Juiz-forana conta suas experiências com o câncer em página na internet

Lesiane Almeida enfrenta a quimioterapia após retirar um tumor no ovário

Laura Lewer
*Colaboração
15/03/2014

Em outubro de 2013, a psicóloga juiz-forana e empresária Lesiane Almeida, de 37 anos (foto ao lado), descobriu, ao se queixar de dores na coluna, que estava com um tumor de 15 centímetros no ovário direito. No dia seguinte, seu médico disse que ela deveria fazer uma operação de histerectomia - a retirada do útero. Trinta dias depois, Lesiane já estava se recuperando da cirurgia, que a deixou de repouso por 90 dias. "Aí que bate a autoestima, né? Eu falei 'Nossa, eu vestia 40, malhava duas horas por dia e agora não posso fazer mais nada.' Fiquei meio perdida em casa, me senti presa e comecei a ler", conta. Foi assim que ela descobriu o livro Quimioterapia e Beleza, de Flávia Flores, e se identificou.

Nesse período de recuperação surgiu a ideia de fazer um blog contando suas experiências ao enfrentar o câncer. "Um dia comecei a escrever pra mim e quando vi já tinha um blog que cresceu muito rápido", explica. Quando o endereço saiu do ar, a psicóloga decidiu continuar o projeto no Facebook com a página Autoestima e Quimioterapia, que já tem 347 curtidas.

Interação

lesianeNa página, Lesiane compartilha notícias sobre o câncer e lições de vida, mas, principalmente, conversa com pessoas de todo o país que enfrentam o mesmo que ela. Especialista em RH e com MBA em Gestão de Negócios, a psicóloga encontrou uma forma de se dedicar a sua paixão, a Psicologia Hospitalar. "Eu sempre fui aquela amiga que alegrava os outros, que dava apoio. Tudo que eu estou vivendo, por pior que seja, ainda é melhor do que milhões de casos. Claro que tem dias que você acorda com dor, mas é muito gostoso saber que mesmo estando numa situação difícil você pode ajudar alguém", comenta. 

Sobre a interação com quem a segue, Lesiane conta de um caso específico, no qual uma soteropolitana portadora de doença autoimune lhe mandou uma mensagem privada desabafando. Depois de um certo tempo, a mulher teve coragem de contar sua história abertamente na página da psicóloga. "A gente acaba fazendo um círculo de fé, de autoconfiança. Isso é muito bacana porque você atinge uma amplitude de pessoas muito diferentes, que conseguem se envolver de alguma forma como que você está fazendo."

Para a psicóloga Cássia Sartori, não há duvidas de que o que Lesiane ajuda na recuperação de várias pessoas. "Tudo que é feito em grupo tem mais força. Não é à toa que se criam ONGs para que as pessoas possam trabalhar juntas. O grupo interage com aquela pessoa mesmo não a conhecendo e acaba dando forças para ela", explica.

Planos

"Com a página descobri coisas que eu nem imaginava, passei a perguntar mais e a aprender também", conta Lesiane, que pretende transformar suas experiências em livro. Além disso, deseja manter a página mesmo depois de se curar e quer se especializar em Psicologia Hospitalar.

Sobre sua relação com a doença, Lesiane se mantém consciente. "Estou passando pelo o que tenho que passar. Se você ganhar na loteria vai se perguntar 'Por que eu?'? Você ganhou porque correu atrás e apostou. Se para as coisas boas você não fica se perguntando, também não deve perguntar nos momentos ruins", afirma. 

*Laura Lewer é estudante do 7º período de Jornalismo do CES/JF

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