Paixão entre professor e aluna
Quando o mestre se torna o "amor de sua vida"

Ludmila Gusman
27/09/02

Um belo dia, o professor entra na classe e se depara com um presentinho em cima da mesa. Ou então, no meio da aula, nota que sua aluna fixa o olhar de forma diferente e o professor percebe que os pensamentos não estão voltados para as lições. Algumas vezes esses olhares são correspondidos. Em outras circunstâncias não passam de paixões momentâneas que provocam frustação no aluno e constrangimentos no professor.

Segundo a psicóloga e terapeuta familiar, Ana Stuart, a admiração da aluna pelo professor ou do aluno pela professora é comum até nos jardim de infância, quando as crianças escrevem aqueles bilhetinhos para o mestre. Já para as crianças em idade escolar essa admiração muda de comportamento e pode bater forte o coração. Em compensação, apenas os comentários com os colegas já são suficientes para alimentar a paixão. Mas quando a situação ocorre com os adolescentes e jovens, a sensualidade torna-se a principal arma de conquista.

Amor de adolescente
A funcionária pública, Monique Nunes Pereira, apaixonou-se pelo seu professor quando tinha 17 anos. "Eu era muito nova e inocente e ele um cara maduro, experiente com 32 anos", diz. A relação entre os dois durou oito meses e, segundo ela, ninguém ficou sabendo. "Nós conseguimos esconder muito bem na escola em que eu estudava e ele lecionava, tanto que ninguém tinha certeza, apenas aquela leve impressão de que existia algum clima entre nós", relembra.

Monique conta que naquela época (1998) tinha perdido um irmão e estava muito triste. "Esse professor apareceu na minha vida nove meses depois. Uma pessoa atenciosa e amorosa era tudo de que eu precisava", ressalta. Foram oito meses de relacionamento que, segundo Monique, surgiu por acaso. "Uma de minhas amigas começou a paquerá-lo e eu embarquei na onda. Foi quando comecei a ter interesse por ele. Depois de muitas conversas e troca de olhares ele me deu uma carona. Neste dia, rolou o primeiro beijo. Passado um tempo nossa relação foi se desgastando e ele resolveu sumir sem me avisar. Fiquei muito mal, demorei dois anos para me recompor. Apesar de não ter dado certo, hoje ele é uma lembrança linda que eu guardo. Acho que já tínhamos vivido tudo".

A psicóloga Ana Stuart explica que assim como as crianças, os jovens também costumam transferir para o professor a figura do pai ou da mãe e, muitas vezes, acabam se apaixonando de verdade. “Eles encontram no professor a segurança, a proteção que precisavam. É normal eles fazerem isso com pessoas que admiram e respeitam. Nessa fase há uma explosão de hormônios muito grande. Os adolescentes se apegam ardentemente à idéia que se transforma em algo fixo", alerta Ana Stuart.

Da sala de aula para o altar
Embora existam histórias de paixão deste tipo e que não foram adiante, há aquelas que resultaram em casamento. "Quando o casal encontra a sintonia e o equlíbrio essa relação pode dar certo sim", afirma a psicóloga. É o caso de Letícia e Álvaro Americano.

Letícia conheceu seu marido na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Hoje o casal comemora quase seis anos de união. Embora a faculdade tenha sido a principal causa da aproximação entre os dois, Letícia conta que a história entre eles só começou mesmo uma semana após ao baile de formatura dela. "Até hoje ninguém acredita, mas foi exatamente assim que aconteceu", garante.

Além de professor homenageado da turma, Álvaro também foi escolhido por Letícia e outra amiga para ser o orientador do projeto de conclusão do curso. "Eu sempre tive uma amizade muito forte por ele e por outros professores também, já que participava de movimento estudantil e estava sempre envolvida com alguma atividade na faculdade. No último período, passamos a nos encontrar mais por causa do projeto e a amizade entre Álvaro e eu ficou ainda maior", comenta Letícia.

Como no caso de Monique, a carona também "deu uma ajudazinha" nessa história. "Os professores fizeram um jantar para a turma e como eu estava operada e não podia dirigir, o Álvaro me ofereceu uma carona. Nesse dia começou a surgir um clima", afirma.

A história entre os dois começou a ficar mais séria após um convite da turma para o cinema. Ela lembra que os amigos recém-formados convidaram Álvaro para ir junto. "Quando me disseram que ele não ia, não sei o que me deu naquele dia, fui à casa dele para saber o motivo. Levei minhas fotos da formatura para ele ver e aí começamos a namorar. Nossos relacionamentos de amizade e namoro aconteceram de forma muito natural", diz. Do namoro ao casamento foram um ano e sete meses. Hoje Letícia e Álvaro tem quatro anos de casado e uma filha chamada Luíza.

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