Com que deixar meu filho?

Como conciliar vida profissional e maternidade


"Não queria deixar meu filho num ambiente estranho"
Marinheira de primeira viagem, a dentista, Roselaine Lopes Silva, montou um verdadeiro plano estratégico para a chegada do filho. Roselaine voltou ao trabalho 20 dias depois que Bernardo nasceu. E, para garantir que a sua ausência não iria trazer problemas, começou a preparar tudo ainda na gravidez.

A primeira providência foi encontrar uma profissional que pudesse ficar com o bebê na parte da tarde. "Não queria deixar meu filho num ambiente estranho como uma creche". O requisito fundamental era confiança. A Suzana, que trabalhava como diarista aqui em casa, passou a vir com mais frequência, para eu observar o jeito dela. Uns dois meses antes de ter o Bernardo, ela já passou a trabalhar conosco todos os dias". Outro fator que contou pontos na escolha da profissional foi saber que ela tinha duas filhas e parecia se preocupar muito com o bem estar delas.

Mesmo planejando tudo com antecedência, voltar ao trabalho não foi fácil. "No fim de semana anterior, eu chorei muito. Não conseguia imaginar como o meu filho ia ficar sem mim". Como não abria mão de amamentar até os quatro meses no seio, a dentista usava a bombinha para fazer a ordenha. "Por volta das 13h eu amamentava e ia parta o trabalho. A minha agenda de horários ela programada para que às 16h eu tivesse uma lacuna. Ia em casa correndo amamentava novamente e voltava ao trabalho para atender mais alguns pacientes".

Hoje, a rotina já está mais tranqüila. Com oito meses, Bernardo não mama mais no peito. Rose deixa as manhãs disponíveis para o filho e, na parte da tarde, a criança fica com a babá. Além da confiança adquirida na profissional, a dentista tem outro fator que ajuda, o marido trabalha ao lado de casa e ainda conta com familiares. "Em caso de alguma emergência, está todo mundo perto. Mas, graças a Deus, nunca aconteceu nada". Como vive cercado de parentes, Roselaine acredita que o socialização de Bernardo não será prejudicada.

"Fico mais tranquila sabendo que ela está com profissionais"
A empregada doméstica Suzana Ferreira Gomes, a que cuida do filho da Roselaine, também enfrentou as mesmas dúvidas que sua patroa. Ela tem duas filhas, uma de nove anos e outra de três. Quando teve a mais velha, usou o direito da licença maternidade e, logo depois, acabou optando por largar o trabalho para curtir a filha.

Na gravidez da segunda filha, Suzana tabalhava apenas como diarista. E voltou a trabalhar quando a menina estava com poucos meses. "Quando precisava sair, deixava com o meu marido ou pagava alguém para cuidar". Mas depois de uma experiência negativa, Suzana resolveu que não deixaria sua segunda filha com mais ninguém.

"Minha filha sempre estava linda, quando ia buscar. Uma vez apareci mais cedo e encontrei ela toda suja, a moça não tinha trocado as fraldas, e ela estava chorando de fome. Fiquei horrorizada. Resolvi batalhar um vaga na creche pública".

A escolha possibilitou a volta ao trabalho e o aumento da renda da família. Quanto à menina, Suzana também não tem dúvidas de que esta foi a melhor opção. "A Franciane, agora com três anos, é uma criança muito mais comunicativa, esperta e independente que a minha filha mais velha". A mãe tem certeza de que o convívio com outras crianças e a presença de profissionais preparados é responsável pelo fato. "Fico muito mais tranqüila sabendo que ela está na creche, pois ela está com profissionais".

"Acho importante o convívio com outras crianças"
A pedagoga, Regina Ferreira Barra, prolongou ao máximo o tempo da licença. "Acumulei férias, a licença maternidade e o período de férias na escola em que trabalho". A estratégia permitiu que ela curtisse a única filha em casa até os 11 meses. Na hora de definir com quem iria deixar o bebê para voltar ao trabalho, não hesitou em optar pela creche. Grabiele, hoje com cinco anos, passa o período da tarde em uma.

O que mais pesou na hora da decisão foi o convvcio com outras crianças. "Acho importante a criança estar próxima de outras crianças da mesma idade para que ela possa se socializar. Acho melhor que ficar em casa com outros adultos", diz. Mas a pedagoga faz questão de afirmar que é preciso cuidado e equilíbrio. "Também é importante que a criança tenha um tempo em casa, no seu espaço, e tenha qualidade no tempo que passa com os familiares".

Outro cuidado importante para Regina é a escolha do local, é preciso pesquisar muito. " Levei em consideração a equipe de profissionais, a localização, o ambiente, segurança, cuidados com a alimentação e o horário mais flexível".

Confirmando o que dizem profissionais, Regina acredita que a adaptação foi mais difícil para ela que para a filha. E hoje não tem do que se queixar. Além de estar satisfeita com a opção, ela tem certeza de que a filha também está. "Ela adora ir para a creche e participa de todas as atividades".

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