Um destino para dois Como o casal deve agir na hora de escolher onde passar
o fim do ano ou as férias. Alguém tem que ceder!

Fernanda Leonel
Repórter
28/12/2005
Janeiro está quase chegando e vocês ainda não decidiram onde vão passar as férias? Clique ao lado e veja as dicas da psicóloga Ana Stuart para o momento do acordo.

Natal, ano novo, férias em janeiro! Comemorações diferentes com um dilema em comum: casais que resolvem passar qualquer uma dessas datas fora de casa têm que chegar a um consenso quanto ao local da comemoração.

Histórias diferentes, versões parecidas. "Quero ver minha mãe, não agüento mais ir nesse lugar, não gosto de praia". Nem sempre é tão fácil decidir o destino final do passeio, que, se não bem resolvido, pode não permitir que o objetivo de lazer e descanso se cumpra.

O que parece simples para alguns, pode ser realmente um momento de discussão para outros. "Tudo depende da relação construída pelo casal", explica a psicóloga Ana Stuart (foto acima), que diz ser normal e até mesmo saudável qualquer tipo de conversa ou discussão que tente chegar a um acordo. "Um casal é constituído de duas pessoas diferentes que, possivelmente, possuem idéias diferentes. O destaque de cada casal está na maneira que cada um vai resolver essa diferença", diz.

Mulheres mais exigentes

Vontades diferentes entre homens e mulheres sempre existiram, mas "atritos" entre casais acarretados pela escolha do local das festas de fim e ano ou férias, por exemplo, só tendem a aumentar. Os novos fatores sócio-econômicos das últimas décadas colaboram para a independência da mulher , o que, de acordo com a psicóloga "dá mais força para que ela assuma o que quer".

De acordo com dados da Fundação Carlos Chagas, no período de 1981 a 1998, o crescimento das mulheres economicamente ativas no país foi de 111%, enquanto que, entre os homens, o crescimento foi de 40%. Hoje, o sexo feminino representa 41% da população economicamente ativa - são 30 milhões de mulheres no mercado de trabalho.

Com mais dinheiro no bolso, podendo muitas vezes dividir ou assumir as despesas de uma comemoração ou férias, as mulheres colocam as suas opiniões mais às claras. "Não há porque obedecer o marido porque ele é quem vai pagar as contas", salienta Ana Stuart.

Alguém tem que ceder

Nem sempre é fácil abrir mão de algum destino que se sonhou durante todo o ano. Mas pode ser necessário. Se os namorados, noivos, ou maridos têm idéias iniciais diferentes e querem aproveitar o descanso ou diversão juntos, alguém vai ter que ceder!

De acordo com a psicóloga, é importante ter em mente que ceder em uma relação não quer dizer ceder sempre. Seja quem for, marido ou esposa, namorado ou namorada, nunca deve perder de vista as suas vontades.

Para as mulheres, Ana Stuart dá a dica nº1. A mulher não deve ter medo de se posicionar, não deve acreditar que é ela quem tem que abdicar do que planejou. Vontades reprimidas podem até mesmo originar doenças.

Dica nº 2. Fazer pressão com o companheiro quando suas vontades estão sendo constantemente deixadas de lado pode ser benéfico. Caso contrário, pode-se perder muito da alegria e da motivação necessária para a comemoração dessas datas."Não se deve tentar agradar sempre, suprimindo suas vontades", alerta a psicóloga

Cedendo com tranquilidade

Angelo Martins e Neila de Castro (foto ao lado) já aprenderam a lidar com a situação. Juntos há 14 anos e casados há um, eles adotaram o planejamento como forma de resolver qualquer tipo de problema quanto ao destino das férias. "Planejamos juntos o lugar que pretendemos, por exemplo, passar as festas de fim de ano", afirma Angelo.

Mas nem sempre eles puderam escolher com total tranquilidade assim. Até que eles ficassem noivos, o pai de Neila acabava influenciando no destino das festas de fim de ano. "Acabei sendo carregado para a família dela para que a gente pudesse ficar junto. E fiz isso com total tranquilidade", complementa.

O casal Rodrigo Costa e Michelli Parma (foto ao lado) também se encaixa nesse perfil. É "ele" quem sempre abre mão da decisão quando eles vão passear juntos. Talvez, porque tanto Rodrigo quanto Angelo acreditem que a mulher tem mais "voz" na hora de escolher o destino final da noite ou das férias.

Micheli acredita que o namorado faz isso para evitar conflitos, porque ela diz ter a personalidade muito forte. "Nada impede que eu possa ceder também, mas ele faz isso de uma maneira muito tranquila", comenta a estudante universitária que namora há oito meses.

Quando ceder não é tão fácil assim

Carlos Rezende e Sheila Martins (foto ao lado) já perderam as contas de quantas vezes já discutiram na hora de escolher onde iriam passar o Ano Novo. O casal que está junto há quase quatro anos, já passou duas viradas de ano separados. "Simplesmente ficou difícil o mesmo lugar para nós dois", comenta Sheila. Os dois fizeram cursos diferentes na faculdade, vieram de cidades diferentes e justificam a falta de consenso nesses detalhes.

Na hora da decisão, as idéias são sempre diferentes. E então, o" impasse de final de ano" passa a ser inevitável. "Eu já me preparo para o estresse de dezembro", brinca Carlos.

Para esse tipo de situação, a psicóloga Ana Stuart alerta: é preciso estar atento à medida da individualidade versus a afetividade. É preciso tomar cuidado quando nenhum dos dois aprende a abrir mão de algo ou mesmo aprende, mas cede com raiva. Caso contrário, as comemorações de fim de ano ou férias, que tem tudo pra unir um casal podem causar efeito contrário.

Definição do local

A psicóloga Ana Stuart dá dicas para casais que ainda vão escolher o destino do Ano Novo ou das próximas férias.

  • Se o casal tem filhos, e vai viajar com eles, é sempre muito bom estar atento à compatibilidade da idade dos pequenos ou grandes com as condições do local. Lugares que só possuem diversão noturna, por exemplo, não são recomendado para quem tem crianças.
  • O fato de escolher a casa de algum parente ou amigo para alguma comemoração pode parecer pouco atrente? Lembre-se que nesse local você pode contar com a ajuda de pessoas confiáveis para cuidar dos seus filhos e que isso pode resultar em mais descanso para você.
  • Não esqueça de procurar saber como são os "preços" do custo de vida no local escolhido. Escolher rotas não compatíveis com a condição financeira pode resultar em muita dor de cabeça durante e depois da viagem.
  • Em caso de viagens, nem sempre lugares distantes são as melhores opções. Lembre-se que o importante é sair de casa, para "mudar os ares" e "repor as energias".

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