Endometriose
Doença benigna pode acontecer em mulheres que menstruam.
Apesar de não ter cura completa, possui tratamento

Sílvia Zoche
Repórter
18/08/2006

A ginecologista Fernanda Polisseni fala sobre a doença endometriose que ocorre com as mulheres. Clique no ícone ao lado e assista ao vídeo.

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Grande parte das mulheres sofre com dores, pelo menos, um dia no mês. As cólicas menstruais chegam a atrapalhar a rotina de vida de algumas que sentem muitas dores e nem mesmo analgésicos conseguem dar conta. A dor no baixo ventre ou na barriga, algumas vezes, vem acompanhada de dores de cabeça, diarréia, entre outros sintomas. Apesar de algumas mulheres conseguirem conviver com estas dores sem grandes problemas, outras sofrem muito.

A cólica menstrual progressiva é um dos sintomas de uma doença comum, benigna, mas que nem todo mundo sabe o que é: a endometriose. Mas é preciso que fique claro um detalhe. Nem toda cólica menstrual é sinônimo de endometriose, assim como nem todas as mulheres que têm endometriose sofrem de cólica.

Outros sintomas que podem ser causados pela endometriose são dor na relação sexual, sangramento fora do período e infertilidade. Aqui se faz a mesma ressalva. Nem sempre estes sintomas significam que o problema é causado por endometriose.

O que é?
Afinal, o que é esta doença? Segundo a médica ginecologista, especialista em reprodução, Fernanda Polisseni (foto abaixo), a endometriose é uma doença benigna, e existem várias teorias para sua explicação. A mais aceita é que a doença é causada pela presença de tecido endometrial - que fica no útero e é renovado mensalmente - em outros locais do abdômen, em mulheres que menstruam. A saída da menstruação é pelo cólo e o refluxo menstrual sai pela abertura das trompas e cai no abdômen. Em algumas mulheres, o refluxo se fixa em alguns órgãos e causam problemas. A quantidade de fluxo menstrual não tem relação com a doença.

Diagnóstico e tratamento
Saber se a mulher apresenta endometriose não é tão simples. "Existem vários graus de endometriose, que vai da mínima a severa. A dificuldade de diagnóstico é porque não existe compatibilidade entre sintomas e grau. Tem mulher que pode ter cólicas muito fortes e ter uma endometriose leve. Outras, não apresenta dores e a doença é severa", explica.

Mas isso não é motivo para que se entre em pânico, porque a maioria apresenta os sintomas. O único exame que comprova a existência ou não da doença chama-se videolaparoscopia, que é a introdução de uma pequena câmera pela barriga que localiza o tecido endometrial fora do abdômen. Por outra incisão na barriga, retira-se um pedaço deste tecido para fazer a biopsia. "É o único que dá o diagnóstico de certeza. A ultrassonografia pode dar um alarme, mas certeza não".

A doença não tem cura completa, mas possui tratamento. "O tratamento depende da sintomatologia da paciente", afirma a médica. Em casos de cólicas, existem injeções mensais que pára o funcionamento dos ovários. "É uma menopausa forçada". Porém, só pode ser aplicada durante seis meses. Quanto mais tempo de pausa nas aplicações, melhor, segundo Fernanda.

Em casos de infertilidade - a chance de infertilidade em quem tem endometriose é de quase 80% -, acompanhadas de cólicas progressiva intensa, a recomendação é tomar remédios para dor indicado pelo médico e um tratamento para a infertilidade.

A infertilidade pode ser direta, que acontece pelo entupimento das trompas ou aderência delas a outros órgãos. A aderência entre os órgãos pode trazer várias conseqüências, como a obstrução intestinal, que é grave e provoca dor aguda. A maneira indireta é que a endometriose pode causar problemas nos sistema imunológico, que dificulta a implantação do embrião e, no ovário, piora a qualidade dos óvulos.

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