Casamento e sobrenome Casais dos tempos modernos podem optar em acrescentar ou não
o sobrenome da mulher ou do marido

Sílvia Zoche
Repórter
26/07/2005

O oficial do Registro Civil, Tadeu Cobucci, diz que não é complicado fazer o acréscimo de sobrenome. Clique e ouça os detalhes!

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Casar pode ser definido como o momento em que a história de duas pessoas possuem afinidades suficientes para conviverem no dia-a-dia. Mas será que isto significa unir, também, os sobrenomes? A tradição, antes do novo Código Civil, diria que sim. Neste caso, a mulher retirava o sobrenome da mãe e acrescentava o do marido. Hoje, em dia, para algumas pessoas isso ainda é importante, outras já acreditam que não. E você, o que pensa sobre o assunto? Leia algumas opiniões e depois dê a sua, participando da enquete!

Opinião de alguns casais

No início do namoro, Mônica de Azevedo Calderano e Frederico Guedes Belcavello já conversavam sobre as mudanças ou não nos nomes após o casamento e, há dois anos, decidiram preservar os nomes de batismo.

Eles acreditam que a mudança ou o acréscimo de um sobrenome é desnecessário. "É uma questão filosófica nossa. Cada um tem uma identidade própria", diz Belcavello. "É uma forma, também, de manter a individualidade", acrescenta Mônica.

Com a proximidade do casamento, Mônica conta que as pessoas brincavam chamando por ela com o sobrenome do futuro marido. "Eu não me importo, mas dizia que não usaria o sobrenome dele". E, então, veio a surpresa. "As pessoas, de modo geral, ficam assustadas por saber que não terei o sobrenome do Fred. Já levei bronca de quem não tem nada a ver com minha vida. Mas é claro que isso não abala minha convicção", diz. Segunda ela, os filhos terem o sobrenome dos dois já é o suficiente.

São de mesma opinião, o casal Fabiana Nogueira Neves e Klaus Chaves Alberto, juntos há 12 anos, e casados há dois. "Penso que vamos misturar nossos nomes quando vierem os filhos, que terão sua história e identidade construídos com nossa ajuda", diz Fabiana.

Na adolescência, Klaus admite que era natural pensar na esposa usando o sobrenome do marido, mas, atualmente, sua opinião é outra. "Na verdade, mais que um gesto de amor, para mim, a substituição de um sobrenome da mulher beira o machismo. Tanto que não vemos os homens substituindo seus sobrenomes. Mas é muito importante frisar que isto é uma opinião pessoal, se alguém se sente bem com a troca dos sobrenomes deve fazer e ser feliz, afinal esta decisão só diz respeito ao casal", enfatiza.

Já Fabiana sempre teve certeza de que não mudaria seu sobrenome. "Quando colocava alguma coisa a mais, não conseguia me acostumar com o som. Até porque, se fosse só acrescentar o nome de alguém depois do meu, ia ficar tão grande! Parecendo nome de avenida...", brinca.

Além dos dois aceitarem numa boa a decisão, a família seguiu o mesmo caminho. "Ninguém liga muito pra isso na minha casa. A minha mãe acha até mais prático porque os documentos permanecem os mesmos", diz Fabiana.

Mas ainda existem famílias que ficam chateadas se a noiva não adotar o sobrenome do marido. Tudo por uma questão de tradicionalismo. Este foi o caso de Renata Brum Pivari Fernandes, casada há dez meses com Zênio Fernandes. Ela acrescentou o sobrenome Fernandes, porque o sogro ficaria chateado, caso não o fizesse. Inicilamente, Renata pensou que teria que retirar o sobrenome da mãe. "Minha mãe ficou triste só de de pensar. Mas ainda bem que pude acrescentar e agradar a todos", conta.

Outro fator que desanimou Renata foi a necessidade de mudança dos documentos. "Um dos motivos para não acrescentar o sobrenome seria a burocracia para arrumar todos os outros documentos, mas no cartório fui informada que poderia alterar os documentos com o passar do tempo". Só que, até agora, ela não fez nenhuma modificação por falta de tempo.

Mudar, acrescentar... ou não

Se você decidiu não acrescentar ou mudar o seu sobrenome (seja você homem ou mulher) não será preciso fazer nada. Seus documentos serão os mesmos. Mas se, por algum motivo, depois de casada(o) você decidir colocar o sobrenome do companheiro(a) , é só fazer um requerimento ao juiz através de ordem judicial, sem precisar de justificativa. Isto vale, também, para quem decidir voltar ao nome de solteiro.

Segundo o oficial do Registro Civil, Tadeu Cobucci, a maior parte de pedidos de acréscimos de sobrenomes são de mulheres. "Acredito que seja uma questão cultural", diz. Ele lembra que é possível acrescentar ou mudar o sobrenome, mas que, em Juiz de Fora, a promotoria entende que só é possível acrescentar.

Quanto a documentação, Cobucci explica que não é preciso mudar tudo de uma vez, logo após o casamento. O processo de mudança dos documentos pode ser feito aos poucos.

A alteração do nome na carteira profissional, título de eleitor e certidão militar não tem custo. Já carteira de identidade e CPF, por exemplo, é preciso pagar uma taxa. E, lembre-se: todo e qualquer documento que tenha o nome de solteiro deve ser modificado, porque os de solteiro não terão validade alguma.

Agora, se porventura, acontecer um divórcio, peça ao advogado que deixe claro na petição ou sentença judicial que sua vontade é voltar ao nome de solteiro. Portanto, guarde seus documentos.

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