Piercings
Saiba tudo sobre essa técnica de perfuração corporal

Ana Letícia Sales
26/02/03


Piercing do inglês significa perfuração. E para os juizforanos é um modismo que pegou pra valer. De jovens adolescentes até adultos moderninhos, muita gente já entrou nessa de perfurar alguma parte do corpo e enfeitá-lo com pingentes, brincos e outros badulaques que a moda oferece. O preconceito vem diminuindo e não se vê mais tanta gente fazendo cara feia ao ver uma bela moça com uma pedra no nariz ou um garoto com fincos na sobrancelha.

O dermatologista Carlos Adolpho Pereira explica que não existem muitas restrições ao uso do piercing. "Pessoas que possuem alguma doença de pele no local onde quer colocar o piercing deve evitar fazê-lo. Além disso, quem tem quelóide não deve fazer a perfuração. A idade ideal para se fazer um piercing é a partir dos 16 anos", aconselha.

Alguns cuidados importantes
O dermatologista explica que o usuário de piercings deve tomar muito cuidado com a higiene no local, para evitar infecções. "Além da limpeza habitual durante o banho, quem tem um piercing deve limpar o local duas vezes na semana com água, sabão e álcool iodado", diz. E os corajosos que se aventuraram a colocar na língua devem ter mais cuidados ainda com a limpeza do furo.

E para quem se arrependeu e não está mais gostando do "enfeite", ou se houve um alargamento do furo a solução não é tão complicada. "A pessoa pode fazer uma cirurgia corretiva que vai diminuir o tamanho do buraco, ou até mesmo fechá-lo", afirma Carlos Pereira. Segundo ele, os piercings no umbigo são os que costumam dar mais problemas. "Isso ocorre porque a região da barriga está mais vulnerável a entrar em contato com os mais diversos locais, como paredes, a cama, dentre outros", adverte.

Como são feitos os furos
Ana Paula Pedretti, que trabalha em uma loja especializada em piercings de Juiz de Fora, explica que hoje em dia o preconceito diminuiu muito com relação às pessoas que usam piercings. "Mas mesmo assim, ainda tem gente que não gosta e recrimina quem faz", diz. Ela conta que a faixa etária dos que desejam colocar um piercing, vai de 20 a 23 anos e que o local preferido ainda é o umbigo. Apesar de agora ter começado uma febre pelos brincos no nariz, também chamados nostril. Segundo Ana, há uma grande procura pelos piercings de ouro, mas os de aço cirúrgico ainda são os mais indicados e usados. "Quem quiser colocar um piercing de ouro precisa escolher bem, pois se o ouro não for puro pode causar infecções", adverte.

Ana Paula afirma que o processo para fazer o piercing é sempre o mesmo em qualquer parte do corpo. Primeiro, o local a ser furado deve ser higienizado com álcool iodado. Se o local tiver pêlos eles deverão ser retirados, antes de fazer o furo. Em seguida a pele é presa com uma pinça. Com uma agulha de aço cirúrgico, que contém um cateter e a jóia na ponta, o especialista faz o furo e puxa o cateter. O cateter vai impedir que a jóia machuque a pele. "Quando o furo é feito no lugar certo, não sangra", diz Ana Paula. Depois é só puxar o cateter e o piercing estará pronto.

As jóias para piercings podem variar entre R$ 25 e R$ 200. Já o furo propriamente, custa de R$ 50 a R$ 200. E a moda está mesmo ditando as regras, tanto que número de piercings com jóias verdadeiras, aumentou muito as vendas.

Quem fez conta como é
A professora juizforana, Kelly Souza, de 25 anos, foi uma das que aderiu a essa moda dos furos. Com três piercings espalhados pelo corpo, ela conta que sempre teve muita vontade de ter um piercing. "Quando eu ainda estava na faculdade, há uns três anos atrás, eu cheguei a furar o lóbulo da orelha em uma farmácia, mas o local inflamou. Eu acabei tendo que tirar o brinco e o buraco fechou", conta.

O namorado, Rodrigo, também teve grande influência na decisão. Ele resolveu procurar um local especializado em piercings e decidiu furar o lóbulo da orelha. No mesmo dia, Kelly furou o umbigo. "Isso foi em dezembro de 2001 e até hoje tenho o piercing. Quando fiz o furo, o dono da loja me deu um guia explicando todos os procedimentos que eu deveria tomar para que o piercing não inflamasse", afirma. No guia, Kelly conta que são ensinadas as formas de cuidar do furo nos primeiros dias e até mesmo a alimentação ideal para os usuários de piercings. O guia aconselha evitar comidas gordurosas, chocolates e principalmente bebidas alcoólicas, afirma.

Depois do umbigo, Kelly quis tenta fazer de novo no lóbulo da orelha. "Fiz com o mesmo especialista e deu tudo certo", conta. E ela pegou mesmo gosto pela coisa! Tanto que o último piercing de Kelly foi, nada menos, que na língua. E ela ainda diz que doeu menos do que o do lóbulo da orelha. Detalhe: todos esses furos são feitos sem anestesia...

Kelly diz adorar todos e não está nada arrependida. "Fiz em locais que as pessoas não vão poder observar com freqüência, assim não tenho problemas no trabalho e nem com pessoas que não gostam desse tipo de moda. Até o da língua dá para disfarçar bem, já que ele não atrapalhou em nada a minha dicção e como é de titânio preto, fica bem discreto", diz. Kelly afirma que fez pensando somente na vaidade, mas agora ela jura que parou. "Fechei a cota de buracos pelo corpo", ri Kelly.

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