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    O nascimento da mãe: puerpério


    Bárbara Fonseca 24/03/2020

    O nascer do bebê é um marco importante para a construção social da mãe. Antes disso, o processo é soma de expectativas eufóricas de um lado, apreensões de outros e assim seguimos, até o dia do nascimento.

    Este evento tão pontual – o parto, é seguido de uma situação irreversível que é a presença física do bebê dissociado do corpo da mãe. O puerpério começa logo após a expulsão do feto, com a liberação em cadeia de diversos hormônios que atuam no corpo da mulher para adequá-la, em instantes, a cuidar do bebê. Muitas de nós precisam assumir tarefas quase que imediatamente, já outras podem contar com profissionais e uma rede ampla de apoio. Mas todas elas precisam lidar com as consequências físicas e emocionais que nascimento do bebê implica.

    É claro que li alguns artigos de fisiologia, endocrinologia e enfermagem antes de vir escrever sobre isso. Todos explicam sobre a ação hormonal, os movimentos corporais mais profundos. Ocorre que trocando em miúdos, hormônios viram sentimentos. E sem saber seus nomes e funções, a puérpera sabe direitinho quando um hormônio (sentimento) diferente está correndo em suas veias, passando por sua cabeça e apertando o seu coração.

    O medo é recorrente. Tanto no sentido de apreensão e expectativa, quanto no sentido de pavor e insegurança, o desconhecimento e a insegurança são inevitáveis. A primeira refeição ao chegar do hospital, a primeira noite em casa com o bebê, o incentivo e as palavras encorajadoras durante a amamentação, o primeiro banho do bebê... São atividades que os pais podem desempenhar por eles mesmos. Ou podem ser acompanhados e envolvidos por pessoas que escolhem apoiar, acompanhar, compartilhar e formar, assim, uma rede de apoio. Para a mãe em puerpério, pode ser a diferença entre sentir-se só e triste, ou confiante e amparada.

    Para os que ajudam é difícil encontrar o equilíbrio entre o suporte e a invasão de espaço. A palavra de ordem é generosidade para com os sentimentos da nova mãe, da nova família. Estar à disposição sem esperar nada em troca, sem querer receber a mesa posta. Não fazer questão de sorrisos e conversa trivial, pois, às vezes, só há lágrimas. Acolher, mesmo sem compreender e respeitar as escolhas e modos de fazer. Ajudar, com generosidade e sem julgamentos é o maior bem que se pode fazer por uma nova mamãe.

    Em geral, o tempo tem o poder de colocar as coisas no lugar, mas nem sempre no lugar de antes. E, assim, ocorre quando nos tornamos mães: os valores e os sentimentos se reorganizam. Para as mães em puerpério recente ou maduro, as coisas estão apenas começando a reorganizar.

    A confiança no futuro derruba os medos, um a um. Os acontecimentos se seguem, tudo passa e novos desafios chegam a todo momento. Superar a fase inicial de descobertas testa a força das nossas decisões quando escolhemos a maternidade. Então, peça ajuda, pergunte, eleja alguém que considere seus sentimentos mais tolos, desabafe e seja abraçada. Chore quando quiser e, sobretudo, sorria para seu bebê, pois é assim que ele aprenderá a sorrir para você. Desta forma, tudo será mais fácil.

    Bárbara Fonseca é mãe do Vitor, de um ano. É jornalista inquieta e questionadora, que publica seus pensamentos em blogs e redes sociais, enquanto divide o tempo entre a maternidade e uma nova graduação em Nutrição.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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