Ter filhos ou não?
Quando a decisão de aumentar
a família não é partilhada pelo casal

Ana Letícia Sales
31/05/02

Ter filhos parece ser um quesito inevitável quando se fala em casamento. Especialmente quando os cônjuges já têm alguns anos de união. Mas, em alguns casos, esse desejo pode não ser comum aos dois. Isso geralmente cria conflitos na vida conjugal.

Cláudia Martins e Ruimar Carminati estão juntos há cinco anos. Cláudia conta que no início do relacionamento eles não pensavam nisso, pois ainda estavam terminando de arrumar o apartamento e tinham outras prioridades. "Na minha adolescência sempre pensei em ser mãe, e até minhas amigas achavam que eu seria a primeira a ter filhos, pelo meu jeito meio maternal e carinhoso", confessa. Há cerca de dois anos, Cláudia viu esse desejo voltar, mas Ruimar sempre foi contra.


O casal Cláudia e Ruimar contam os medos e inseguranças de se criar filhos

Cláudia afirma que o companheiro tem uma preocupação enorme em colocar uma criança em um mundo tão complicado e cheio de conflitos. "Resolvemos adiar a idéia, até porque ainda tínhamos algumas dívidas. Mas quando o Rui, começou a aceitar a idéia eu que fiquei com dúvidas", revela. Começaram a surgir outras preocupações, como a formação adequada para uma criança e mais tarde os estudos do jovem.

A hora de assumir responsabilidades
A psicóloga Ana Stuart explica que o casal precisa ver todos os lados da questão. "Marido e mulher têm que verificar os motivos da resistência aos filhos por uma das partes", diz. E os motivos podem ser vários. Ana afirma que muitas vezes as mulheres têm medo de problemas físicos decorrentes da gravidez, principalmente a perda da boa forma. Já quando o problema são preocupações sobre a melhor forma de criar um filho, em alguns casos isso mascara o medo de assumir responsabilidades. "Certamente isso é uma desculpa do cônjuge que não quer assumir seus atos, ou ainda se sente mais como um filho que não acabou de ser criado", esclarece.

Filhos sob pressão
Luísa e Cláudio* também tiveram problemas com a rejeição em ter filhos. Ela nunca quis, mas o marido sempre foi apaixonado por crianças. Após cinco anos de casamento e muita pressão, ela acabou cedendo. "Minha família nunca me influenciou muito, até porque já temos uma prole considerável de sobrinhos. Já os amigos, cobravam um pouco, mas nada que me incomodasse", explica. O que sempre pesava era a cobrança do marido. Atualmente, eles têm um filho de seis anos. Se Luísa pensa em dar um irmãozinho ao filho? "Isso está fora de cogitação, acho que agora fechei a fábrica mesmo", diz ela.

Ana Stuart, que é terapeuta de casais, afirma que esse tipo de conflito, precisa ser tratado. "Não é saudável que um dos cônjuges fique com o desejo de ter filhos e nunca consiga realizar por causa do marido ou da esposa. Às vezes isso é um indício de que eles não deviam estar juntos". E, se não houver um tratamento adequado, o relacionamento acaba se deteriorando mesmo. Ana afirma que existem casos em que o parceiro frustrado com a falta de filhos acaba buscando uma saída para esse desejos. "Alguns têm vários cães em casa, já outros procuram amantes".

O mais indicado nesses casos é procurar o auxílio de um psicológico, para tentar discutir a questão.

* Luísa e Cláudio são nomes fictícios. Luíza concordou em dar entrevista, desde a identidade do casal fosse preservada.

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