Pais adotivos contam a emoção de dar carinho Histórias ilustram como o amor é maior que relações de sangue. Na hora da adoção, ele continua sendo o ingrediente fundamental para o sucesso da família

"O amor verdadeiro tá na alma, no coração. Amar uma pessoa independe do fato de ela ter seu sangue ou não". Com essa frase, Matheus Hugo Rezende (na foto com o filho), de apenas 24 anos, resume com maturidade a sua forma de encarar a paternidade do filho adotivo, Júlio, ou Julião, como ele prefere dizer quando vai apresentar a criança.

“Ê... Julião, tá cada dia mais parecido com o pai, bonito que só”. Essa é apenas mais uma das frases que ele soltou várias vezes ao longo da entrevista, numa visível "babação de ovo" como completa a mulher Stéfani. O filhão está na casa da família há quatro meses, e desde então, têm sido o centro das atenções não só do jovem casal, como dos avós que vão, no mínimo, três vezes por semana visitar o novo neto.

A decisão de adotar um filho, de acordo com o casal não foi nada difícil. Matheus e Stéfani namoram desde os 19 anos, quando se conheceram na faculdade. O casalzinho da turma de Direito namorou durante toda a graduação e logo que a formatura estava pra chegar, resolveram que iam se casar. Casaram–se e foi então que a notícia veio: Stéfani não podia ter filhos.

"No começo foi muito difícil, não porque eu não achasse que pudesse ser feliz com um filho adotivo, mas porque a gente no fundo se sente um pouco mal por não poder ser uma coisa que a gente cresce ouvindo que vai ser”, conta a mãe. Passado o choque, o casal resolveu entrar com um pedido de adoção logo em seguida.

O pai, Matheus, foi um grande incentivador. Ele conta que sonhou em poder criar um filho com a mulher que ele ama, ver na criança a personalidade da mulher que tanto chamou a atenção dele. E que queria que isso acontecesse logo, porque eles já conversavam muito sobre isso. "Não é porque a gente não ia poder ter do nosso sangue que a gente ia adiar", complementa.

E essa força de vontade parece ter trazido bons fluidos. Um processo de adoção e muito menos simples. É preciso que os pais cumpram os requisitos determinados em lei e que provem que tem condições psicológicas e financeiras de sustentar a criança. Para a história da família Rezende, tudo encaminhou mais rápido, porque eles mesmo encontraram a criança que queriam. Depois foi só conseguir a permissão.

Como explica Matheus, na casa de seus pais trabalha uma senhora como doméstica há muitos anos que é considerada como que da família. Foi essa senhora, a dona Magali, que avisou que uma sobrinha dela ia ter mais uma criança e que não ia ter condições de criar.

Magali já sabia da história do filho da patroa e imaginou que a história ia ficar boa para ambos os lados. Como conta Matheus, na época da adoção, a mãe do bebê chegou a dizer que ficava com o coração menos apertado porque conhecia a família que agora ia ser do seu filho. E que ela esperava que eles o criassem bem.

A promessa feita por Matheus e Stéfani parece estar sendo cumprida à risca. O novo pai ainda não sabe o que vai fazer para comemorar a data com "Julião", mas promete amor pra vida toda.

Segundo pai

Quando se vai batizar uma criança, o padre sempre sacramenta que os padrinhos serão a segunda família da criança, e que na ausência dos pais, devem cuidar dela como se fosse um filho legítimo.

Na vida de Lorenzo Paulinelli(foto), pelo menos, essa história tomou forma mais que real, felizmente, sem um lado triste na história. Ele e a esposa Raquel, batizaram Lucas, o sobrinho que também virou afilhado. Lucas é filho do irmão de Lorenzo, e desde muito pequeno, é muito apegado ao padrinho.

Tudo parecia realmente ironia do destino. Como se o pequeno Lucas já estavesse se preparando para uma temporada com uma nova família. Os pais do menino tiveram a oportunidade de trabalhar no exterior, e resolveram passar um tempo longe do Brasil para tentar ganhar a vida.

Tanto os pais verdadeiros quanto os padrinhos, pertencem à classe média baixa. E apesar dessa história de deixar o filho na casa do irmão por aproximadamente dois anos para ganhar a vida lá fora parecer "diferente", o padrinho garante que a intenção dos pais de Lucas eram de garantir um futuro melhor pra ele.

Feita a viagem, Lorenzo e Raquel agora cuidam da criança como se fossem deles. Brincam, acordam durante a noite e já até fizeram uma festinha de aniversário para o garoto. Como Lucas é muito pequeno, eles acreditam que essa situação confunde um pouco a cabeça da criança, mas acham que Lucas está melhor aqui no Brasil, aos cuidados de quem tanto ama ele.

Babando, Lorenzo espera ansioso o dia dos pais com o afilhado. Ele não tem filhos e diz que vai viver o dia pra valer. "Me sinto totalmente pai. Sei que o filho não é meu, mas faço por ele como se fosse. Vou carregar essa relação comigo pra sempre".

Matéria escrita pela repórter Fernanda Leonel em julho de 2006

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