Pitanguy faz palestra em JF O professor e cirurgião plástico fala sobre a importância da cirurgia plástica

Sílvia Zoche
Repórter
25/10/06

Leia a entrevista exclusiva que a ACESSA.com fez com o professor e cirurgião plástico Ivo Pitanguy um dia antes de sua palestra em Juiz de Fora sobre a importância social sobre a cirurgia plástica.

Clique e leia a entrevista com o cirurgião plástico Ivo Pitanguy!

Foto do cirurgião plástico Ivo Pitanguy
Foto: Frederico Mendes
Reconhecido no mundo todo pelo seu trabalho em cirurgia plástica, Ivo Pitanguy é chamado de professor em sua clínica. Não é à toa. Afinal, se dedicou à especialidade, estudando na década de 1950 fora do Brasil em uma época difícil de se conseguir conhecimento na área para a prática da profissão.

Pitanguy criou o curso de pós-graduação em cirurgia plástica na PUC-Rio, lançou diversos livros, publicos vários artigos, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1990, recebeu o Prêmio Cultura pela Paz do Papa João Paulo II, entre outros feitos.

Isso tudo porque sua maior preocupação é mostrar que a cirurgia plástica deve trazer "harmonia e paz com a própria imagem" e proporcionar a reitengração social. E é este tema que o traz à Juiz de Fora, nesta quinta-feira, 26 de outubro, às 20h30, convidado pela Sociedade Universitária para o Ensino Médico (SUPREMA) para proferir uma palestra sobre A importância social da cirurgia plástica.

Em entrevista exclusiva à equipe ACESSA.com, por telefone, o professor e cirugião plástico, Ivo Pitanguy, abre uma espaço em sua agenda para falar um pouco sobre sua trajetória e ressaltar a importância da cirugia plástica. Leia abaixo:

Entrevista com Ivo Pitanguy

ACESSA.com - Qual foi a influência que os livros, a pintura, a poesia, a natureza e o esporte execerceram em sua escolha pela cirurgia plástica?

Ivo Pitanguy - O contato com os bichos, com a natureza desde cedo e com a criatividade que nós estamos envolvidos por ela em todos os aspectos, numa árvore, num rio, num animal e a criatividade do homem também, o contato com a parte de Arte... Tudo isso é uma coisa que nos dá um sentimento de humildade e, ao mesmo tempo, nos inspira a fazer alguma coisa.

Agora, o que não se pode confundir é o sentido do artista e do cirurgião, o sentido de beleza pra mim tem muitas limitações que o corpo me conduz, que anatomia me impede e, ao mesmo tempo, me dirige e, ao mesmo tempo, tem uma forma, que tem uma ortodoxia em certa época, tem um personagem, tem um senhor que pensa. Uma série de fatores que fazem com que a gente tenha que sentir que a procura nossa é pelo bem-estar.

ACESSA.com - O senhor foi buscar mais conhecimento sobre a cirurgia plástica a partir da década de 1940. Em 1960, o senhor fundou o curso de pós-graduação em cirurgia plástica da PUC do Rio. Em 1962, foi fundada a 38ª Enfermaria da Santa Casa, também no Rio. Quais as dificuldades encontradas pelo senhor ao longo dos anos até concretizar sua vontade de mostrar a importância da cirurgia plástica?

Ivo Pitanguy - Eu passei quase seis anos fora do Brasil aprendendo. E mesmo fora, naquela época, a difusão da Medicina, da Cirurgia Plástica... tinha que aprender em outro país. Então, fui para os Estados Unidos, depois fui pra França, depois fui pra Inglaterra...

E fui aprendendo ao poucos e como eu senti aquele conhecimento adquirido, em vez de eu guardar, eu senti que era minha responsabilidade difundir com outros para que a especialidade fosse mais aprendida e criar uma Escola, que era meu desejo. E isso eu fiz criando a [38ª]Enfermaria na Santa Casa, ganhando a Cátedra na Universidade Católica [do Rio de Janeiro], na Carlos Chagas criando os cursos.

E passei, então, através na minha vida - como hoje estou voltando da Santa Casa - uma parte integrante, até mais nos dias de hoje, o oposto do que na época eu tinha encontrado, colocar toda a população, dentro do possível, com cirurgiões bem treinados para poder atendê-la.

E, ao mesmo tempo, também atender a população carente com a cirurgia plástica e desmistificar ao transformá-la uma coisa para todos e não só para os ricos. Foi isso que eu criei na Santa Casa, na 38ª.

Foto do cirurgião plástico Ivo Pitanguy
Foto: www.pitanguy.com
ACESSA.com - O senhor falou sobre a população menos favorecida que é atendida tanto para cirurgia de deformidades congênitas ou seqüelas de trauma, queimaduras e tumores, mas também para cirurgias estéticas.

Ivo Pitanguy - Eu procurei sempre dar à cirurgia estética um caráter importante, como a cirurgia reparadora, embora a reparadora seja mais evidente, o sofrimento não se mede só pelo tamanho da deformidade. É uma coisa individual, muito íntima, isso é de cada um. Isso criou uma filosofia diferente no sentido de estética, não só no Brasil, como no mundo todo.

ACESSA.com - Qual a importância da cirurgia plástica para quem se submete a ela?

Ivo Pitanguy - Uma pessoa não se submete a uma plástica. Quando uma pessoa tem uma deformidade, é importante para atenuá-la, seja pela ortopedia, seja pela cirurgia plástica, dependendo do tipo de deformidade. As pessoas querem estar parecidas com as outras do seu grupo. O importante da cirurgia plástica é a sua reintegração social. É sobre isso que eu vou falar [lembrando sobre a palestra que vai ministrar em Juiz de Fora].

ACESSA.com - A chefe da equipe médica da Clínica Ivo Pitanguy, Dra. Bárbara Helena Barcaro Machado, é formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Como o senhor vê a formação acadêmica nem Minas Gerais?

Ivo Pitanguy - A formação acadêmica em Minas Gerais é boa, porque o mineiro é bom. É bom em muita coisa e é bom de bisturi também (risos).


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