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    Libera o mamá!


    Bárbara Fonseca 20/08/2020

    Agosto é o mês de incentivo à amamentação. A campanha está ganhando força de uns anos para cá, assim como a prática, que apesar de tão natural, ainda encontra alguns obstáculos culturais, sociais e econômicos.

    Na última década a sociedade se reuniu em torno de polêmicas como amamentar em público, livre demanda, aumento do afastamento materno do trabalho. Para além das questões que envolvem o posicionamento da mulher que amamenta, é indispensável falar também do bebê e dos inúmeros benefícios que o leite materno proporciona.

    O desenvolvimento orofacial, neurológico, imunológico, desenvolvimento da microbiota e modulação metabólica são algumas das atuações do leite materno.

    Para substituí-lo a indústria de alimentos disponibiliza o que conhecemos como fórmula infantil, um composto ultraprocessado com pouca biodisponibilidade, apesar do rótulo farto em nutrientes e vitaminas. Críticas à parte, estes compostos salvam vidas (de verdade!) e também no sentido figurado, principalmente para as mães que precisam se afastar do bebê logo após o parto. Sim, isso ocorre por motivos econômicos, emocionais e de diversas outras naturezas.

    O ato de amamentar caiu no gosto e no desgosto da opinião pública, ainda que ninguém tenha que dar opinião sobre isso. Muitas vezes sexualizado, causa constrangimento à mãe, reprimindo a prática em locais públicos, como se alimentar um bebê fosse algo opcional.

    Nas últimas décadas as biopolíticas tem incentivado o aleitamento materno, seja pelo combate à fome, por redução das despesas com a criança recém chegada, ou por observância à saúde da mulher que também é afetada ao dar de mamá. Uma breve consulta no site da Unicef demonstra que o incentivo ao consumo de fórmulas infantis em detrimento do aleitamento materno, causou um grande problema nutricional em várias gerações mundo afora. Como sabemos, a indústria alimentícia sempre encontra uma maneira de nos ajudar a comprar mais e viver menos.

    Em 2020, as mulheres estão mais empoderadas e conscientes de que as mamas servem a elas e a seus bebês. O empoderamento feminino libertou o mamá das amarras da estética, dos sutiãs push-ups e dos olhares dos curiosos que não sabem que do peito sai leite.

    Crédito da imagem: "A negra", pintura de Tarsila do Amaral.

    Bárbara Fonseca é mãe do Vitor, de um ano. É jornalista inquieta e questionadora, que publica seus pensamentos em blogs e redes sociais, enquanto divide o tempo entre a maternidade e uma nova graduação em Nutrição.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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