Competição profissional
Quando um não consegue lidar com o sucesso do outro

Ludmila Gusman
27/08/02

Você está bem profissionalmente e o seu parceiro (ou parceira) está desempregado e não tem condições de dividir as despesas como gostaria. Um dos dois acaba assumindo as contas até que a situação se regularize. Até aí tudo bem. O problema se agrava quando o serviço nunca aparece ou quando surge, por exemplo, uma promoção no seu emprego que ao invés de deixá-la feliz acaba gerando ciúmes e crises no relacionamento.

A competição profissional é comum hoje em dia, já que as mulheres estão conquistando cada vez mais seu espaço e alguns homens não aceitam esse progresso da parceira no casamento. "Muitos homens convivem ainda com o machismo e não admitem que sua mulher esteja melhor profissionalmente, que ganhe mais ou que sustente a família", diz a psicóloga e terapeuta familiar, Ana Stuart. Por outro lado, a mulher também não concorda em ficar em casa cuidando dos filhos e sai em busca de um emprego que também a realize. Segundo Ana Stuart, essas crises são mais comuns entre casais cultos e intelectuais de classe média ou classe média-alta. "Quando o casal tem uma condição de vida inferior é mais comum que os dois acabem torcendo um pelo outro, incentivem-se mais. Isso nem sempre acontece com quem tem um padrão de vida melhor", opina Ana Stuart.

Por que tanto ciúme?
Para a psicóloga, o problema começa com o tipo de educação. "A criança cria seu próprio modelo que pode ser adoecido ou não, resultado do aprendizado na família", explica. Um dos principais motivos para a competição entre os casais, segundo Ana Stuart, está na baixa auto-estima da pessoa. Desta forma, por se achar inferior ao parceiro, ao invés de ficar feliz com o sucesso do outro a situação acaba gerando uma ofensa desencadeando as brigas.

A terapeuta comenta que em alguns casos o parceiro com auto-estima baixa pode acabar contaminando o outro ou, ao contrário, gerando uma reação que provoca a instabilidade familiar. "Ambos podem vir adoecidos para a relação, podendo até desencadear o narcisismo por parte de um dos cônjuges. A partir daí, eles não formam mais a cumplicidade saudável de interação com diálogo. Ele passam a jogar, competir, um enfretando e anulando o outro formando uma família disfuncional", diz.

Em busca de ajuda
Para evitar o desgate do relacionamento o ideal é buscar ajuda o mais rápido possível. Ana Stuart diz que o resultado só será satisfatório se ambos tiverem consciência da mudança e optarem por ela. "Procurar ajuda terapêutica é o mais indicado para detectar a origem do problema e então possibilitar o "recasamento", ou seja, um novo contrato de união com a certeza de viver uma vida melhor". A psicológa acredita que todas as tentativas devem ser feitas para salvar o casamento. Caso nenhuma tenha sucesso satisatório, o afastamento amigável deve ser a opção mais indicada.

Você já passou por esse problema ou conhece algum casal que já viveu uma situação como essa? Envie sua história para a equipe do portal JF Service/ACESSA.com pelo endereço jornalismo@jfservice.com.br

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