Com está a saúde materno-infantil no Brasil?

Do anticoncepcional ao pré-natal: a maternidade e a saúde pública

por Bárbara Fonseca - 17/08/2021

A saúde materno-infantil no Brasil colhe os frutos de políticas públicas implementadas na segunda metade do século XX. Ao implantar um trabalho de hospitalização dos partos, ainda que inicialmente acessível somente às mulheres de classe alta, os nascimentos assistidos por equipe médica ajudaram a diminuir a mortalidade materna e também infantil, assim como viabilizaram a assistência imediata a outras intercorrências.

O Sistema Único de Saúde (SUS) e sua abordagem à saúde primária também foi determinante para a melhora dos indicadores de saúde materno-infantil, o acompanhamento pré-natal é uma realidade ao alcance das mulheres brasileiras, ainda que infelizmente o acesso não seja universal.

A partir do acesso das mulheres de baixo poder aquisitivo aos métodos anticoncepcionais, diminuiu o número de filhos por mulher. Esta informação indica que a maternidade é não somente um evento natural na vida dessas mulheres, mas uma forma de mantê-las em estado de dependência emocional e financeira, sem chances de mobilidade social e sem tempo para desenvolvimento de outras áreas de interesse. Assim que a contracepção tornou-se acessível às mulheres pobres, elas mudaram a pirâmide demográfica do país.

A mortalidade de mulheres decorrente do parto ou posteriores complicações é pequena, embora cada vida seja indispensável. É possível relacionar o número elevado de cesarianas à mortalidade materna, visto que esta cirurgia é realizada em quantidade maior do que o esperado, de acordo com dados estatísticos trabalhados para este fim. As estatísticas relacionadas ao aborto ainda são incertas, mas as que existem já apontam este procedimento como uma das principais causas de morte de mulheres.
Em relação à saúde infantil, os indicadores também apontam melhora expressiva desde a implementação do SUS. O baixo peso ao nascer, assim como a mortalidade infantil são estáveis nas ultimas décadas, com exceção de alguns casos isolados que sofrem influência de fatores regionalíssimos.

A desnutrição infantil recuou muito e o que se vê atualmente, assim como em outros países emergentes ou desenvolvidos, é o aumento da obesidade infantil, em decorrência do consumo de produtos alimentícios altamente calóricos, associados ao estilo de vida sedentário.

Alguns eventos como o surto de zika vírus tiveram grande influência no quadro de saúde pública no país, ocasionando grande número de nascimentos de bebes com hidrocefalia.

O Brasil conseguiu alcançar um nível satisfatório de atenção à saúde materno-infantil. Infelizmente, no atual contexto da epidemia de corona vírus associado a políticas públicas que visam privatizar o acesso à saúde, assim como outros serviços essenciais prestados à população, o futuro pode não ser tão promissor. Por fim, ainda é preciso dialogar sobre temas relevantes como o aborto, que contribui para a elevação de óbitos maternos e ainda é tratado como tabu pela sociedade.

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