Fãs e fantasias

Rafael Koch Torres - Harry Potter
Outro exemplo é Rafael Koch Torres, de 16 anos, que quer formar o primeiro fã-clube do Harry Potter de Juiz de Fora. Além das novas amizades, Rafael busca trocar informações e incentivar a leitura.

O livro preferido de Rafael é o recente 'A ordem de fênix'. "A minha geração tinha uma lacuna de heróis que foi preenchida pela série Harry Potter", avalia o estudante. Sua personagem preferida é Hermione Granger. "Ela é inteligente, perspicaz. Me identifico com ela", revela. Mas, o encanto de toda a saga, na opinião do rapaz, está na capacidade da autora, J.K. Rowling, de misturar o mundo real com o mundo mágico de forma interessante.

Quem quiser fazer parte do fã-clube do Harry Potter em Juiz de Fora pode acessar o site da Comunidade Potteriana Brasileira.

Madalena de Fátima Garcia - Cantor Daniel
Interessante também é uma das qualidades atribuídas ao cantor Daniel pela fã Madalena de Fátima Garcia. "Meu sonho é entregar o retrato do Daniel que estou bordando para ele, na próxima vez que ele vier a Juiz de Fora", conta.

Madalena coleciona cds ("Só originais" faz questão de frisar), revistas, fotos, notícias, camisas, shows gravados e outros objetos como caneca, toalha e copos. Mas, Daniel não é o único merecedor de sua admiração. Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leonardo também têm seu lugar na coleção dela. Como se não bastasse, Madalena ainda conhece o nome verdadeiro de todos eles e a data de nascimento.

O psicólogo Douglas Nunes Abreu explica que o ídolo pode ocupar dois lugares na vida do fã, o de objeto de desejo e o de identificação. No primeiro, se enquadrariam fãs como a Madalena, cujas pessoas admiradas representam, de certa forma, o homem ideal - bonito, romântico, simples e simpático.

Já no segundo caso, estão pessoas como a Cristiane e o Rafael, que se assemelham com o ídolo - a cantora Alanis Morissette e os personagens dos livros de Harry Potter, respectivamente - ou gostariam de ter características deles. Também existe a idolatria como 'fenômeno de massa'. É quando o jovem, mesmo não gostando diretamente do ídolo, se a sua turma gosta, ele se envolve para não se sentir isolado.

Nathália - Grupo KLB
A internauta Nathália é fã do grupo KLB. Ela tem cinco cd's, o dvd, escova de dente, toalha, roupa, mais de mil revistas, maquiagem, óculos, entre outras coisas do grupo. A música que mais gosta é 'Estou em suas mãos' e o CD 'KLB ao Vivo' . "Eles praticamente se tornaram parte de mim, já conquistaram um cantinho no meu coração. Eles são uma grande inspiração, através deles conquistei amizades verdadeiras, e ainda conquisto".

Entre as funções dos ídolos está em reunir pessoas. "O fã-clube é uma expressão dessa necessidade de criar laços, de criar e fazer parte de um grupo", avalia o psicólogo Douglas Nunes Abreu.

Já o estudante Manoel Eduardo de Melo, diz não ter nenhum ídolo favorito, mas tem um vasto material sobre Michael Jackson. Começou a gostar do cantor aos 11 anos, jogando um vídeo game que tinha as músicas dele. Quando estava com 13 anos foi ao show do astro em São Paulo."Eu era tão fanático com ele que avisei a professora de matemática, Regina, que iria no show dele e não teria como fazer a prova na segunda-feira, ela foi compreensiva e me deu a prova outro dia". Antes dele, o rapaz já gostava dos Guns N' Roses. Outros ídolos surgiram como as bandas finlandesas Stratovarius e Nightwish, Helloween e HammerFall.

Carolina - Cantora Ana Carolina
As amizades decorrentes da paixão pelo ídolo também surpreenderam Carolina. "Quando me encantei pela voz da Ana, pelas composições, pela música... não tinha noção de tudo que poderia acontecer envolvendo pessoas e a cantora. Através da Ana, conheci pessoas maravilhosas, amigos que nunca iria encontrar em outro lugar. Talvez nem ela tenha noção de quantas coisas acontecem em função de shows, músicas, etc. Um ciclo tão grande de amizade foi sendo feito, que ir numa nova temporada, ou a um show da Ana, não significa só escuta-la, vai além, vai encontrar pessoas que amamos, conhecer pessoas novas.

E isso que mais me interessa, me faz gostar mais ainda", declara. Carol é uma das responsáveis pelo Fã Clube Papel Fuleiro, que hoje tem 2500 sócios e de seu site. Apesar da admiração, Carol não é uma fã espalhafatosa. "Sou muito quieta assim em relação a artista, acho que como trato ela, trato meus amigos. A única diferença, que ela não é minha amiga, é uma cantora que eu admiro. Mas agora é até mais engraçado entrar num camarim, falar com ela, porque já tem uma relação maior, um reconhecimento talvez".

O que é ser fã

Ter pessoas como referencial, admirá-las, imitá-las é algo que acontece desde a infância e que é responsável, em relação aos pais, pela formação do indivíduo. E é muito comum na adolescência, por ser um momento de descoberta, de formação do indivíduo perante a sociedade.

"Ter um ídolo é saudável, já que estamos numa busca incessante pela identidade" , afirma o psicólogo. São eles que nos despertam habilidades e interesses. No entanto, a prática da idolatria torna-se perigosa quando a pessoa perde o senso da realidade.

A crise na família, o afastamento dos pais na criação dos filhos tem dado margem para que um ídolo externo ocupe seus lugares de referências. "Um fanatismo radical, que desfigura dos valores do ambiente onde a criança vive e reduz o diálogo com os parentes, é um sinal de alerta de que algo não está bem", previne Nunes.

"No mundo contemporâneo há cada vez mais espaço para ídolos como representantes de uma 'tribo' ou 'gueto'. Cada geto tem uma cultura própria, uma forma de viver. "A tribo tem padrões tão específicos que exclui o que é diferente. São várias microculturas ocupando o mesmo espaço. O que pode gerar intolerância entre elas". É o caso, por exemplo, das várias facções de iraquianos que ficam disputando o poder entre si, enfraquecendo o sentido de nação.

Leia mais:
E quando o ídolo é uma coisa?

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