Dermatoscopia Nada de "neura" com pintas e manchas.
Conheça uma técnica que permite um diagnóstico preciso, sem dor


Renata Cristina
Repórter
19/06/2007

Surgiu aquela pintinha no rosto, braço, perna e você fica logo preocupada. Será que foi sol demais? Estou ficando com manchas de envelhecimento? Há algo de errado com a minha pele? Quando as dúvidas aparecem, é hora de procurar o dermatologista. Mas e o medo da biópsia ou de um resultado alarmante, como o câncer de pele?

Foi pensando nessa insegurança que a dermatoscopia surgiu. Este método clínico é capaz de rastrear lesões na pele com 97% de segurança. Ou seja: na maioria dos casos, você não precisa se submeter a uma pequena cirurgia. Além disso, tem um resultado imediato, em situações simples, e evita uma ansiedade desnecessária com a espera de um diagnóstico.

"Há casos que necessitam de uma análise mais apurada e demandam tempo, mas são exceções", explica a médica dermatologista Ida Terezinha Pracchia Ribeiro (foto ao lado), especializada em Dermatoscopia e com treinamento no Departamento do Hospital do Câncer em São Paulo.

Foto sardas e pintas nas costas de uma mulher A técnica é muito utilizada para identificar lesões pigmentadas melanocíticas, responsáveis pelo câncer de pele melanoma. "Quanto antes é feito o diagnóstico, maior a chance de cura", revela Ida, enfatizando a importância da realização do exame.

O melanoma é uma mancha escura e irregular que pode ser cancerígena ou não. Segundo a dermatologista, as pessoas devem ficar atentas a pintas que mudam de cor, apresentam sangramento ou coceira. "As marcas de nascença ou pintas cabeludas, em geral, não oferecem riscos. O grande problema é a alteração de cor ou textura", alerta.

O último censo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2006, estima 116 mil casos novos para câncer de pele não-melanoma, sendo 55 mil ocorrências em homens e 61 em mulheres. A incidência é menor em câncer de pele tipo melanoma com 2.710 para homens e 3.050 para mulheres.

Conheça a técnica
Foto sardas e pintas nas costas de uma mulher

O exame é bem simples e utiliza uma câmera digital de alta precisão. Para casos menos detalhados, uma lente, o dermatoscópio, é suficiente para separar o "joio" do "trigo" com a ajuda de um gel. Já quando é feito o mapeamento corporal, com a análise de todas as pintas e manchas, a fotografia ajuda na análise da pele lesionada, através do detalhamento digital feito no computador.

A dermatoscopia evita a retirada de pintas sadias e tem uma função ainda mais importante: a identificação de um câncer de pele em seu primeiro estágio de desenvolvimento. A evolução das pintas ano a ano também pode ser feita com o exame.

Assim como as mulheres realizam o preventivo ginecológico, Ida aconselha uma consulta ao dermatologista. "É necessário realizar o auto-exame da pele e observar o aparecimento de manchas", recomenda. De acordo com a médica, há grupos de risco, como pessoas que possuem pele e cabelos claros, histórico de queimaduras solares, várias pintas e sardas no corpo, histórico de câncer na família e exposição freqüente a substâncias radioativas.

Cuidados diários com a pele

No dia-a-dia, o uso do protetor solar é fundamental. Para quem costuma se expor no horário da manhã e no final da tarde, considerados os de menor risco, o protetor também é obrigatório. "Os grandes vilões são os raios solares do meio dia, considerados cancerígenos. No entanto, se a exposição ao sol acontece diariamente sem nenhuma proteção, os riscos são os mesmos", esclarece.

Uma boa dica é escolher o protetor apropriado para o seu tipo de pele. "Mesmo no inverno, estamos recebendo raios solares. Além disso, um ano de exposição à luz elétrica equivale a três dias de sol na praia", adverte. O uso de um hidratante pode retardar o envelhecimento precoce e deixar a derme sempre bonita.


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