Maquiagem corporal
As pinturas corporais são sucesso no Carnaval. Em Juiz de Fora,
um especialista ensina os truques desta arte

Sílvia Zoche
Repórter
09/02/06

Veja a matéria sobre a maquiagem corporal. O entrevistado foi o maquiador e cabeleireiro Luiz Delfino, que trabalha com make up artístico há nove anos. Clique no ícone ao lado!

Veja!

Ser diferente, a mais criativa, a mais bonita no carnaval. Muitas mulheres querem se destacar nas passarelas do samba e do axé. Que tal inovar com uma fantasia bem colada na pele? Realmente, é pra quem está com o corpo em cima, sem nada fora do lugar. A roupa, na verdade, não existe. Somente um tapa sexo. Calma! O corpo fica coberto por uma pintura com motivos carnavalescos. É a maquiagem corporal ou make up artístico.

Em Juiz de Fora, o cabeleireiro e maquiador Luiz Delfino, é responsável por esta arte e usa tintas especiais, que secam rapidamente. "Como não tem tinta para este tipo de trabalho aqui na cidade, mando manipular as tintas em laboratórios químicos. Até existe tinta pronta pra comprar no Rio de Janeiro, mas são vendidas em grandes quantidades", diz Delfino, que trabalha com este tipo de maquiagem há nove anos.

Os tipos de tintas usadas são feitas para que a pessoa possa transpirar e não tenha reação alérgica. Também não se deve cobrir mais de 50% do corpo. "As pessoas precisam entender que não se pode usar qualquer tinta. Já vi casos de pessoas que quiseram fazer por conta própria e estão com problemas dermatológicos sérios até hoje", alerta Delfino.

A tinta agüenta quatro horas no corpo, sem ser retocada. Delfino garante que mesmo que joguem água, a tinta não escorre. "Já pintei sambistas da Real Grandeza, por exemplo, em 2003, e da Turunas, em 2005 e para bailes de carnaval. Já fiz este trabalho, também, em Rio Novo, Andrelândia, Santos Dumont, Matias Barbosa e Belo Horizonte. Mas os eventos que mais faço são as micaretas. Gosto muito de fazer o Recifolia (Recife), Carnatal (Natal) e Precaju (Sergipe)", confessa.

Apesar de não cobrir o corpo por inteiro, o maquiador prefere deixar a maior parte possível maquiada. "A minha intenção é mostrar que este trabalho é uma espécie de arte. Se existe modelo como tela viva para o pintor, porque não neste trabalho?", questiona.

A modelo Brenda de Assis, 18 anos, se diz à vontade durante a maquiagem, mesmo sendo a primeira vez. "O Delfino conversa o tempo todo e não tem porque ficar constrangida", diz.

Neste make up, que remete à Copa do Mundo, Delfino demorou cerca de 1h30 para terminar. Em maquiagens mais elaboradas, como as abstratas, ele costuma pintar em quatro horas. Por isso, ele não gosta de pintar homens. Além de terem muito pêlo, não têm paciência de esperar. "É bem complicado. Eles não conseguem ficar parados".

A criação
Delfino já era cabeleireiro e maquiador - não de corpo - quando o convidaram para pintar duas modelos com a logomarca da empresa em que trabalhava. Ele topou o desafio, "mas não ficou legal". Ele não desistiu e procurou um curso de maquiagem artística.

"Os detalhes desta arte eu descobri por conta própria". Para saber o tipo de tapa sexo, Delfino pagou uma consulta com um dermatologista. A firmeza nas mãos é outro detalhe importante, além de quase não encostar as mãos na modelo.


Hoje, ele se orgulha do que faz e deixa a pessoa pronta dos pés a cabeça para brincar o carnaval. "Fico feliz de saber que tenho a capacidade de fazer uma coisa que nem todos sabem. Criar os desenhos é gratificante. O dia que eu fizer um curso de desenho, acredito que meu trabalho será ainda melhor", diz.

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