Responsabilidade dobrada

Mães cuidam sozinhas dos filhos...
... e lutam para suprir a falta do pai

Amar por dois
Elaine Cristina Gonçalves morou por oito anos com o pai de sua filha, Amanda, 6. Há dois anos eles se separaram e Elaine cuida sozinha da criança. Muito ligada ao pai, Amanda sofreu com a separação. Para conseguir lidar com a situação, a mãe precisou da ajuda do pediatra e das professoras da escola.

"Foi muito delicado, porque a Amanda já tinha quatro anos e sabia o que era ter pai. De repente, ela ficou sem ele. Hoje ela considera o meu namorado como se fosse o pai. Ele brinca com a minha filha, ajuda nos deveres da escola", lembra.

Elaine conta que no início o pai ainda via a filha com freqüência, mas depois de ter casado novamente e ter outro filho, nem liga para ela. Além disso, a mãe diz que o pai não respeitava a data combinada da visita. "Tinha vez que ele combinada e nem aparecia, o que deixava nossa filha despontada, ou então vinha em um outro dia", conta.

Além de cuidar de toda a educação e formação de Amanda, Elaine também tem que trabalhar para sustentá-la, pois o ex-marido parou de pagar pensão. "Tenho que amá-la e corrigí-la por dois. É muito difícil, porque tenho que trabalhar, deixar Amanda na escola o dia todo e ainda tenho aborrecimento por causa da pensão", finaliza.

Dedicação e carinho
Viviane Magalhães Leitão morava com o namorado e ficou grávida quando tinha 18 anos. Quando Luan tinha um ano e meio, os dois se separaram. Hoje o filho tem cinco anos e Viviane trabalha e cuida dele sozinha. Para tentar suprir a falta do pai, ela procura variar um pouco a rotina, fazendo coisas diferentes.

"O Luan fica na escola de 9h às 19h, então, de vez em quando, deixo ele em casa de manhã com minha irmã para que ele possa brincar, ver televisão, ficar à vontade. O meu tempo livre eu dedico todo a ele", diz.

Viviane conta que, no início, o ex-namorado via o filho duas vezes por semana, mas ficou por um período sem procurá-lo. Atualmente eles se encontram um vez por semana, mas o pai não costuma respeitar os dias certos de visita. Apesar disso, Viviane diz que evita brigar e reclamar, para que não haja nenhum tipo de conflito com o Luan.

Mesmo com toda a responsabilidade, Viviane adora cuidar do filho sozinha. "Acho até bom, porque ninguém interfere na educação dele de forma negativa", argumenta.

Rita Couto é estudante do quarto período de Comunicação da UFJF

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