O amor não tem idade Pesquisas comprovam que cada vez mais as mulheres mais velhas se unem a homens mais jovens e são felizes superando obstáculos

Marinella Souza
*Colaboração
26/03/2008

Pesquisa recente prova que o amor não tem mesmo idade e que homens e mulheres estão rompendo barreiras em busca da felicidade. Segundo dados do IBGE, a união entre mulheres mais velhas com homens mais jovens aumentou 36%, a diferença de idade entre o casal varia de cinco a 29 anos. Para a psicanalista, Valéria Wanda da Silva Fonseca, esse dado reflete a igualdade entre os sexos, que deu à mulher mais liberdade de escolha.

"Antigamente as mulheres fantasiavam com homens mais velhos que lhe dessem mais estabilidade e segurança através do casamento. Quando ela deixa de ser dependente desse amparo, pode circular mais, está mais livre para escolher". Prova disso é a gerente de banco Cristina Furlan (foto ao lado). Divorciada e mãe de um rapaz de 18 anos, Cristina se relaciona há dois anos com um rapaz 14 anos mais novo do que ela e se diz completa no relacionamento.

"Eu fui casada com um homem oito anos mais velho do que eu e não tinha tanta afinidade com ele como tenho com meu atual parceiro. Um relacionamento é mais do que idade, trata-se de amor, respeito e cumplicidade". Morando juntos há algum tempo, ela e Sávio Schimidt (foto abaixo) concordam nesse ponto. Para ele, a diferença de idade só vem acrescentar pontos positivos ao relacionamento. "Ela é mais madura, compreende melhor o meu jeito 'turrão'... as meninas mais novas não toleram muito essas coisas", diz.

Valéria explica que pessoas mais velhas exercem fascínio em ambos os sexos. Para elas, os homens mais velhos representam virilidade e sabedoria. Para eles, a mulher mais velha é um exemplo de competência, eles admiram a experiência que elas acumulam. Sávio comprova a teoria. "A experiência dela me ensina muito. A forma de ela agir me mostra como devo agir também. Não só no nosso relacionamento, como em tudo na vida" .

Foto de Cristina Furlan Essa admiração é mútua. Cristina conta que, muitas vezes, ele parece mais velho do que ela. "O Sávio é mais centrado, mais preocupado com as coisas. Eu brinco com ele dizendo que vai envelhecer mais rápido". Em toda relação existe uma troca muito grande de experiências e isso não depende só da idade, a psicanalista acredita que a diferença, muitas vezes ajuda no crescimento do casal. "Essas diferenças podem ser bastante enriquecedoras se o casal souber tirar proveito disso", diz.

São essas diferenças que a estudante de Direito, Daniella Candido de Souza , acredita serem o ponto alto para se relacionar com homens mais novos. Mesmo quando adolescente, a moça preferia os garotos mais novos por acreditar que lidar com eles é mais fácil. "Os homens mais jovens são mais divertidos, sair com eles é melhor porque a energia é diferente".

Apesar dos 32 anos, Daniella mantém o espírito, a aparência e os hábitos joviais. "Eu gosto de sair para curtir balada mesmo, tipo discoteca, micareta. Detesto ir para barzinhos e é difícil achar um homem da minha idade ou mais velho que eu que tope esse tipo de programa", diz. Valéria acredita que as escolhas têm a ver com o contexto de cada mulher. "É uma questão muito particular, depende da história da sexualidade de cada mulher. Não se pode julgar nem analisar isso de forma isolada".

Preconceito

A psicanalista adverte que ao embarcar em uma história que foge dos padrões considerados normais, as pessoas envolvidas têm que estar preparadas e fortes para enfrentar os preconceitos que podem (e vão) surgir. "Esse é um relacionamento que exige um esforço maior de ambos para estarem juntos porque vai ser sempre colocado em xeque pela sociedade", explica.

Sávio e Cristina sabem bem o que é isso. No início do relacionamento sofreram muito preconceito por parte da família dela. "Além da diferença de idade, minha mãe tinha muito medo que eu sofresse de novo, mas hoje eles se adoram". Ao contrário do que se pode imaginar, a família de Sávio aceitou o relacionamento desde o início. "Minha mãe quis saber mais sobre ela, quis conhecê-la e tudo mais. Mas nunca se opôs à nossa história".

Foto de Sávio Schimidt A grande preocupação do casal era o filho de Cristina, mas até com ele a situação foi tranqüila. "A diferença entre eles é de nove anos, eles têm interesses em comum, são grandes amigos", comemora. Sávio vai além. "Ele é como irmão para mim, conversamos muito e, às vezes, eu até dou uns puxões de orelha nele", brinca.

Fora isso, o casal revela que já ouviu comentários desagradáveis na rua, mas passa por cima, porque o que importa para eles é o amor que sentem um pelo outro. "Se passo por algum preconceito hoje, juro, "passo batido" por ele, porque o que me importa é estar bem com quem eu amo". Sávio conta que os amigos também não criticaram sua escolha e se o fizessem não abalaria o que sente por Cristina. "Amigos têm que respeitar nossas escolhas" , afirma.

No caso de Daniella, em seu último namoro sério, a diferença entre os dois era de cinco anos e ela não sofreu preconceitos na rua, mas em casa a história era diferente. "Minha família não aceitava muito, mas depois parou de implicar por causa da idade", diz. Por acasos do destino, Daniella só convive com pessoas mais novas, dessa forma, não sofre preconceitos por suas escolhas no grupo de amigos. "Meus amigos são todos mais novos que eu, me sinto bem com eles, acho as pessoas da minha idade muito chatas. Minha irmã é quatro anos mais nova e eu acho que ela é muito mais madura e séria do que eu", confessa.

Armadilhas

Valéria acredita que não há diferenças entre um relacionamento em que há uma grande diferença de idades para outro em que haja um equilíbrio porque são seres humanos e não devem estar divididos por faixas etárias. Os conflitos são naturais em qualquer casal, não importa se as pessoas têm a mesma idade ou um é mais velho do que o outro, o que diferencia é a forma como lidam com a situação.

Daniella relembra que o fim de seu namoro em nada teve a ver com a diferença de idade entre eles. "Acabou pelos motivos normais: excesso de ciúme, perda de confiança, fim da paixão. A idade não interferiu no relacionamento nem no fim dele. Fomos um casal como outro qualquer e terminamos como outro qualquer".

Foto do casal Sávio acredita que há uma diferença positiva nos conflitos que tem com sua esposa e os que tinha com as ex-namoradas mais jovens. "Com ela eu penso mais antes de brigar, a gente procura falar tudo o que sente sem ofensas para nos entendermos e chegarmos num acordo".

Valéria comenta que o grande problema é utilizar a diferença de idade para justificar os conflitos do casal. "Diferenças de idades trazem outros valores culturais porque os universos são diferentes. O casal tem que saber lidar com essas diferenças". Cristina confessa que, às vezes, ela incorre nesse erro. "Ele é muito ciumento e, às vezes, eu apelo para a infantilidade dele ao lidar com questões bobas, mas nunca dormimos brigados. Resolvemos tudo de forma civilizada", diz.

Relacionamentos são sempre um risco. Cristina sabe que, um dia, a diferença de idade pode pesar, mas prefere viver o dia de hoje. E nisso ela está certa. Dividir planos é saudável, mas se prender a eles nem sempre traz felicidade. O importante é o casal manter a cumplicidade e o respeito mútuo, independente da idade, afinal, já diz o ditado: "o futuro à Deus pertence".

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.